Após oito anos sem atuarem juntos, o casal na vida real Javier Bardem e Penélope Cruz retoma a parceria nas telas com o thriller psicológico Bunker. O filme, exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) 2026, discute desigualdade social, individualismo e tensões conjugais por meio da história de um casamento desgastado.
Bunker acompanha Sofia (Penélope Cruz), agente literária, e Miguel (Javier Bardem), arquiteto, que estão casados há 17 anos e moram em Londres após deixarem Madrid há cinco anos. Externamente, o relacionamento parece harmonioso, mas a distância entre eles aumenta com o tempo. A trama se intensifica quando um bilionário do mercado tecnológico (Paul Dano) propõe a Miguel a construção de um bunker para proteger um grupo seleto de pessoas muito ricas em caso de apocalipse. A oferta gera conflitos entre o casal, agravados por um vizinho invasivo (Stephen Graham) e a chegada de um jovem escritor atraente (Patrick Schwarzenegger).
Reflexão sobre medo do futuro e individualismo

Nos últimos anos, surgiram reportagens sobre bilionários investindo em abrigos subterrâneos privados para se protegerem de catástrofes globais, como guerras nucleares e desastres climáticos. Em vez de explorar a paranoia coletiva em nível global, Florian Zeller, diretor do filme, opta por um olhar mais íntimo, focado em como a oferta do bilionário aprofunda os problemas já existentes na família retratada.
A contradição central da história é um bilionário que acumulou fortuna conectando pessoas digitalmente e, agora, deseja se isolar em um bunker com outros privilegiados. Conforme a narrativa avança, torna-se claro que esse personagem está plenamente consciente desse paradoxo, mas permanece determinado.
O filme também aborda a aversão dos mais ricos em relação aos mais pobres (aporofobia). Paul Dano interpreta um bilionário temeroso de que os menos favorecidos possam invadir seu espaço, enquanto Javier Bardem vive Miguel, que compartilha só que em menor escala. Seu vizinho (Stephen Graham) derruba parte da parede externa para ampliar seu estúdio com luz natural e Miguel investe fortemente em sistemas de segurança domésticos elaborados, refletindo sua paranoia.
Bunker destaca o aumento do individualismo contemporâneo ao mostrar personagens que se fecham em seus próprios mundos e se afastam da solidariedade coletiva.
Foco no personagem masculino e dilemas pessoais
Sofia, personagem de Penélope Cruz, questiona as mudanças no marido, mas suas preocupações são apresentadas de forma menos convincente. As ações de Miguel são retratadas como reações sensatas, como a insatisfação com a invasão de privacidade do vizinho e a oferta financeira do bilionário.
O roteiro privilegia o desenvolvimento de Miguel, deixando de explorar profundamente o relacionamento do casal nesse momento de crises e medos futuros. A química entre Cruz e Bardem é evidente, mas a personagem Sofia recebe menos desenvolvimento, e sua interação com o jovem escritor (Patrick Schwarzenegger) parece pouco explorada.
Bardem entrega uma performance sólida, conferindo ao personagem a racionalidade e humanidade necessárias para demonstrar como até pessoas sensatas podem sucumbir ao medo e à aporofobia.
Imagem: Divulgação
A narrativa ganha intensidade no terceiro ato, embora seu desfecho perca impacto ao ocorrer fora das telas, o que enfraquece o clímax dramático do filme.
Florian Zeller é claro em sua crítica social sobre desigualdade, ameaças ecológicas e os efeitos negativos do individualismo crescente. Embora não apresente ideias inéditas, o diretor consegue fazer o público refletir sobre a importância de ampliar as relações humanas ao invés de construir barreiras.
Bunker foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2026.

Nota: 7/10
Informações do filme
- Gênero: Thriller, Drama
- Data de lançamento: 19 de fevereiro de 2027
- Duração: 126 minutos
- Direção e roteiro: Florian Zeller
- Produção: Alice Dawson, Federica Sainte-Rose, Fernando Bovaira, Florian Zeller, Simón de Santiago
Elenco principal
Javier Bardem como Miguel
Penélope Cruz como Sofia
O filme reforça a tensão existente entre medos contemporâneos e as reações individuais diante de um futuro incerto.
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Com informações de Screen Rant
