Dirigido por Hayao Miyazaki
Hayao Miyazaki cria um universo repleto de detalhes em Spirited Away, que parece existir antes mesmo da chegada de Chihiro. O complexo da casa de banhos é cheio de pequenas ações, com trabalhadores apressados pelos corredores apertados e espíritos transitando o tempo todo. O diretor evita explicações detalhadas, o que reforça a sensação de confusão da protagonista.
O filme também apresenta momentos pausados, como o silencioso trajeto no trem com No-Face, que pouco avança a trama, mas se destaca pela atmosfera. A evolução da personagem Chihiro é mostrada por suas atitudes, sem diálogos que anunciem mudanças.
The Dark Crystal (1982)
Dirigido por Jim Henson e Frank Oz
Jim Henson e Frank Oz optaram por um mundo totalmente habitado por fantoches, sem personagens humanos, em The Dark Crystal. Cada grupo, desde os pacíficos Mystics e Gelflings até os sinistros Skeksis, ganhou movimentos e maneiras distintas. Thra é apresentado como um local com diferentes culturas coexistindo, e não apenas uma coleção aleatória de criaturas.
A direção valoriza a manipulação dos fantoches, com câmeras que acompanham suas movimentações nos cenários detalhados, evitando cortar as cenas para esconder a técnica. O design de Brian Froud, a iluminação sombria e os gestos exagerados dos Skeksis conferem um tom de conto de fadas inquietante, diferenciando o filme de outras produções da época.
Beauty and the Beast (1991)
Dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise
Em Beauty and the Beast, Gary Trousdale e Kirk Wise usam o castelo da Fera para refletir as mudanças nos sentimentos de Belle. Inicialmente, os aposentos são grandes, escuros e ameaçadores, onde Belle parece pequena diante das paredes e escadarias. Quando eles dançam no salão principal, o mesmo espaço transmite uma sensação diferente: a câmera se afasta e circula, valorizando a grandiosidade sem fazer os personagens parecerem perdidos.
A cena do salão destaca a inovação tecnológica da Disney, com fundos gerados por computador que permitem movimentos de câmera fluidos acompanhando Belle e a Fera. O foco nas expressões deles mostra a transição da timidez para a conexão confortável entre ambos.
Coraline (2009)
Dirigido por Henry Selick
Henry Selick constrói o Outro Mundo de Coraline de maneira atraente antes de revelar seu lado assustador. A Outra Mãe prepara refeições enormes, o Outro Pai apresenta performances elaboradas, e o jardim tem a forma do rosto de Coraline. Essa versão do mundo é mais vibrante e divertida do que sua casa real, justificando suas visitas frequentes.
Com o avanço do filme, elementos perturbadores ganham destaque, como os olhos com botões e a postura controladora da Outra Mãe. A animação em stop-motion ressalta essas transformações, pois o mundo foi construído manualmente — desde as roupas em miniatura de Coraline até a comida e as casas. Esses detalhes dão uma aparência única que o CGI não conseguiria reproduzir, tornando a passagem do encantamento para o incômodo ainda mais crível.
The Princess Bride (1987)
Dirigido por Rob Reiner
Rob Reiner equilibra a tonalidade romântica e cômica em The Princess Bride ao permitir que cada momento de conto de fadas seja vivido com seriedade antes de subvertê-lo sutilmente. A reunião de Westley e Buttercup é carregada de emoção real, enquanto o personagem responde constantemente com “As you wish”. As lutas de espada mesclam técnica e humor, com diálogos sobre estilos de esgrima que não comprometem a leveza das cenas.
A escolha do elenco contribui para esse equilíbrio: Cary Elwes interpreta Westley com convicção que reforça suas falas engraçadas; Mandy Patinkin dá seriedade à busca por vingança de Inigo, e Andre the Giant oferece humor sem perder a suavidade de seu personagem. Esses elementos mantêm o filme coeso entre romance, aventura e comédia.
Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (2004)
Dirigido por Alfonso Cuarón
Alfonso Cuarón mudou a estética da franquia com Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, apresentando personagens mais vestidos com roupas comuns e um Hogwarts realista, sujo e gasto. O castelo parece uma verdadeira escola antiga, com alunos convivendo ali por gerações.
Cuarón também evidenciou a atmosfera sombria da trama: os Dementadores surgem pela primeira vez no Expresso de Hogwarts e reaparecem ao redor durante uma partida de Quadribol, quando o céu escurece repentinamente. Detalhes menores, como as roupas desgastadas de Remus Lupin, os movimentos peculiares da Árvore Trovejante e a marcha estranha do hipogrifo Bicuço, adicionam personalidade entre sequências maiores. Esses recursos ajudam Prisoner of Azkaban a se manter como um dos filmes mais sólidos da série, com estilo visual próprio até hoje.
Who Framed Roger Rabbit (1988)
Dirigido por Robert Zemeckis
Robert Zemeckis conseguiu integrar animação com ação live-action de forma surpreendente em Who Framed Roger Rabbit. Roger interage fisicamente com objetos reais, divide cenas com Bob Hoskins, projeta sombras e circula pelos mesmos espaços dos atores humanos. As tomadas acompanham os movimentos do personagem animado, evitando que ele pareça colado às cenas reais. A perseguição em Toontown demonstra o cuidado necessário para a sintonia entre os dois estilos.
O diretor também controla bem o tom do filme, que varia de piadas cartunescas para uma narrativa noir e cenas verdadeiramente sombrias com a aparição do Juiz Doom. Essa combinação única tornou o filme um clássico.
Pan’s Labyrinth (2006)
Dirigido por Guillermo del Toro
Guillermo del Toro contrapõe fantasia e realidade em Pan’s Labyrinth. Ofelia escapa da violência na casa do Capitão Vidal ao explorar o labirinto, que traz outro tipo de ameaça. Ambos os mundos são tratados com igual importância para que a fantasia não pareça um mero refúgio.
A direção se destaca nas cenas com criaturas, como o fauno que aparece lentamente pelas sombras e o Homem Pálido, imóvel até tornar-se uma ameaça. O uso de efeitos práticos dá corpo físico aos seres fantásticos, intensificando o impacto das cenas e ajudando o filme a se firmar como um clássico do gênero.
The Seventh Seal (1957)
Dirigido por Ingmar Bergman
Ingmar Bergman inicia The Seventh Seal com uma das cenas mais memoráveis do cinema de fantasia: um cavaleiro medieval jogando xadrez com a Morte. A fotografia em preto e branco destaca o rosto pálido e a capa escura da Morte contra a paisagem desolada, e o diretor mantém a cena com um tom sério.
A abordagem humanista também aparece nos personagens: Jöns é cínico e direto, enquanto Jof e Mia trazem calor e humor contrastando com a busca existencial de Antonius Block. As imagens simbólicas ligadas aos medos das personagens mantêm a força do filme mesmo mais de seis décadas após seu lançamento.
The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2001)
Dirigido por Peter Jackson
Peter Jackson constrói a vastidão da Terra-média em The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring sem deixá-la vazia. O Condado transmite acolhimento e parece habitado, enquanto a paisagem se transforma após a partida de Frodo. Os trajes, construções, idiomas, armas e as ruínas de Moria reforçam o senso de uma história profunda por trás do cenário.
Jackson também se destaca em cenas mais intimistas, como o Conselho de Elrond, onde os close-ups capturam as reações dos personagens durante debates sobre o destino do Anel. A preparação para a luta de Gandalf contra o Balrog une momentos de personagens e grandes cenas, motivos que fazem o filme continuar sendo considerado um clássico da fantasia.
Esses dez filmes destacam a habilidade de seus diretores em criar mundos fantásticos verossímeis e ricos em detalhes, conquistando o reconhecimento como clássicos do cinema de fantasia.
Com informações de Screen Rant
Imagem: Divulgação
