Adam Wingard, diretor que ganhou destaque com filmes de terror independentes e cresceu no universo dos blockbusters, revelou que a parte mais difícil ao fazer seus dois filmes de Godzilla foi lidar com as expectativas do estúdio em relação à trilha sonora. Apesar de preferir composições eletrônicas, ele sentiu pressão para seguir o padrão das grandes orquestras típicas do gênero.
Carreira e trajetória de Adam Wingard até Godzilla
Wingard iniciou sua carreira como diretor de longas em 2007 com o filme de terror Home Sick, exibido no Fantasia International Film Festival. Nos anos seguintes, construiu reputação no gênero com obras de baixo orçamento como Pop Skull, A Horrible Way to Die e Autoerotic. O reconhecimento maior veio em 2011 com o lançamento do suspense de invasão domiciliar You’re Next, protagonizado por Sharni Vinson.
Depois disso, dirigiu The Guest (2014), estrelado por Dan Stevens, que foi considerado um dos melhores filmes daquele ano. A continuação espiritual desse universo é justamente seu mais recente trabalho, Onslaught.
O sucesso com filmes de terror abriu portas para projetos maiores, como Blair Witch, a sequência da franquia The Blair Witch Project, e a adaptação do mangá Death Note. O salto para o universo dos blockbusters aconteceu em 2021, quando dirigiu Godzilla vs. Kong, um filme de efeitos especiais com orçamento de US$ 200 milhões que arrecadou US$ 470 milhões globalmente.
Em 2024, lançou Godzilla x Kong: The New Empire, uma produção ainda mais grandiosa que faturou mais de US$ 572 milhões.
Desafios musicais em filmes de grande porte

Wingard explicou que, embora sua preferência musical seja por trilhas mais sombrias e sintetizadas, semelhantes ao estilo de John Carpenter, ele teve que ceder parcialmente para preservar a linha tradicional dos blockbusters. Ele apontou que o uso de faixas temporárias durante a edição, muitas vezes oriundas de outros filmes, tem gerado uma padronização sonora nos grandes filmes, o que dificulta a inovação.
Sobre as trilhas de seus filmes de Godzilla, ele admitiu: “A parte mais difícil foi que tivemos elementos eletrônicos na trilha, mas não mais do que um filme hollywoodiano comum usaria. Parecia que não havia apoio nem confiança para esse tipo de música em um filme de Godzilla, porque existe uma expectativa por grandes composições orquestrais. Eu me senti um pouco fora do meu elemento por não poder fazer a música que realmente gosto.”
As trilhas das duas produções foram compostas por Tom Holkenborg, também conhecido como Junkie XL, que contou com a colaboração de Antonio Di Iorio em New Empire.
Imagem: Divulgação
Reflexões de Wingard sobre o processo criativo nos blockbusters

Wingard também comentou que o trabalho na franquia Godzilla foi muito diferente de suas produções mais pessoais no terror. Ele destacou que a tomada de decisões dependia em grande parte da nostalgia e da expectativa dos fãs, e que o objetivo era deixar sua marca, mas sem criar algo totalmente autoral.
“Quando estava envolvido em franquias, todas as decisões giravam em torno da nostalgia e da empolgação de colocar minha assinatura na obra. Você pode se envolver nisso, mas não é uma história pessoal”, afirmou.
Além disso, comparou a ideia original que gostaria de desenvolver com as limitações reais impostas pelos estúdios: “Quero ir para um lado totalmente fora da curva, mas mesmo planejando, sei que na melhor hipótese vou chegar só até o meio do caminho. Sabe o que quero dizer?”
Apesar das dificuldades, Wingard afirmou que gosta dos dois filmes de Godzilla e tem orgulho deles. Ele reconhece que a liberdade criativa é mais restrita nesse tipo de produção, permitindo apenas que sua abordagem seja “um pouco desconcertante”. Com o lançamento de Onslaught, um projeto de orçamento menor, ele espera trabalhar com mais liberdade, inclusive musical.
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Com informações de SlashFilm
