Brent Spiner, intérprete de Data em “Star Trek: The Next Generation”, afirmou que não busca reconhecimento pela influência do personagem na aceitação da neurodivergência e temas relacionados à saúde mental. Durante o New York Comic Con de 2026, o ator falou sobre como seu papel, embora importante na cultura pop, não foi concebido com essa intenção.
O legado de Data além da ficção científica
Embora a franquia “Blade Runner” seja frequentemente creditada por explorar o dilema de ser “mais humano que humano”, “Star Trek” também tem um papel significativo nesse debate, especialmente por meio de personagens como Spock e Data. Data, um androide dedicado a compreender emoções e comportamentos humanos, é visto por fãs como um símbolo de direitos humanos, coexistência e, particularmente, neurodivergência.
O personagem, que enxerga o mundo sob a lógica e luta para entender seus sentimentos, conecta-se com pessoas que enfrentam desafios semelhantes no entendimento e regulação das emoções. Essa identificação ajudou a popularizar discussões sobre saúde mental e neurodivergência, embora segundo Spiner, isso tenha acontecido de forma involuntária.
“Eu não seria arrogante a ponto de dizer que tive algo a ver com a aceitação da neurodivergência ou qualquer outra coisa. Foi um papel, um papel muito bacana, e fico feliz se teve esse efeito, mas sei que não foi intencional”, declarou o ator.
Data como símbolo para fãs neurodivergentes
Embora a intenção original dos criadores de “The Next Generation” não fosse destacar a neurodivergência, o impacto do personagem e da interpretação de Spiner se tornou inegável. Nos filmes da franquia, por exemplo, Data adquire um chip de emoções que permite a ele sentir aquilo que buscava compreender ao longo da série – um aspecto que reforça essa dimensão do personagem.
Spiner acrescentou que já recebeu relatos de fãs autistas ou com Asperger, que encontraram em Data uma representação com a qual puderam se identificar. “Conheci várias crianças autistas ou com Asperger que dizem: ‘Você me ajudou muito quando eu era jovem, porque eu não conseguia me relacionar com a experiência humana, e tinha o Data passando pela mesma coisa’. Eu não tive nada a ver com isso, exceto pelo fato de estar lá, e me sinto feliz por isso. Eu fui um canal inconsciente para que as pessoas se sentissem melhor consigo mesmas, e isso me deixa realmente contente.”
Imagem: Divulgação
Legado de humanização em Star Trek
O impacto de personagens como Spock, Data e o Doutor, interpretado por Robert Picardo em “Voyager”, destaca a continuidade do compromisso de “Star Trek” com a diversidade das experiências humanas. Celebrando 60 anos em 2026, a franquia segue incluindo e explorando diferentes dimensões da condição humana.
Spiner e outros membros do elenco discutem esses temas no documentário “The Sixty-Year Mission: How Star Trek Changed Television and the World”, atualmente em cartaz nos cinemas Regal.
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Com informações de SlashFilm
