O escritor e criador da série “Dark Matter”, Blake Crouch, manifestou sua insatisfação com a forma como o multiverso vem sendo explorado nas produções da Marvel. O autor, cujo livro original foi lançado em 2016, considera que a abordagem da franquia utiliza o conceito como um recurso fácil e sem profundidade para movimentar suas tramas.
Na época da publicação do livro, o tema do multiverso já existia em outras obras da cultura pop, como “Doctor Who” e “Star Trek”, mas ainda não tinha ganhado a popularidade atual, impulsionada por filmes como “Vingadores: Ultimato”, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” e “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”.
Crouch apontou que muitas dessas produções usam o multiverso para reunir versões diferentes dos mesmos personagens, explorando o fator nostalgia e o apelo comercial, enquanto sua obra prioriza o impacto psicológico e o desenvolvimento profundo dos personagens. “Marvel faz disso o recurso principal de todos os filmes. Eu entendo o porquê, é fácil, mas, desculpe, não tenho muito respeito por esse tipo de narrativa. O que fazemos é o oposto, usamos o multiverso para explorar os limites dos personagens”, afirmou o autor em entrevista por Zoom.
A visão de “Dark Matter” sobre o multiverso
Diferente da abordagem de muitos títulos de super-heróis, a obra “Dark Matter” – livro e adaptação para Apple TV – trata o multiverso como uma narrativa que alerta para os perigos de manipular realidades infinitas em busca de versões ideais da vida. Na primeira temporada, o personagem Jason2, interpretado por Joel Edgerton, é um antagonista que utiliza a viagem entre mundos para assumir a vida do Jason Dessen original, tentando corrigir erros do passado de forma autoritária.
Na segunda temporada, as intenções mais otimistas de Leighton Vance (Dayo Okeniyi) com o dispositivo de múltiplas dimensões também acabam fracassando, reforçando a complexidade e o lado sombrio do multiverso.
Blake Crouch destacou uma passagem do livro que sintetiza essa perspectiva: “Há uma linha perto do final, quando Jason tem uma epifania ao levar sua família para fugir até uma usina, dizendo que não é apenas um homem, mas uma faceta de um homem multifacetado chamado Jason Dessen”.
Segundo o autor, apesar de Jason2 ser visto como malígno, ele representa as piores tendências do próprio Jason, mostrando que qualquer pessoa pode ter lados negativos.
Imagem: Divulgação
“E é isso o que a série mostra. Não estamos apenas explorando as múltiplas facetas de Jason, mas de quase todos os personagens principais”, explica Crouch.
“Dark Matter” não surfou na tendência do multiverso da Marvel
Apesar do tema estar em evidência atualmente, Crouch lembra que seu livro chegou antes da explosão do multiverso nos blockbusters, o que pode ter contribuído para seu sucesso. “O livro saiu em 2016 e não inventou o multiverso. Houve outras obras antes, como ‘Sliders’, mas não estavam no centro da cultura popular. Acho que foi por isso que a história encontrou o público”, comentou.
O autor ressalta ainda sua intenção de explorar o multiverso tanto em seu potencial positivo quanto negativo. Esta abordagem mais profunda diferencia “Dark Matter” das produções de grandes estúdios que priorizam efeitos e cenários.
Crouch finaliza dizendo que, apesar de no lançamento muitos criticarem a série por “aproveitar a moda do multiverso”, seu projeto existia antes desse fenômeno. A segunda temporada de “Dark Matter” terá seu episódio final disponibilizado no Apple TV em 30 de outubro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
