A 3ª temporada de House of the Dragon encerrou com a Batalha de Tumbleton, confronto marcado pelo espetáculo visual, mas também pela ausência de personagens angariando apoio do público, algo incomum dentro do universo Game of Thrones. Desde o início da franquia, batalhas épicas são apresentadas com grande empenho técnico e emocional, mostrando heróis em perigo e vilões que recebem punições, além de nuances morais que envolvem os espectadores.
No entanto, a batalha final da temporada causou estranhamento, pois ambas as facções cometem atrocidades indiscriminadas, tornando difícil identificar um lado favorável. Diferentemente das pequenas escaramuças anteriores, onde personagens despertavam algum tipo de empatia, o conflito em Tumbleton apresenta um cenário em que não há motivos claros para se importar com o destino dos envolvidos.
House of the Dragon não cria conexão emocional na Batalha de Tumbleton

O espectador experiente em Westeros está habituado a cenários complexos, com poucos personagens completamente virtuosos, mas que ainda assim conseguem suscitar algum esforço de torcida. Isso se deve à adaptação cuidadosa feita pela série, que apesar de basear-se no livro Fire & Blood de George R.R. Martin, que não cita rivais virtuosos, sempre trazia antagonismos mais palpáveis para a audiência.
Na temporada atual, isso mudou. O episódio final mostra o personagem Ormund Hightower (James Norton) utilizando crianças indefesas como escudo humano nas muralhas de Tumbleton, uma ação vil e covarde, porém que cria uma tensão desastrosa para a narrativa. Rhaenyra (Emma D’Arcy) alerta seu amante Daemon (Matt Smith) de que “o reino está de olho”, mas mesmo assim ele insta seu exército a agir sem piedade, liberando o pior comportamento de seus soldados.
O resultado é chocante: Roddy the Ruin (Tommy Flanagan) e seus Winter Wolves escrevam uma matança contra as crianças que tentam combater, enquanto Daemon, em seguida, ordena que seu dragão Caraxes incendeie jovens que bloqueiam os portões. Com ambos os lados cometendo crimes de guerra ostensivos, a batalha perde toda característica que poderia gerar interesse ou empatia.
Personagens têm papéis pouco expressivos na Batalha de Tumbleton

Além da ausência de conexão emocional, a 3ª temporada dedica boa parte de seu tempo à Batalha de Tumbleton, mas oferece pouco para seus personagens desenvolverem na trama. Ulf the White (Tom Bennett), por exemplo, passa metade do conflito desmaiado em um banheiro, conduta condizente com seu caráter, mas seu ato final de atacar ambos os lados com seu dragão ocorre de forma abrupta, sem impacto narrativo.
Imagem: Theo Whitan/HBO
Hugh (Kieran Bew), outro cavaleiro do dragão, aparece apenas para demonstrar tristeza por sua esposa, sem se envolver na batalha. Já Daemon e Ormund desempenham funções limitadas, enfrentando inimigos de forma mecânica, até que um deles morre e o outro se retira.
Daeron the Daring (Benjamin Evan Ainsworth), personagem que vinha sendo construído para um momento decisivo, tenta tomar uma atitude dramática, mas é impedido pela escalada violenta da batalha e encerra a temporada sem uma ação significativa.
Essa interpretação difere significativamente do que acontece na obra original Fire & Blood, onde estão descritas duas batalhas em Tumbleton, sendo que a última pode vir a ser mostrada na próxima temporada. Isso indica que espectadores terão que aguardar para ver como a série desenvolverá esses eventos futuramente.
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Com informações de SlashFilm
