Super Troopers 3 estreia nos cinemas em 7 de agosto, trazendo de volta o grupo Broken Lizard 25 anos após a comédia original de culto. O primeiro filme, feito com menos de US$ 3 milhões, arrecadou cerca de US$ 23 milhões em bilheteria, conquistando ainda mais público com o lançamento em vídeo e streaming.
Essa trajetória reforça que críticas e números na abertura nem sempre definem quais comédias permanecem relevantes. No gênero policial, a química entre os protagonistas é fundamental. A trama pode ser previsível e os vilões pouco ameaçadores, desde que os policiais, que carregam a investigação, consigam arrancar risadas e prender a atenção.
Sucessos como Beverly Hills Cop, The Naked Gun, Rush Hour e Hot Fuzz ainda dominam o gênero. No entanto, outras comédias policiais criaram parcerias memoráveis ou inovaram na fórmula do “buddy movie”, mas acabaram esquecidas diante das franquias mais populares.
Listadas na ordem de lançamento, seguem 10 filmes de comédia policial que não receberam o reconhecimento que merecem.
Running Scared (1986)
Billy Crystal e Gregory Hines interpretam os detetives de Chicago Danny Costanzo e Ray Hughes, que planejam se aposentar em Key West, mas têm seus planos interrompidos ao enfrentar o traficante Julio Gonzales. Embora a trama policial traga ação ao filme, a verdadeira força está na dupla de parceiros cansados, que discutem enquanto sonham com uma vida mais tranquila.
A química entre Crystal e Hines reflete anos de convivência, com diálogos naturais que não parecem escritos apenas para piadas. Sob direção de Peter Hyams, o filme combina ação legítima, incluindo uma memorável perseguição sobre os trilhos elevados de Chicago. Com receita de US$ 38,5 milhões nos EUA, Running Scared não costuma ser lembrado entre as comédias policiais mais conhecidas daquele período.
Dragnet (1987)
Dan Aykroyd vive Joe Friday, um policial rígido e apegado às regras, que precisa trabalhar ao lado de Pep Streebek, interpretado por Tom Hanks, um parceiro muito mais descontraído. A dupla investiga inicialmente pequenos crimes que levam a uma organização chamada P.A.G.A.N., sugerindo uma ameaça maior do que o esperado.
Dragnet mantém respeito à série original, usando o estilo sério dos personagens como base para o humor. Aykroyd entrega seu papel com toda a formalidade, enquanto Hanks contrasta com uma atuação mais solta. O filme teve sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 57 milhões nos EUA, mas sua mistura de paródia e comédia de estúdio não o transformou em um clássico duradouro.
Dead Heat (1988)
Em Dead Heat, Joe Piscopo e Treat Williams interpretam os detetives Doug Bigelow e Roger Mortis, que investigam roubos cometidos por criminosos já mortos. Mortis acaba assassinado em um laboratório e é ressuscitado por uma tecnologia misteriosa, tendo pouco tempo para desvendar o próprio assassinato.
O enredo funciona como um trocadilho elaborado, tratado com orgulho pela produção. Williams equilibra a atuação do policial recém-ressuscitado, enquanto Piscopo traz energia típica da comédia policial. Os efeitos práticos de criatura ficam progressivamente mais grotescos com o avanço da trama. Apesar de não agradar totalmente aos fãs de horror ou ação tradicional, esse contraste torna o filme marcante.
The Hard Way (1991)
Michael J. Fox interpreta Nick Lang, uma estrela de filmes de ação que deseja provar seu talento em papéis dramáticos. Para isso, ele busca acompanhar o detetive John Moss, vivido por James Woods, que persegue um serial killer conhecido como Party Crasher. Moss não quer o ator por perto, mas a insistência e o entusiasmo de Nick se tornam inevitáveis.
A energia carismática de Fox torna seu personagem insuportável, enquanto Woods traz uma raiva genuína, formando uma relação divertida de opostos. O filme combina humor com cenas de ação com perigo real, evitando virar apenas uma sátira do gênero. Ainda assim, sua popularidade é menor do que as atuações principais justificam.
Blue Streak (1999)
Martin Lawrence estrela como Miles Logan, um ladrão de joias que esconde um diamante valioso em um prédio em construção antes de ser preso. Ao sair da prisão, descobre que o local foi transformado em uma delegacia e finge ser um policial para recuperar a pedra, surpreendendo ao se sair bem na função.
O roteiro permite que Lawrence brinque entre o pânico e a autoconfiança exagerada. Luke Wilson atua como o sincero detetive Carlson, que acredita que Miles é um oficial experiente designado para treiná-lo. Apesar das críticas negativas, o público reagiu bem à performance de Lawrence, tornando o filme um sucesso de bilheteria e um dos seus trabalhos mais reassistidos.
Super Troopers (2001)
No longa, os agentes estaduais de Vermont passam mais tempo inventando brincadeiras na estrada do que cuidando da segurança pública. A possível desativação do posto coloca-os em competição com a polícia local. Uma investigação sobre tráfico de drogas dá finalmente a chance de provar seu valor.
O grupo Broken Lizard já mostrava sua conexão natural na comédia, com um elenco que aparenta longa amizade e entrosamento. O roteiro é secundário diante do ritmo e comprometimento com o humor absurdo. As críticas foram mornas, mas a quantidade de frases e cenas citadas pelo público ajudaram Super Troopers a se tornar uma franquia que terá um terceiro filme.
Hollywood Homicide (2003)
Harrison Ford e Josh Hartnett interpretam os detetives Joe Gavilan e K.C. Calden da LAPD, que investigam o assassinato de um grupo de rap em ascensão. Os dois não estão totalmente focados no trabalho policial, já que Gavilan tenta salvar um negócio imobiliário e Calden dá aulas de yoga e sonha em ser ator.
O diretor Ron Shelton conduz o filme como se o caso principal fosse constantemente interrompido por problemas pessoais dos protagonistas. Ford se destaca ao atender ligações de negócios durante perseguições ou tentar fechar vendas enquanto está em perigo. Apesar do desempenho fraco nas bilheterias e das críticas negativas, o humor das distrações dos detetives torna o filme mais interessante do que é normalmente lembrado.
Starsky & Hutch (2004)
Ben Stiller e Owen Wilson reinterpretam a famosa dupla de detetives na história de seu primeiro caso juntos. Starsky é dedicado ao trabalho policial, enquanto Hutch trata as regras como sugestões opcionais. Eles investigam Reese Feldman, interpretado por Vince Vaughn, um traficante que desenvolveu uma nova droga.
O diretor Todd Phillips não respeita rigidamente o material original, gerando humor ao tornar Starsky desesperadamente sem estilo e deixando Hutch mais parecido com um criminoso do que muitos dos acusados. Snoop Dogg se destaca no papel de Huggy Bear, e Will Ferrell aparece em uma participação surpreendente. Embora tenha tido boa bilheteria, o filme raramente é citado entre as principais comédias de seus atores.
Reno 911!: Miami (2007)
No filme, o Departamento de Xerife de Reno viaja para a Flórida para uma convenção policial nacional. Após a incapacitação dos demais oficiais, a pior equipe da polícia de Reno assume a responsabilidade de proteger a cidade, revelando exatamente o nível esperado de competência.
O formato de mockumentary permite que Thomas Lennon, Kerri Kenney-Silver, Niecy Nash, Cedric Yarbrough e o restante do elenco transformem falhas policiais em improvisação livre. Embora tenha sido mal recebido pela crítica, o longa mantém o humor desconfortável da série e tem duração curta de 84 minutos, evitando que o caos se torne cansativo.
The Guard (2011)
Brendan Gleeson interpreta Gerry Boyle, um policial irlandês cujos métodos frustram o agente do FBI Wendell Everett, vivido por Don Cheadle. Os dois precisam trabalhar juntos para combater uma operação internacional de tráfico de drogas na pequena comunidade de Boyle. Everett espera cooperação e profissionalismo, que Boyle parece não querer oferecer.
O roteirista e diretor John Michael McDonagh usa a estrutura de buddy cop para criar uma comédia policial mais sombria. Gleeson mantém Boyle imprevisível, deixando tanto Everett quanto o público em dúvida se ele é incompetente, corrupto ou simplesmente mais atento do que demonstra. Apesar das boas críticas, The Guard não alcançou o público amplo que sua inteligente trama e os personagens fortes mereciam.
Esses filmes mostram que, mesmo longe dos grandes clássicos do gênero, a comédia policial pode render histórias marcantes e divertidas, muitas vezes subestimadas pela crítica e esquecidas pelo público.
Com informações de Screen Rant
