Alan Dean Foster é um nome fundamental para fãs de ficção científica, conhecido tanto pela produção literária quanto por suas novelizações de clássicos do cinema. Embora tenha trabalhado próximo a Hollywood durante cerca de cinco décadas, o autor optou por se dedicar principalmente à escrita de livros em vez de roteiros. O motivo para essa decisão foi exposto em uma entrevista de 1978 à revista “Starlog”.
Experiência em Hollywood e a colaboração em Star Trek
Foster ingressou no universo cinematográfico com o filme “Star Trek: O Filme” (1979), em que recebeu o crédito de “story by”, enquanto o roteirista principal foi Harold Livingston. Antes disso, ele já era conhecido por seus livros ligados à franquia “Star Trek”. O sucesso de suas obras levou Gene Roddenberry e os produtores da série a convidá-lo para apresentar uma história que inspirou o longa. No entanto, o autor demonstrou certa desconfiança em relação ao processo hollywoodiano, mencionando que diversas pessoas contribuíram no roteiro, o que poderia distanciar o filme de sua ideia original.
Ele afirmou na época: “Várias outras pessoas – principalmente produtores associados – trabalharam no roteiro, então não tenho muitas esperanças de que meu tratamento seja fielmente transferido para a tela. Espero que o suficiente sobreviva para ser reconhecível. Quem sabe, talvez decidam fazer tudo como um faroeste na semana que vem.”
Foster ainda ressalvou que, para muitos no cinema, a ficção científica se resume a elementos estereotipados, como “baratas gigantes”, o que refletia sua visão crítica da indústria da época e ajuda a compreender sua preferência pela literatura.
Críticas ao modelo de trabalho em Hollywood
Além de estrear na tela grande com “Star Trek”, Foster escreveu novelizações de grandes filmes de ficção científica, como “Alien”, “O Enigma de Outro Mundo” e o “Star Wars” original, ampliando o universo dessas franquias em suas obras. No entanto, ele destacou que, mesmo trabalhando com histórias já estabelecidas, a escrita para o cinema impõe restrições e um tipo de vigilância maior do que a literatura permite.
Na mesma entrevista, Foster definiu a rotina de roteirista em Hollywood de forma direta: “Eles pagam quantias ridículas por uma escrita ridiculamente simples. E você teria mais facilidade para vender um romance que escreveu em espanhol para uma editora espanhola do que para ingressar no mercado hollywoodiano.”
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Ele ainda comentou que o sucesso em Hollywood exige um sacrifício da individualidade e que a indústria é composta por um ambiente muito restrito, onde os profissionais buscam fama ou status, esquecendo que, ao final, todos terão destinos iguais.
Carreira focada na literatura e contribuições para franquias
Apesar da experiência com Hollywood ter ocorrido décadas atrás, Foster continuou trabalhando majoritariamente com livros. Entre suas contribuições mais recentes estão a novelização de “Star Wars: O Despertar da Força”, que precisou eliminar sugestões de romance entre os personagens Finn e Rey, além de obras dentro das franquias “Transformers” e “Exterminador do Futuro” nos anos 2000 e 2010. Essa trajetória demonstra sua influência contínua em grandes produções, mas mantendo a escrita literária como seu principal foco.
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Com informações de SlashFilm
