O filme “Resident Evil”, dirigido por Zach Cregger, conquistou o público com uma narrativa acelerada, efeitos visuais impressionantes e uma das melhores avaliações já vistas para adaptações de jogos digitais. O longa, com destaque para a atuação de Austin Abrams, apresenta diversas criaturas monstruosas criadas por equipes especializadas em efeitos visuais. Entre elas, uma das cenas mais complexas envolveu um personagem apelidado de “Fat Man”, segundo Kevin Smith, supervisor de VFX da Weta.
A cena do “Fat Man” e seus desafios técnicos
No filme, Bryan (interpretado por Austin Abrams) passa pelos esgotos de Raccoon City e encontra um homem enorme, calvo e sem pelos, com cerca de oito pés de altura, sentado nos canos. A aparência do personagem lembra o antagonista Baron Harkonnen, de “Duna”. Quando Bryan se aproxima, o estômago do homem se rompe, e centenas de ratos vivos escapam, avançando em sua direção e forçando uma fuga rápida.
Kevin Smith ressaltou que a produção inicialmente planejou concluir as cenas envolvendo este personagem em até quatro semanas, mas ele insistiu para que a finalização ocorresse somente no último dia de filmagem. “Essa foi a coisa mais complicada que já supervisei”, afirmou.
Por que a cena do “Fat Man” foi tão difícil?
Com mais de 30 anos de atuação em efeitos visuais e supervisão desde 2015, Kevin Smith já participou de filmes como “Krampus”, “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, “Godzilla vs. Kong” e “The Flash”. Porém, a cena do “Fat Man” exigiu um esforço singular. A equipe teve que substituir digitalmente o personagem da altura do peito para baixo, pois os equipamentos usados para simular o estômago inchando não funcionaram como o esperado.
Foi necessário criar e animar centenas de ratos saindo de dentro da barriga, além de modelar a pele expandindo, rompendo e interagindo com fluídos internos. A animação dos ratos demandou movimentos específicos e realistas, característica típica desses animais, o que complicou ainda mais o processo. O trabalho dependia da interação entre a animação manual dos ratos e o efeito digital da pele rasgando, o que resultou em um ciclo repetitivo de ajustes entre os departamentos de animação e efeitos.
“Quando a combinação não funcionava, tínhamos que recomeçar todo o processo”, explicou Smith. O efeito de rasgo na pele foi, em grande parte, criado manualmente, quadro a quadro, devido às dificuldades encontradas.
Outros elementos que complicaram a sequência
Além da animação e simulação da pele e dos ratos, a equipe ainda precisou lidar com a simulação de sangue e substâncias viscosas escorrendo e grudando no personagem. Os ratos também precisavam interagir com a água digital criada para a cena, fazendo respingos ao se movimentarem. O realismo da gosma aderida aos animais também demandou atenção especial. Todos esses detalhes aumentaram a carga de trabalho e o tempo necessário para finalizar os efeitos.
Imagem: Divulgação
Devido a essa complexidade e às interdependências entre as equipes envolvidas, as imagens finais só foram concluídas na última semana de produção, mostrando a insistência de Kevin Smith em manter o cronograma ajustado para garantir a qualidade da cena.
Com mais de 35 anos de prática, a experiência do supervisor foi crucial para a entrega deste resultado, sempre acompanhado pela pressão de um personagem que corre constantemente de perigos ao longo da trama.
“Resident Evil” segue em cartaz nos cinemas de todo o país.
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Com informações de SlashFilm
