No dia 3 de novembro de 1976, chegava ao cinema a primeira adaptação de um livro de Stephen King, dando início a uma longa trajetória de produções baseadas nas obras do escritor. Para celebrar meio século desde esse marco, destacamos os filmes menos valorizados em cada década que carregam o nome do autor.
Década de 1970: Salem’s Lot (Versão Teatral)
Durante os anos 1970, poucas adaptações de Stephen King foram lançadas, sendo Carrie e a versão teatral do filme Salem’s Lot as principais. O longa, originalmente uma minissérie de três horas, traz a história de um escritor que retorna à sua cidade natal e descobre que vampiros a dominam lentamente.
Lançada em 1979, a minissérie marcou uma geração de fãs do terror, especialmente com a cena icônica do vampiro garoto flutuando e batendo na janela. Um distribuidor europeu financiou cenas alternativas com maior grau de violência para lançamento nos cinemas por lá. Após o sucesso na TV, essa versão condensada, com 110 minutos de duração, estreou internacionalmente em 1979.
Apesar de omitir cenas importantes, inclusive o final original, essa versão é mais ágil e traz sequências mais sangrentas, como a de Straker (James Mason) perfurando uma vítima em galhadas de veado. A obra mantém sua força, apresentando personagens cativantes, com David Soul no papel de Ben, um protagonista repleto de humanidade.
Década de 1980: Christine
Dirigido por John Carpenter, Christine chegou em 1983 após o lançamento controverso de The Thing (1982). Carpenter foi substituído na adaptação de Firestarter e assumiu Christine como um projeto profissional, sem muita liberdade criativa, mas ainda assim entregando um resultado sólido.
O filme elimina diversos elementos do livro original, como o fantasma do dono anterior do carro, colocando a própria Christine como a entidade maligna. O longa funciona como uma metáfora sobre a puberdade e as angústias da adolescência. Embora o carro não imponha medo, a direção de Carpenter privilegia a atmosfera, reforçada por uma trilha sonora sombria e subestimada.
Destaque para cenas de perseguição intensas, especialmente quando Christine está em chamas e continua perseguindo suas vítimas. O filme não teve grande repercussão ao ser lançado, mas conquistou ao longo do tempo uma base fiel de admiradores.
Década de 1990: The Night Flier
Nos anos 1990, as adaptações de terror de Stephen King perderam destaque, enquanto filmes dramáticos baseados em seus livros ganharam mais atenção, como The Shawshank Redemption e The Green Mile. Foi nesse contexto que estreou em 1997 The Night Flier, um thriller sobre um jornalista sensacionalista, interpretado por Miguel Ferrer, que investiga um suposto vampiro viajante em avião particular.
A narrativa funciona como um estudo de personagem, mostrando um repórter cuja existência gira em torno do sofrimento alheio, sem vida social fora do trabalho degradante. O diretor e roteirista Mark Pavia desenvolve um clima noir de horror, retratando a busca do protagonista por enfrentar seu próprio reflexo sombrio.
O longa mantém uma entrega contida na maior parte do tempo, mas se destaca pelo desfecho violento e sangrento. Sem grandes nomes no elenco e com um protagonista antipático, o filme não teve apelo comercial, mas se tornou um cult entre os fãs do gênero.
Década de 2000: 1408
O conto 1408 teve origem como um exercício de escrita no livro de Stephen King On Writing: A Memoir of the Craft. Posteriormente expandido para um conto, o texto foi adaptado para o cinema em 2007, estrelado por John Cusack e com Samuel L. Jackson em papel coadjuvante.
O filme se destaca por se concentrar majoritariamente em Cusack, no papel do escritor preso em um quarto de hotel assombrado. O longa mostra a deterioração da razão do personagem à medida que enfrenta a natureza sinistra do quarto 1408, que parece ter vida própria.
Embora a atmosfera inicial seja mais contida, o filme aumenta o ritmo e o escopo no final, ficando mais barulhento e exagerado. Ainda assim, a maior parte da trama se passa em um cenário único, criando dificuldades narrativas que são bem superadas pelo roteiro e atuação central.
Década de 2010: Gerald’s Game
Mike Flanagan, responsável por adaptações como Doctor Sleep e a remake de Carrie de 2026, dirigiu Gerald’s Game em 2017. O cineasta prioriza o aspecto humano das histórias de King, e aqui encarou o desafio de transformar um romance considerado difícil de adaptar em um filme eficaz.
Imagem: Divulgação
A trama acompanha Jessie (Carla Gugino), que fica algemada a uma cama após a morte súbita do marido durante um jogo sexual. O roteiro intercala o presente de tensão da mulher com flashbacks que revelam seu passado conturbado e relações com homens em sua vida.
Com uma atuação central impressionante de Gugino, Gerald’s Game é um drama de sobrevivência angustiantes que, ao mesmo tempo, revela um caráter inspirador. O filme traz cenas desconfortáveis e criativas, incluindo a forma pouco convencional que Jessie usa para tentar se libertar das algemas.
Década de 2020: The Monkey
O diretor Osgood Perkins teve sucesso na década de 2020 com produções como Longlegs e The Monkey. Apesar deste último ter sido um sucesso financeiro – arrecadando cerca de US$ 70 milhões, quase sete vezes seu orçamento – muitas vezes ficou ofuscado pelo destaque de Longlegs.
The Monkey é uma comédia de horror sombria que explora mortes sangrentas e infortúnios dos personagens, lembrando obras como Final Destination. O filme expressa a vontade de Perkins de criar algo divertido e catártico, diferente do tom mais sério do conto original de King, publicado em 1980.
O diretor optou por uma abordagem cínica e existencial, refletindo sobre a aleatoriedade da vida e da morte, mas encerrando com uma mensagem surpreendentemente otimista sobre aproveitar o caos enquanto dura.
Data de nascimento
21 de setembro de 1947
Local de nascimento
Portland, Maine, Estados Unidos
Projetos notáveis
The Shawshank Redemption, The Shining, It, The Stand, Misery, The Dark Tower, Mr. Mercedes, Carrie
Altura
1,93 m
Profissões
Autor, roteirista, produtor, diretor, ator
Ao longo de 50 anos, Stephen King consolidou-se como uma referência não apenas na literatura, mas também no cinema e na cultura pop, com uma carreira que segue inspirando novas gerações.
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Com informações de Screen Rant
