Desde sua criação há 72 anos, Godzilla passou por diversas representações, cada uma trazendo particularidades que diferem entre si. O gigante protagonista já esteve em 39 filmes oficiais, com diferentes linhas de continuidade e interpretações que o transformaram ora em ameaça, ora em herói.
Menos de uma década após os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki, o estúdio japonês Toho concebeu Godzilla como uma metáfora ao perigo das armas nucleares. No filme de 1954, o monstro surgiu como uma criatura gigantesca, mutada pela radiação causada por testes nucleares americanos no oceano Pacífico, e enfrentava o exército japonês. A partir daí, Godzilla alternou entre antagonista e protetor, com cada nova produção oferecendo um olhar diferente sobre o personagem. A mais recente interpretação está em Godzilla Minus Zero, que estreia nos cinemas nesta semana.
Godzilla (1954)
O título inaugural da franquia é simplesmente Godzilla, lançado em 1954. Essa versão estabeleceu a base visual e conceitual do personagem: seus espinhos nas costas, o sopro atômico, o rugido característico e a estrutura física são elementos que permanecem identitários até hoje.
Essa primeira aparição de Godzilla foi uma resposta direta aos efeitos da bomba atômica. Diferente das sequências posteriores, onde geralmente enfrenta outros monstros, neste filme ele nunca teve esse confronto, sendo derrotado pela arma fictícia chamada Oxygen Destroyer no final da trama.
Série Showa – Primeira aparição: Godzilla Raids Again (1955)
Em 1955, Godzilla Raids Again revelou a existência de um segundo Godzilla, que protagonizaria mais de uma dezena de filmes. No início, sua aparência era semelhante à do original. Com o passar dos anos, ajustes sutis foram feitos no traje do monstro, muitas vezes devido a limitações orçamentárias, afetando a qualidade visual.
O maior diferencial desta fase ocorreu em 1964, no filme Ghidorah, The Three-Headed Monster, quando Godzilla tornou-se herói, uma mudança voltada para atrair o público infantil. Essa versão mantinha a ferocidade, mas apresentava um lado mais brincalhão, inclusive com gestos como apertar mãos e rir.
Série Heisei – Primeira aparição: Return of Godzilla (1984)
Em 1984, Toho ressuscitou Godzilla em Return of Godzilla, mantendo o design básico, porém com uma aparência mais ameaçadora e séria. Nesta série, Godzilla é retratado como uma criatura originária do Godzillasaurus, com escamas mais escuras e coxas maiores.
Abandonando o tom infantil das décadas anteriores, os filmes da era Heisei restauraram Godzilla como uma ameaça à humanidade, mas também um anti-herói. Ao longo dos anos 1990, o monstro ganhou um “filho”, Godzilla Junior, mostrando a continuidade da espécie.
Godzilla (1998) – Primeira e única aparição
A primeira produção americana da franquia, lançada em 1998, recebeu muitas críticas por afastar-se do espírito original do monstro. O Godzilla dirigido por Roland Emmerich foi apresentado como um gigantesco lagarto mutante, menor que o habitual e sem suas características tradicionais.
O filme inovou em alguns aspectos, como dar velocidade rápida ao monstro, que geralmente é lento e destrutivo em suas passagens. A má recepção levou a Toho a reclassificar esse Godzilla como uma criatura distinta no contexto do universo em Godzilla: Final Wars (2004).
Godzilla Junior – Primeira aparição: Godzilla vs Mechagodzilla II (1993)
Introduzido em 1993, Godzilla Junior é o filho de Godzilla na era Heisei. Com aparência similar ao pai, porém com espinhos menores nas costas, representava um ser jovem da espécie Kaiju.
Após morrer em combate contra Destoroyah, Godzilla Junior foi ressuscitado com a energia vital do pai, herdando sua força para se tornar o novo Godzilla. Esta versão recebeu uma característica visual nova: luminosidade nas costas, criada por pequenas luzes laranja no traje.
Série Millennium – Primeira aparição: Godzilla 2000 (1999)
Com Godzilla 2000, a Toho reiniciou a franquia em uma nova linha chamada Millennium. Este Godzilla ignora todas as histórias anteriores, exceto o filme de 1954. A origem do monstro não é mostrada no filme, mas a novelização confirma que é o segundo espécime sobrevivente de 1954.
Este Godzilla, com espinhos roxos e sopro atômico vermelho, se assemelha ao Godzilla da década de 1990 como anti-herói. Seu design foi adaptado em filmes seguintes, alternando entre sopros atômicos coloridos e características clássicas.
Godzilla de 2001 – Primeira aparição: Godzilla, Mothra e King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001)
O Godzilla deste filme é retratado como uma entidade maligna pura, distante do perfil habitual. Para intensificar essa imagem, o monstro foi criado com olhos sem pupilas pelo diretor Shusuke Kaneko.
A trama traz o corpo do Godzilla original possuído pelos espíritos de soldados mortos na Segunda Guerra Mundial, tornando-o um símbolo de vingança com conotação anti-guerra. Ele enfrenta outros monstros guardiões, como Baragon, Mothra e King Ghidorah.
MonsterVerse – Primeira aparição: Godzilla (2014)
A produtora Legendary reinventou Godzilla para a MonsterVerse, apresentando-o como um antigo titã despertado pela radiação nuclear, distinto da origem tradicional da Toho.
Neste universo, Godzilla atua como um guardião do planeta, combater outros titãs para equilibrar a natureza. Lançado em 2014, participou também dos filmes Godzilla: King of the Monsters (2017) e Godzilla vs. Kong (2021), além de aparecer na série da Apple TV+ Monarch: Legacy of Monsters.
Shin Godzilla (2016)
Após os bons resultados da versão da Legendary, Toho lançou Shin Godzilla em 2016 com uma abordagem totalmente renovada. Este Godzilla possui um visual grotesco e capacidade de mutação genética, resultado do despejo de resíduos nucleares.
Com mais de 388 pés de altura, foi a maior versão do personagem já mostrada até então. Apesar de derrotado no filme, o enredo deixou espaço para seu retorno, mas Toho decidiu investir em outras séries após esta produção.
Mechagodzilla – Primeira aparição: Godzilla vs. Mechagodzilla (1974)
Lançado em 1974, Godzilla vs. Mechagodzilla apresentou a contraparte robótica de Godzilla, criada por alienígenas e equipada com arsenal letal de mísseis e lasers. O objetivo era eliminar o Godzilla original.
No filme Godzilla vs. Mechagodzilla II, a arma é reimaginada como tecnologia do governo japonês, protagonizada pelo modelo chamado Kiryu, que incorpora o esqueleto do Godzilla falecido.
Desde então, várias versões do Mechagodzilla surgiram, inclusive no MonsterVerse, como em Godzilla vs. Kong.
SpaceGodzilla – Primeira aparição: Godzilla vs. SpaceGodzilla (1994)
Células de Godzilla foram enviadas ao espaço, onde sofreram mutação por um buraco negro, originando SpaceGodzilla, um monstro com cristais nas costas e ombros.
Introduzido em 1994, SpaceGodzilla causa destruição na Terra e enfrenta Godzilla, que se une à máquina Moguera para combatê-lo.
Godzilla Minus One e Godzilla Minus Zero
Em 2023, Toho lançou Godzilla Minus One, trazendo uma versão mais agressiva do monstro que retorna a destruir o Japão após a Segunda Guerra Mundial. A produção mostra Godzilla crescendo em agressividade conforme é exposto à radiação nuclear e interage com humanos.
O design desta versão se distancia das iterações mais recentes, com dorsalizações tradicionais, embora com rosto e corpo únicos. Apesar de menor que o Godzilla do MonsterVerse, sua ameaça continua alta, protagonizando também a sequência Godzilla Minus Zero, que mantém os poderes regenerativos do personagem.
Com informações de Screen Rant
