“A Talent for Murder”, dirigido por Anton Corbijn, fez sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2026. O longa traz Helen Mirren no papel da autora excêntrica Patricia Highsmith, que vive isolada na Suíça, e Alden Ehrenreich como Edward Ridgeway, um consultor editorial enviado para persuadi-la a escrever o último livro da série Tom Ripley. A produção aposta em uma narrativa de thriller de câmara, focada em um espaço único onde as decisões dos personagens ganham maior relevância.

Atmosfera tensa, mas falta o elemento essencial do thriller de câmara
A produção, adaptada da peça teatral “Switzerland”, de Joanna Murray-Smith, consegue estabelecer um clima intimista e uma troca intensa entre os protagonistas, elementos característicos do gênero. No entanto, o ritmo lento e pouca evolução na tensão comprometem a experiência para quem espera um thriller mais empolgante. A trama principal se ramifica em uma história dentro da história, onde o enredo do livro de Ripley se manifesta na tela, com Ehrenreich no papel principal. Essa parte, contudo, perde impacto por ser uma criação fictícia dentro do próprio filme, o que reduz o senso de perigo real.
Algumas cenas iniciais criam uma leve tensão envolvendo uma possível comida envenenada, um corte misterioso e o desaparecimento de um americano, mas o suspense não se sustenta. Apesar de a trilha sonora indicar uma narrativa mais sombria, o desenrolar entre os personagens principais permanece superficial, com muita conversa sobre assassinato e planos, mas poucas ações convincentes. Assim, o filme falha em entregar o que se espera de um thriller tradicional dentro de uma ambientação restrita.
Enredo torna-se mais intrigante e cerebral no desfecho

No ato final, “A Talent for Murder” ganha força ao explorar as relações entre Highsmith, sua própria persona e seu personagem mais conhecido, Ripley. Essa abordagem revela camadas de antagonismo e dor psicológica, trazendo energia à narrativa, ainda que mais intelectual e menos visceral. O personagem de Ehrenreich também passa por transformação, aproximando-se da ideia de adotar uma nova identidade, tema associado ao personagem Ripley e à reinvenção pessoal.
Embora o percurso do personagem Ridgeway tenha menos destaque, os dois juntos levam o público a refletir sobre o limiar entre ficção e realidade, estimulando um engajamento mental com a obra. De certa forma, o filme lembra produções como “Memento” ou “Enemy”, que também desafiam a percepção do que realmente acontece na tela.
“A Talent for Murder” está previsto para estrear nos cinemas dos Estados Unidos em 23 de outubro de 2026.
Imagem: Divulgação

Elenco principal:
- Helen Mirren como Patricia Highsmith
- Olivia Cooke como Clementine Balfour
- Alden Ehrenreich como Edward Ridgeway
Ficha técnica:
- Direção: Anton Corbijn
- Roteiro: Joanna Murray-Smith (adaptado da peça “Switzerland”)
- Produtores: Andrea Occhipinti, Andrew Mason, Gabrielle Tana, Jim Robison, Karl Spoerri, Kurt Martin, Luke Randolph, Troy Lum
- Gêneros: Drama, Crime, Thriller
O filme foi avaliado com nota 6/10, ressaltando a boa proposta, mas apontando falhas essenciais para um thriller mais envolvente e dinâmico.
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Com informações de Screen Rant
