Primetime é um filme que dramatiza a história de Chris Hansen e seu programa de TV “To Catch a Predator”, que se tornou um fenômeno cultural no início dos anos 2000. Produzido pelo “Dateline”, o programa usava iscas para atrair adultos suspeitos de pedofilia, que eram então confrontados por Hansen e presos pela polícia local ao deixarem o local.
Embora o longa tenha cenas ficcionais, ele se baseia em fatos reais, especialmente num episódio que contribuiu para o encerramento da série. Robert Pattinson interpreta um Chris Hansen obsessivo por audiência, disposto a ultrapassar questões morais para manter o sucesso do programa. A produtora Andie, personagem de Merritt Wever, o acompanha nessa busca por audiência, inclusive na tentativa de superar a popularidade da série “Lost”.
Outros personagens e a trama principal do filme
Além de Hansen, a história acompanha Dan Plumb (Skyler Gisondo), um ator contratado para fazer o papel de isca no programa. Inicialmente inexperiente, ele se destaca após uma conversa motivadora com Hansen, mas começa a questionar sua participação no projeto.
O filme também apresenta Xavier Von Erck (Matthew Maher), fundador da Perverted-Justice, organização parceira de “To Catch a Predator” para atrair suspeitos. Durante as buscas por alvos, Xavier identifica um homem do Texas que pode ser uma figura poderosa, talvez um agente da CIA ou político. Hansen vê nisso uma chance única para aumentar o alcance do programa.
Com sua vida pessoal em crise, devido a revelações sobre suas infidelidades, Hansen convence Xavier e Dan a atrair essa pessoa conhecida como “a baleia”.
O desfecho chocante do filme Primetime
A baleia é revelada como um promotor do Texas, interpretado por Alex Winter. A equipe de Hansen se reúne no estado para cercar a casa do promotor, enquanto Dan participa da armadilha, mas cada vez mais desconfortável com a situação.
No momento em que a polícia e a equipe do programa invadem a residência, o suspeito se suicida. Essa cena intensa abala Hansen, que é visto no filme murmurando na frente da casa após as câmeras serem desligadas, numa imagem que remete ao personagem de Cillian Murphy em Oppenheimer.
Depois, há um epílogo mostrando Dan recebendo sua carteira da associação de atores (SAG) pelo trabalho feito na série, mas com uma expressão claramente reflexiva e dividida.
O suicídio real que inspirou o filme
O suicídio do promotor foi um fato real: Bill Conradt, promotor assistente do condado de Rockwall, Texas, tirou a própria vida quando a polícia e a equipe de “To Catch a Predator” tentavam prendê-lo em flagrante. O filme cria uma ambientação mais dramática, ambientando o evento à noite durante uma tempestade, enquanto o ocorrido de verdade aconteceu durante o dia, pela manhã.
Imagem: Divulgação
Embora o suicídio tenha sido alvo de críticas e processos, o programa “To Catch a Predator” continuou no ar por alguns anos depois do incidente. Hansen afirmou que jamais teve arrependimentos ou dúvidas sobre o trabalho, afirmando que as investigações continuaram normalmente.
Contudo, o evento gerou repercussões negativas. Hansen e a equipe foram criticados por organizações de jornalistas, e a irmã de Conradt processou a NBC, emissora do programa. Um juiz determinou que o programa ultrapassou os limites do jornalismo responsável, tornando-se uma invasão imprudente às funções policiais. Apesar disso, não houve condenação formal e a NBC chegou a um acordo financeiro não divulgado com a família.
Questionamentos sobre o limite entre jornalismo e entretenimento
A exemplo do documentário “Predators”, o filme “Primetime” levanta questões sobre o formato e a ética de “To Catch a Predator”. A obra não tenta defender os suspeitos, mas sim revela a transformação de um tema grave como crimes sexuais em entretenimento televisivo. Hansen, que virou ícone pop, tinha bordões como “Sente-se ali” que viravam motivo de piadas.
O diretor Lance Oppenheim declarou que o filme explora os efeitos desse tipo de trabalho sobre os envolvidos, mostrando o conflito entre o jornalismo sério e a necessidade de criar um programa atraente para a audiência.
Apesar dos discursos sobre justiça e combate ao mal, o filme evidencia que o programa também buscava audiência e lucro, deixando o julgamento sobre a validade dessa combinação por conta do espectador.
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Com informações de SlashFilm
