O episódio mais recente de Star Trek: Strange New Worlds, intitulado “Once La’an a Time”, funciona como uma continuação direta de “The Elysian Kingdom”, exibido na primeira temporada. Na trama anterior, uma consciência psíquica presente em uma nebulosa conectou-se com a mente de uma garota, recriando seus personagens de fantasia favoritos na USS Enterprise, usando a tripulação como marionetes. A novidade propõe a visão dos atores em papéis incomuns, vestidos com trajes medievais típicos de festas renascentistas. Já no episódio atual, descobre-se que o “Reino Elísio” também existe como um pequeno disco terrestre flutuando no espaço, mantendo vivos todos os personagens, interpretados pelos mesmos atores.
O drama principal está centrado em La’an (Christina Chong), que enfrenta uma profunda turbulência emocional. Ela tem a oportunidade de encontrar sua versão idealizada nos contos de fantasia — uma princesa delicada, contrária à própria natureza forte e combativa de La’an.
Magia ou tecnologia avançada?
Ao descerem até o Reino Elísio, a tripulação da Enterprise se surpreende com a aparente existência de magia. Feiticeiros lançam feitiços e bruxas realizam feitos que ultrapassam a tecnologia habitual da franquia. Quando Pike (Anson Mount) comenta sobre isso, Spock (Ethan Peck) repete a frase famosa do escritor de ficção científica Arthur C. Clarke: “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”. Para Spock, o fenômeno mágico pode ser, na verdade, uma forma de tecnologia extremamente avançada ainda incompreendida.
Logo em seguida, Pelia (Carol Kane) reconhece a citação e, em uma brincadeira, afirma ter conhecido Clarke pessoalmente e ter sido consultora não creditada do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, co-escrito pelo autor.
Pelia, uma personagem milenar com história única
Pelia pertence à espécie Lanthanite, que pode viver por milhares de anos. Ao longo da série, ela menciona ter vivido em épocas remotas, incluindo o século 28 a.C., o que a colocaria com aproximadamente 5 mil anos de idade. Sua existência inclui episódios variados, como testemunhar a primeira hibridização do limão na Terra, conviver com o ator Cary Grant e trabalhar como roadie da banda Grateful Dead. Em referência aos fãs de Doctor Who, Pelia também afirmou ter passado parte da vida com um misterioso doutor viajante do tempo.
No episódio “Once La’an a Time”, Pelia comenta que atuou na consultoria de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, mencionando Clarke e o diretor Stanley Kubrick. Ela não esclarece se participou do roteiro do filme de 1968 ou do romance publicado pouco depois, ambos frutos da parceria entre os dois criadores. Enquanto Kubrick dirigiu o filme, Clarke recebeu a autoria única do livro, que se baseia em versões iniciais do roteiro, contando a história de forma dramatizada.
Sendo uma alienígena milenar, Pelia teria conhecimento sobre viagens espaciais muito mais avançado do que Clarke ou Kubrick, que eram figuras do século 20 na Terra. A personagem traz um toque humorístico à precisão científica celebrada da obra clássica.
Imagem: Jan Thijs
Origem e significado da frase de Arthur C. Clarke
A frase “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia” não foi criada para 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas faz parte das três famosas leis de Arthur C. Clarke, publicadas inicialmente em seu livro de 1962, Profiles of the Future: An Enquiry into the Limits of the Possible. Clarke buscava expandir o alcance da ciência, argumentando que o desconhecido não é impossível, apenas algo que ainda não compreendemos.
Suas três leis são:
- Primeira lei: “Quando um cientista eminente e idoso diz que algo é possível, ele provavelmente está certo. Quando afirma que algo é impossível, provavelmente está errado.” Isso sugere que ceticismos podem surgir com a idade.
- Segunda lei: “A única maneira de descobrir os limites do possível é avançar um pouco além deles, no impossível.” Clarke incentiva imaginar além do que é conhecido, para transformar fantasia em realidade.
- Terceira lei: “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia.” Caso uma espécie alienígena superavançada visitasse a Terra, sua tecnologia pareceria mágica para humanos primitivos.
Esta última lei é frequentemente referenciada em entretenimento de ficção científica e fantasia, como em filmes e séries diversas.
A quarta temporada de Star Trek: Strange New Worlds ressalta essa citação clássica em sua narrativa, mesclando magia e tecnologia de forma característica da franquia.
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Com informações de SlashFilm
