O filme “The Death of Robin Hood”, protagonizado por Hugh Jackman, tornou-se o maior sucesso de streaming da HBO Max em 2026. A produção, dirigida por Michael Sarnoski, conhecido por “Pig”, estreou nos cinemas no início do ano e, apesar de ter arrecadado menos de US$ 10 milhões nas bilheterias, conquistou a preferência do público na plataforma de streaming.
Uma versão sombria e envelhecida de Robin Hood
Na trama, Hugh Jackman interpreta um homem velho e violento que vive à sombra de um passado lendário enquanto protege uma jovem garota, símbolo de um futuro no qual ele não fará parte. Diferente das versões tradicionais do herói popular, “The Death of Robin Hood” mostra um personagem isolado e caçado pelos familiares das vítimas que ele matou, ao mesmo tempo em que revida esses ataques.
Após se ferir na tentativa de ajudar seu amigo Little John (Bill Skarsgård) a recuperar sua fazenda e família, Robin se recupera numa ilha pacífica, sob os cuidados da freira Brigid (Jodie Comer). O filme rejeita a imagem heroica do personagem, sustentando que Robin Hood não era um herói e que sua vida como fora da lei envolvia assassinatos por diversão e lucro.

Conforme narrado por Hugh Jackman em vídeo promocional, as histórias sobre Robin Hood sofreram muitas alterações ao longo dos séculos, distanciando-se das primeiras versões que o retratam como um “bandido cruel e assassino”. Tanto a rivalidade com o Xerife de Nottingham quanto o romance com Marian são acréscimos posteriores às lendas originais.
O filme também questiona a ideia popular de que Robin “roubava dos ricos para dar aos pobres”, já que essa faceta é fruto do romantismo moderno, ausente nos relatos mais antigos. Jackman e Skarsgård interpretam personagens que, após tantas mortes, confundem com fatos ou ficção suas próprias histórias, sem apresentar cenas do passado do protagonista como fora da lei, deixando apenas sua palavra como referência.
O enredo destaca não uma redenção repentina, mas as consequências práticas de uma vida marcada pela violência. Robin está cansado de matar e de ter que provar que não é o herói das canções. Sua culpa se aprofunda ao longo do tempo em contato com Brigid e a filha de John, Margaret (Faith Delaney).
Após o primeiro ato, a violência quase desaparece, e o filme adota um desfecho melancólico, distante da imagem tradicional do herói que morre em combate.
Imagem: Divulgação
O ano de 2026 e a nova abordagem sobre Robin Hood

A visão do longa, que apresenta Robin Hood como um ladrão e assassino, gerou reações controversas em um momento em que a desigualdade social ultrapassa até os índices da Idade Média. O crítico Richard Brody, do The New Yorker, classificou o filme como “cínico e grosseiro”.
“The Death of Robin Hood” não representa o fim da exploração cinematográfica do personagem. O filme histórico “The Uprising”, dirigido por Paul Greengrass, aborda a Revolta dos Camponeses de 1381 e traz uma releitura do mito, focando nos conflitos de classe, embora o protagonista interpretado por Andrew Garfield não seja nomeado como Robin Hood.
Além do cinema, 2026 também marcou uma nova interpretação do herói nas HQs, com a série “Absolute Green Arrow”, na qual o personagem inspirado em Robin Hood é retratado como um assassino em série que mira bilionários. A campanha publicitária da HQ destaca a proposta de um “Robin Hood menos Errol Flynn e mais Michael Myers”.
Assim, 2026 trouxe não apenas “The Death of Robin Hood” como também indicativos de que o mito do fora da lei ainda inspira diferentes formatos e abordagens.
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Com informações de SlashFilm
