O filme “Unabomber”, dirigido por Janus Metz Pedersen, estreou na Netflix no dia 25 de setembro de 2026, trazendo uma trama crítica sobre a origem de Ted Kaczynski, o matemático que se tornou o Unabomber, responsável por enviar bombas pelo correio e causar a morte de três pessoas e ferir dezenas de outras. Apesar das atuações convincentes e da estética estilizada, o longa perde força ao alternar entre duas linhas temporais distintas.
Foco na juventude de Ted Kaczynski é o ponto alto do filme

O roteiro acompanha Ted Kaczynski como um jovem brilhante e perturbado, interpretado pelo ator Jacob Tremblay, durante seus dias em Harvard no final dos anos 1950. A trama explora o desenvolvimento do personagem até a construção do seu perfil como futuro criminoso. Nesta fase, ele tem contato com o professor de psicologia Henry Murray, vivido por Russell Crowe, e sua parceira acadêmica Christiana Morgan, papel de Annabelle Wallis. Murray, que secretamente colaborava com a CIA em experimentos controversos, representa uma influência obscura na trajetória do jovem Ted.
Os experimentos, baseados em métodos reais e posteriormente criticados por questões éticas, são sugeridos como um catalisador para a transformação de Kaczynski em terrorista, apesar de o próprio negar essa relação. A abordagem do filme é mais focada em construir uma narrativa envolvente do que afirmar uma ligação factual definitiva.
História paralela sobre a caçada do FBI enfraquece o ritmo do longa

A outra linha narrativa mostra a década de 1990, quando a agente do FBI Joanne Miller, interpretada por Shailene Woodley, tenta capturar Kaczynski antes que ele cometa um novo atentado. Essa parte da história é considerada menos original, com uma abordagem comum de thriller policial, em que Miller é a personagem habilidosa enfrentando erros de seus colegas. A trama se torna menos envolvente sempre que retorna ao ponto de vista da agente, prejudicando o andamento do filme.
Apesar desses momentos, a produção inclui detalhes importantes, como a participação do irmão de Kaczynski na sua prisão, mesmo que esses aspectos sejam tratados de forma secundária e pouco verossímil, com cenas que parecem retiradas de séries policiais genéricas.
Atuações e atmosfera contribuem para o resultado final do filme
O roteiro, assinado por Sam Chalsen e Nelson Greaves, não aprofunda tanto a psicologia de Kaczynski, limitando-se a mostrar sua raiva crescente. Ainda assim, cenas que demonstram o crescimento da convicção do jovem na sua ideologia ajudam a superar a superficialidade do texto, assim como a ambientação sombria, caracterizada pelo clima de “dark academia” durante os encontros entre Ted e Murray.
Imagem: Divulgação
“Unabomber” é considerado mais elaborado do que muitos demais lançamentos originais da Netflix. Um dos pontos de destaque é a reviravolta do final, inesperada para o público, que traz um desfecho satisfatório sem que o filme se torne uma obra de prestígio. A força das atuações é o que mantém o longa entre os recomendados, mesmo com suas falhas.
Avaliação: 6 de 10
“Unabomber” está disponível para streaming na Netflix desde 25 de setembro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
