O diretor Noah Segan, responsável pelo filme “The Only Living Pickpocket in New York”, abordou em entrevista as inspirações, influências e desafios na produção da obra, que estreou em 2026. O longa traz a história de um pickpocket fora de forma que se envolve em problemas após roubar a pessoa errada, combinando elementos clássicos do cinema dos anos 1970 com temáticas modernas.
Aprendizados de Rian Johnson na direção
Noah Segan afirmou que Rian Johnson, com quem colabora há anos, é sua maior influência, não apenas como cineasta, mas também como pessoa. Segundo ele, Johnson cultiva um ambiente de trabalho leve e colaborativo, onde a diversão e o bom humor prevalecem mesmo diante das dificuldades. Tecnicamente, Segan destacou a habilidade do amigo como escritor e a inspiração que sentiu ao acompanhar seu método de criação de roteiros, que o incentivou a confiar mais em seu próprio processo criativo.
Conflito entre mundo analógico e digital
O filme aborda o choque entre a mentalidade tradicional e o mundo digital moderno. Para Segan, essa é uma temática pessoal, já que ele se considera um entusiasta do analógico, apreciando discos de vinil, carros antigos e objetos duráveis. A narrativa reflete sobre como habilidades antigas, como o ato de furtar carteiras, perdem relevância em tempos sem dinheiro físico. O diretor discutiu ainda a abordagem para tornar simpático o personagem principal, um criminoso que se redime ao tomar atitudes corretas.
Trilha sonora marcante e homenagem à música dos anos 1970
Noah Segan elogiou o compositor Gary Lionelli, responsável pela trilha sonora que mistura jazz e funk, remetendo à década de 1970. A sonoridade foi inspirada por trabalhos anteriores de Lionelli, como a música para documentários sobre O.J. Simpson e Gordon Parks. Segan revelou que um amigo próximo, Mo Shafeek, será responsável pelo lançamento do álbum em vinil.
Como surgiu a icônica cena de dança de John Turturro
O diretor explicou que John Turturro recebeu uma playlist com músicas que combinavam com o filme, incluindo “Native New Yorker” da banda Odyssey. Turturro compartilhou histórias pessoais relacionadas à música e enviou um vídeo dançando para Segan. Aproveitando a disponibilidade no final das filmagens, o elenco e a equipe gravaram uma tomada única da dança espontânea, resultando em uma das cenas mais memoráveis do longa.
Inspiração na figura do mágico Ricky Jay para o personagem Harry
Ao desenvolver Harry, Segan se inspirou no mágico e ator Ricky Jay, conhecido pelo talento com manipulação de cartas e habilidades mentais. O diretor quis atribuir ao protagonista não só a destreza física de um ladrão, mas também um “poder mental” para enganar o público e os outros personagens, revelado por meio de flashbacks e cenas estratégicas.
Construção do diálogo e estilo dos personagens
Segan explicou que a linguagem dos jovens criminosos foi escrita para provocar certo desconforto, refletindo uma forma de fala irritante presente na internet e na cultura pop atual. Essa escolha reforça a tensão entre as gerações e os estilos de vida mostrados no filme, ao mesmo tempo em que dá um contraste ao vocabulário mais clássico dos demais personagens.
Filmes que influenciaram a produção
Entre as principais referências estão filmes dos anos 1970 e 1990, como “Friends of Eddie Coyle” e “Mikey and Nicky”, ambos ambientados em cidades americanas com tom adequado à obra. Também serviram de inspiração comédias de roubo ambientadas em Nova York, como “Desperately Seeking Susan” e “The Linguine Incident”, além de trabalhos dos cineastas Hal Harley e Whit Stillman.
Imagem: Divulgação
Captura da cena final e significado
[ATENÇÃO: spoilers da trama a seguir]
Sobre o desfecho do filme, Segan preferiu manter aberta a interpretação quanto ao destino de Harry, frisando que a intenção era mostrar seu personagem partindo com dignidade, como o herói de um faroeste, em um cenário bucólico. A cena final foi filmada em quatro tomadas, cada uma com cerca de sete minutos, para capturar o pôr do sol real, criando uma atmosfera mágica e simbólica.
Questionado sobre seus próximos projetos, o diretor revelou que já trabalha em novas produções para o início do próximo ano, buscando manter a equipe que o acompanha atualmente.
“The Only Living Pickpocket in New York” está em exibição limitada e tem estreia nacional marcada para 30 de outubro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
