Star Trek: Strange New Worlds gerou críticas por apostar em episódios com conceitos ousados demais na quarta temporada, especialmente pela falta de equilíbrio entre eles. Dos nove capítulos exibidos até o momento, três trazem narrativas tradicionais típicas da franquia, enquanto seis se configuram como homenagens ou paródias de gêneros distintos.
Para fãs que preferem a abordagem clássica de “Star Trek”, o penúltimo episódio da temporada, intitulado “Once La’an A Time”, pode não agradar. O capítulo serve como uma continuação direta de um dos episódios mais controversos da primeira temporada, “The Elysian Kingdom”, no qual uma consciência alienígena transforma a tripulação da nave Enterprise em personagens de conto de fadas. Naquele episódio, os atores interpretaram versões alternativas de seus personagens, com o Capitão Pike (Anson Mount) virando Sir Rothe, um covarde, e Uhura (Celia Rose Gooding) assumindo o papel da malvada Rainha Neve, entre outras mudanças.
Star Trek: Strange New Worlds retorna ao “The Elysian Kingdom”
A abertura de “Once La’an A Time” traz um resumo com cenas de “The Elysian Kingdom”, revelando que a história do conto de fadas não terminou. A nave Enterprise se depara com um mundo fino e em forma de disco viajando pelo espaço, possivelmente uma referência a “Discworld”, a série de fantasia de Terry Pratchett.
Ao pousar nesse planeta e avistar um castelo de livro infantil, a equipe terrestre se surpreende ao encontrar um doppelgänger do Dr. M’Benga (Babs Olusanmokun). No final da primeira visita a esse mundo em “The Elysian Kingdom”, a memória da tripulação havia sido apagada, exceto a do Dr. M’Benga, que agora precisa atualizar os demais sobre os eventos ocorridos.
Naquele episódio, uma entidade chamada “Boltzmann Brain” se comunicava com a filha de M’Benga, Rukiya (Sage Arrindell), e transformou a Enterprise segundo seu livro preferido. Rukiya, que estava com uma doença terminal, foi mantida em forma desmaterializada no buffer do transportador da nave para retardar os efeitos do mal. A entidade, nomeada “Debra” em homenagem à mãe de Rukiya, curou sua doença, mas Rukiya teve que permanecer ao lado da Boltzmann Brain. A história emocional culminou com M’Benga aceitando a partida da filha, encerrando o enredo de maneira inesperada.
Diferentemente de “The Elysian Kingdom”, quando a tripulação foi transformada em personagens de fantasia, neste novo capítulo as figuras fantásticas coexistem com as pessoas reais. Por exemplo, enquanto Pike e Spock (Ethan Peck) são capturados pela Rainha Neve, as contrapartes de Sir Rothe e o mágico maligno Pollux, versão alternativa de Spock, invadem a Enterprise se passando por Pike e Spock. O encontro entre as versões reais e fantásticas de cada personagem é fundamental para a solução da trama.
“Once La’an A Time” conclui arco dramático da personagem La’an Noonien Singh
Enquanto “The Elysian Kingdom” focava no Dr. M’Benga, o episódio atual concentra-se na oficial de segurança La’an Noonien-Singh (Christina Chong), personagem que enfrenta um arco de desenvolvimento importante. Sua versão de fantasia é a Princesa Thalia, uma figura tipicamente feminina, oposta à real La’an, uma oficial endurecida e reservada emocionalmente. Ao descobrir sua contraparte como princesa, La’an fica surpresa, mas o encontro com Thalia muda sua visão.
Imagem: Divulgação
Descendente do infame ditador geneticamente modificado Khan Noonien Singh, La’an possui sangue “augmented” que aumenta sua força e agressividade. Ao longo da temporada, ela tem dificuldade em controlar esses impulsos. No episódio, ela viaja acompanhada de Prince Dashing, amado de Thalia, que apresenta o rosto de James T. Kirk (Paul Wesley) e um segredo sombrio: é um lobisomem.
A Rainha Neve une La’an e Thalia para completar um feitiço que exige a união “da luz e da sombra”. O feitiço troca suas personalidades, trazendo para La’an a sensibilidade de Thalia e para a princesa a fúria de La’an. As duas enfrentam-se, mas acabam reconhecendo que são polos opostos de um mesmo ser.
Ao término de “Once La’an A Time”, a oficial confronta traumas reprimidos, atinge equilíbrio emocional e supera o constrangimento diante de suas emoções mais alegres. Ao contrário do esperado por alguns, seu percurso não termina em um sacrifício trágico, mas possivelmente em um desfecho mais otimista.
Star Trek: Strange New Worlds está disponível para streaming no Paramount+.
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Com informações de SlashFilm
