Em outubro de 2023, quase todos os filmes da franquia Indiana Jones passaram a estar disponíveis no catálogo da Prime Video, exceto Indiana Jones e o Disco da Fortuna, da Disney. O filme mais recente, estrelado por Harrison Ford como Henry Jones Jr., no fim de sua jornada, merece uma nova conferida.
Diferentemente dos longas anteriores, Indiana Jones e o Disco da Fortuna traz uma proposta diferente, mostrando o arqueólogo lendário diante da aposentadoria e de suas próprias frustrações, mas também recebendo uma nova oportunidade de aventura. Sob a direção de James Mangold, o título faz referência ao Disco da Fortuna, que é o Antikythera, um dispositivo antigo criado por Arquimedes, capaz de navegar em fissuras no tempo.
Ao lado de sua afilhada Helena Shaw, o personagem enfrenta o ex-cientista nazista Jürgen Voller. O filme traz uma conclusão interessante para o papel de Harrison Ford como Indy, ainda que não seja perfeito. A seguir, confira os 10 principais pontos que se destacam ao rever essa possível última aventura cinematográfica do personagem.
Abertura do Disco da Fortuna resgata a nostalgia de Indiana Jones

A sequência inicial de Disco da Fortuna é, sem dúvida, o momento que mais se aproxima da magia da trilogia original. Ambientada nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, Indy embarca em um trem nazista que transporta artefatos roubados em busca da Lança de Longinus, a lança que perfurou Cristo, mas acaba encontrando metade do Antikythera. A cena conta com muita ação, acrobacias e a típica derrota dos nazistas, além de estabelecer bem a relação histórica entre Indy e Voller, que será explorada em 1969.
Harrison Ford rejuvenescido com CGI impressiona

A tecnologia de rejuvenescimento digital da Disney teve resultados variados, mas em Disco da Fortuna apresenta uma versão convincente de um Indiana Jones mais jovem, especialmente na sequência inicial. Similar ao efeito visto em Rogue One com o personagem Grand Moff Tarkin, o CGI é bem executado e, apesar de não ser totalmente imperceptível, a atuação de Ford por baixo da manipulação digital mantém a credibilidade da cena.
Mads Mikkelsen entrega o vilão perfeito para Indiana Jones

O personagem Jürgen Voller, interpretado por Mads Mikkelsen, é um antagonista à altura da franquia Indiana Jones. Ex-cientista nazista incorporado ao programa espacial americano, sua determinação fria para reescrever a história conforme sua visão o torna o rival ideal para Indy, principalmente por ambos carregarem o sentimento de abandono em relação aos mundos que conheciam.
“Ela não quer falar comigo”

Um dos momentos mais emocionantes do filme é a revelação sobre a separação de Indy e Marion Ravenwood após a morte do filho Mutt na Guerra do Vietnã. A comparação fica clara quando Sallah pergunta se Indy já conversou com Marion depois de se tornar um fugitivo. A sensação de que Marion não quer contato com ele lembra a mesma sensação expressa por Han Solo em Star Wars: O Despertar da Força, após o afastamento de Leia pelos eventos envolvendo o filho deles, Ben Solo.
Helena Shaw, interpretada por Phoebe Waller-Bridge, se destaca como parceira

Helena Shaw é apresentada inicialmente como alguém que segue os passos de Indy por motivos errados, buscando fama e fortuna. Sua evolução e redenção, conforme se aproxima do padrinho durante o filme, é satisfatória. A atuação de Phoebe Waller-Bridge traz charme e energia, criando um contraste divertido com o Indy mais rabugento de Ford. Para os fãs de Star Wars, há uma curiosidade extra: Waller-Bridge interpretou L3-37 em Solo: Uma História Star Wars, contracenando com um jovem Han Solo.
Cena divertida com o chicote de Indy
Entre os momentos mais engraçados do filme está uma cena em que Indy usa seu icônico chicote para afastar alguns capangas, que prontamente sacam suas armas contra ele. Essa situação inverte a famosa cena de Os Caçadores da Arca Perdida, quando Ford improvisou ao disparar contra um inimigo armado com espada devido a enfermidade na época. É uma brincadeira com a nostalgia que agrada os fãs.
Imagem: Divulgação
“Coisas que não consigo explicar”
Uma conversa entre Indy e Helena sobre a carreira do arqueólogo traz mais um paralelo com Han Solo. Jones comenta: “Não é tanto no que você acredita… é o quanto você acredita”, lembrando a fala de Solo para Rey e Finn em O Despertar da Força, quando reconhece que a Força, os Jedi e as histórias são reais. Ambos os personagens amadurecem ao superar seu ceticismo inicial em relação ao sobrenatural.
Viagem no tempo em Indiana Jones faz sentido no contexto
Embora muitos críticos tenham visto a viagem no tempo em Disco da Fortuna como um afastamento significativo da série, o uso do elemento vence objeções para alguns. O Disco, de Arquimedes, não permite uma viagem ampla no tempo, mas identifica uma fenda temporal ligada ao Cerco de Siracusa em 214 a.C. Apesar do aspecto extraordinário, essa abordagem se encaixa no universo de Indiana Jones, que sempre pediu ao público aceitar elementos sobrenaturais ou alienígenas.
Presença de Marion Ravenwood merecia destaque maior
A personagem Marion Ravenwood, interpretada por Karen Allen, surge rapidamente no final do filme trazendo fechamento emocional para a história de Indy, essencial para evitar uma sensação de vazio no roteiro. No entanto, sua participação poderia ter sido ampliada. O filme passou por mudanças significativas após a saída de Steven Spielberg como diretor, e Marion chegou a ser excluída do roteiro. Apenas depois que Allen enviou uma carta para Kathleen Kennedy e Lucasfilm seu retorno foi garantido, reforçando como sua presença poderia ter fortalecido ainda mais o legado da franquia.
Indiana Jones envelhecido sempre foi um desafio para o público
O desafio maior de Disco da Fortuna era mostrar um Indiana Jones mais velho confrontando o fim de sua trajetória. O público tende a preferir seus heróis da infância em seus melhores momentos, e não os vê-los enfrentar solidão, arrependimentos e limitações físicas da idade. Ainda assim, o que James Mangold alcança é similar ao que fez em Logan, seu filme anterior sobre um herói envelhecido. A narrativa não tenta replicar o auge do personagem, mas sim explorar o que tornou sua vida significativa.
Mesmo não alcançando o mesmo patamar de clássicos como Os Caçadores da Arca Perdida ou A Última Cruzada, Indiana Jones e o Disco da Fortuna oferece uma despedida pensativa e envolvente para Harrison Ford como o arqueólogo lendário.
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Com informações de Screen Rant
