A franquia Godzilla, que já tem mais de 70 anos, sempre teve pouca continuidade entre seus filmes. Durante a era Showa, entre os anos 1950 e 1970, os únicos personagens recorrentes eram os próprios monstros kaiju. Na sequência, a era Heisei, de 1984 a 1996, tentou dar mais ligação entre as produções, mas ainda de forma limitada. A era Millennium, que veio depois, adotou um modelo fragmentado, onde cada filme considerava apenas o de 1954 como referência, apagando os demais eventos anteriores. Filmes do MonsterVerse, da Legendary Pictures, funcionam parecido com a era Heisei, e o filme japonês de 2016, Shin Godzilla, é uma produção isolada.
Por isso, é raro ver uma verdadeira sequência de Godzilla, com a equipe e o elenco originais retornando ao projeto. Esse feito acontece em Godzilla Minus Zero, continuação direta de Godzilla Minus One (2023), ambos escritos e dirigidos por Takashi Yamazaki. Este segundo filme aprofunda a história e o desenvolvimento dos personagens iniciados no anterior, entregando uma narrativa mais rica e uma conclusão que deixa portas abertas para novos desdobramentos.
Resumo de Godzilla Minus One
Situado entre os anos de 1945 e 1947, Godzilla Minus One mostra o Japão sofrendo as consequências da Segunda Guerra Mundial, em um cenário de reconstrução e dor. O filme acompanha o piloto kamikaze Kōichi Shikishima (Ryunosuke Kamiki), que abandona sua missão suicida; Noriko Ōishi (Minami Hamabe), que se dedica a salvar e cuidar da órfã Akiko (Sae Nagatani); e Kenji Noda (Hidetaka Yoshioka), engenheiro naval envolvido em operações para derrotar Godzilla.
Cada personagem tem uma relação distinta com Godzilla, que simboliza seus conflitos: para Noda, o monstro deve ser eliminado para o país avançar; para Noriko, sobreviver a Godzilla é o principal desafio; e para Shikishima, ele representa a culpa e a destruição que precisam ser vencidas.
Após a aparente morte de Noriko durante um ataque em Ginza, Noda lidera uma missão civil que alterna afundar e levantar Godzilla por meios militares. Shikishima, por sua vez, topa atrair Godzilla para o mar com seu avião carregado de explosivos, mas consegue se ejetar, mostrando que superou seu sentimento de culpa. Ao fim, é revelado que Noriko sobreviveu, e uma mancha negra no pescoço dela indica uma ligação misteriosa com as células do monstro.
O que acontece no final de Godzilla Minus Zero?
O segundo filme começa em 1949, quando Kenji Noda é informado de um novo ataque de monstro gigante ao Japão: Ghidorah. Com a ajuda da meteorologista Makoto Aoyama (Masami Nagasawa), eles elaboram um plano para destruir Ghidorah usando raios, além de pedir a Shikishima que se envolva novamente na luta, apesar de ele relutar para proteger sua esposa Noriko e a filha adotiva Akiko.
Ghidorah resiste ao ataque inicial e Godzilla, agora regenerado, retorna à cena. Noda e o biólogo Kanji Murakami (Min Tanaka), sobrevivente do bombardeio de Hiroshima, decidem atrair Godzilla e Ghidorah para um confronto decisivo, com os humanos planejando eliminar o vencedor. Eles contam com um dispositivo que só Noriko e suas células G podem ativar para chamar Godzilla.
Shikishima e Noriko aceitam participar, sem saber que Murakami pretende usar Noriko para se vingar dos Estados Unidos. Na batalha em Ginza, Godzilla sai vitorioso, mas Noda perde a vida. O exército japonês proíbe a morte de Godzilla, quando Shikishima e Noriko se rebelam contra Murakami. No entanto, ele revela que foi convencido por Noda a abandonar seus planos, destruindo seu aparelho e permitindo a fuga do casal.
Murakami é preso pelo exército dos EUA. Enquanto isso, Shikishima e Noriko tentam abandonar Akiko para fugir das autoridades, mas não conseguem e partem juntos, formando uma família em busca de um futuro incerto.
Imagem: Divulgação
Takashi Yamazaki aprofunda temas de Deus e pós-guerra em Godzilla Minus Zero
Godzilla Minus Zero é uma rara sequência que desenvolve a mesma linha narrativa de seu antecessor, profundando os temas relacionados ao Japão pós-guerra e os efeitos devastadores da bomba atômica. Yamazaki retrata Godzilla tanto como uma força moral ambígua quanto um símbolo do país, um poder destrutivo que deveria ser usado apenas em último caso.
O filme também explora a dúvida sobre se o futuro de esperança conquistado pelos sobreviventes em Minus One poderá se concretizar. A ameaça de novas criaturas, as células G em Noriko e o cenário político desfavorável colocam o otimismo à prova. Ainda assim, o diretor enfatiza que as relações humanas e a cooperação são as chaves para preservar essa esperança, mesmo com o envolvimento apenas secundário do elenco original de Minus One.
O que esperar das próximas histórias da série Minus?
Se Godzilla Minus Zero encerrasse a continuidade dos filmes Minus, a saga formada por Minus One e Minus Zero já seria satisfatória. Porém, o diretor deixa várias pontas abertas, como o destino incerto de Murakami, preso pelos EUA, e da família Shikishima, que está fugindo das autoridades. É possível que Murakami seja forçado a trabalhar para os EUA visando controlar Godzilla.
Além das tramas humanas, a introdução de Ghidorah cria possibilidades para outros monstros do universo Toho, como Rodan ou Hedorah, aparecerem no futuro. O filme também sugere que, em algum momento, ações podem se expandir além do Japão, já que há uma sequência fantasiosa de Godzilla atacando Nova York. Ainda não há confirmação sobre a continuação da série, mas as oportunidades para explorar essa mitologia são numerosas.
Godzilla Minus Zero está em cartaz nos cinemas.
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Com informações de SlashFilm
