A LAIKA reforça o compromisso com a criatividade humana em sua mais recente produção, Wildwood. Sob direção do CEO Travis Knight e roteiro de Chris Butler, o longa stop-motion apresenta a história da jovem Prue McKeel (voz de Peyton Elizabeth Lee), que embarca em uma aventura para resgatar seu irmãozinho sequestrado por corvos e levado para uma floresta misteriosa. O filme combina elementos fantásticos, personagens falantes e figuras mágicas, resultado do trabalho dedicado de centenas de artistas.
O projeto reflete também a evolução da narrativa cinematográfica da LAIKA, que dobrou o número de cenas em comparação com Missing Link (2019). O estúdio aproveita sempre as experiências de filmes anteriores para aprimorar técnicas e aprofundar a expressividade dos personagens. O trailer final, divulgado recentemente, destaca não só a qualidade visual, mas também a representatividade emocional dos protagonistas.
No final de julho, a LAIKA recebeu imprensa em seu estúdio próximo a Portland, Oregon, oportunizando um olhar interno sobre a produção de Wildwood. Percorrer suas instalações foi como começar em um cenário urbano até penetrar na floresta encantada, com maquetes e protótipos detalhados que demonstram o cuidado extremo em cada etapa.
A construção de personagens comuns em um mundo extraordinário
A figurinista Deborah Cook explicou seu trabalho na criação dos trajes, iniciando com a aparência cotidiana da protagonista Prue e seu amigo Curtis. Conforme mostrado no material dos bastidores, o longa tem início em um cenário familiar, visto pelos olhos da jovem porém madura Prue.
Cook descreveu a personagem de 13 anos como “descolada, confiante e um pouco convencida”, características que se refletem em suas roupas, principalmente seu casaco azul icônico, permanecendo constante apesar das mudanças na trama. Ela destaca que, enquanto o aspecto de Prue se mantém firme, o visual de Curtis apresenta variações ao longo da história.
Para criar visuais fantásticos de personagens como Alexandra e outros habitantes da floresta, a equipe se inspirou nas ilustrações da autora Carson Ellis, cujos desenhos valorizam gestos e marcas elegantes, com elementos como folhas que se traduziram em tatuagens na pele dos personagens.
Detalhes minuciosos também foram cuidados, como as peças de tricô usadas inicialmente por Mac, irmão da protagonista. Essa roupa carrega um significado especial, simbolizando a proteção e identidade familiar cuja ausência é sentida quando o bebê é capturado.
Na parte técnica, trajes como a capa de chuva de Curtis foram produzidos por sublimação por calor para garantir versões idênticas em diversos bonecos. Para os animais, a equipe optou por não reproduzir pelos, focando em elementos naturais e na influência estética da personagem Alexandra.
Fundamentos da animação e inovação técnica
Oliver Jones, diretor de efeitos práticos, detalhou o processo da marionete central, exemplificado pelo personagem Curtis. A criação começa com um maquete tridimensional que define o formato, tamanho e volumes, informações essenciais para os artistas. O boneco final recebe uma armadura interna, similar a um esqueleto, feita de esferas, encaixes e parafusos, que possibilita aos animadores transmitir emoções.
Jones explica que esse sistema de armadura mudou pouco desde os tempos de King Kong, porém o estúdio aprimorou as técnicas para garantir performances realistas. O método de filmagem é feito “em uns”, ou seja, cada quadro é capturado individualmente, entregando movimentos mais fluídos.
A inovação mais recente, batizada de jetpack, permite aos animadores fazer pequenos ajustes invisíveis ao olho nu, como a respiração da personagem Alexandra, cujo peito se move de forma sutil. Em Missing Link, apenas três personagens tinham esse nível de detalhamento, enquanto em Wildwood 90% dos personagens recebem essa atenção.
Entrevistas com os criadores de Wildwood
Chris Butler, roteirista de Wildwood, relembrou a decisão de Travis Knight de adaptar o livro original. Butler buscou entender o que diferencia essa obra de outros clássicos em que crianças adentram mundos fantásticos, como Alice no País das Maravilhas ou O Mágico de Oz. A intenção da equipe era adotar uma abordagem que brincasse com os elementos do gênero, mas de forma mais ousada e subversiva.
Iniciado logo após o trabalho em Paranorman, Butler reconheceu os desafios da adaptação. Para captar a essência da obra, conversou com o autor Colin Meloy e com Travis Knight, sempre buscando respeitar o material original. O roteirista ressaltou que teve que fazer ajustes para transformar a narrativa em uma produção cinematográfica de duas horas, especialmente em sequências de ação e voo, criadas para o formato audiovisual.
Apesar das dificuldades inerentes à técnica stop-motion, Butler afirmou que o diretor Travis Knight sempre orienta para não deixar o meio influenciar a escrita: mesmo com cenas complexas, buscam maneiras de superá-las.
Brad Schiff, responsável pela animação, destacou que o filme possui 2.900 cenas, um aumento significativo em relação às 1.800 de Missing Link. Ele relatou a complexidade de organizar tantas cenas curtas, muitas delas sem começo, meio e fim claros, o que exigiu dos animadores um trabalho focado em conexões rápidas que conferem ao filme um ritmo ágil e dinâmico.
Imagem: LAIKA
Nelson Lowry, designer de produção, compartilhou a emoção de ver o projeto ganhar forma após seis anos de trabalho intenso. Para ele, Wildwood foi a experiência mais positiva em sua carreira, com orgulho e confiança incomuns ao acompanhar o resultado do trabalho.
Os atores Peyton Elizabeth Lee e Jacob Tremblay, que deram voz aos protagonistas Prue e Curtis, também expressaram entusiasmo com a produção. Tremblay comentou seu espanto ao visitar o estúdio, impressionado com o tamanho dos cenários. Lee revelou que começou a gravar em 2021, sem ter acesso ao conceito visual, e que a equipe de animação foi influenciada pelo modo como ela e Tremblay se expressavam durante as sessões.
Brian McLean, chefe de prototipagem rápida, explicou que os animadores contam com diversas referências, incluindo desenhos técnicos, gravações faciais e vídeos de atuação ao vivo para desenvolver interpretações emocionais precisas dos personagens.
Apesar de o estúdio não ter oficializado nenhuma sequência, Tremblay e Lee manifestaram interesse em revisitar o universo de Wildwood futuramente, imaginando um possível retorno da trama anos depois.
Wildwood chega aos cinemas em 23 de outubro de 2026, e os ingressos já estão disponíveis para compra.
Wildwood
Classificação: PG-13
Gênero: Animação, Família, Fantasia, Terror, Aventura
Duração: 132 minutos
Direção: Travis Knight
Elenco
-
Peyton Elizabeth Lee – voz de Prue McKeel
-
Jacob Tremblay – voz de Curtis Mehlberg
-
Carey Mulligan – voz de Alexandra
-
Mahershala Ali – voz de Brenden
Roteiristas: Chris Butler, Carson Ellis, Colin Meloy
Produtores: Travis Knight, Arianne Sutner, Samuel Wilson
Veja também
- Wildwood: Estúdio LAIKA destaca a criatividade humana na animação em stop-motion
- Wildwood é o primeiro filme da Laika com classificação PG-13 e tem duração recorde de 140 minutos
- Laika retorna em 2026 com Wildwood, animação de fantasia que promete ser destaque do ano
Com informações de ScreenRant





