Após vários adiamentos e uma longa espera, o filme “Coyote vs. Acme”, dirigido por Dave Green, será finalmente lançado em 28 de agosto de 2026. Originalmente previsto para estrear em julho de 2023, o longa teve sua divulgação cancelada pela Warner Bros., que optou por arquivá-lo em troca de um abatimento fiscal de US$ 30 milhões, causando surpresa entre o público e especialistas.
Produzido com orçamento de US$ 72 milhões, o filme combina animação e live-action, traz os personagens clássicos da franquia Looney Tunes e conta com as atuações de Will Forte e John Cena. A aquisição e liberação do longa ficaram a cargo da Ketchup Entertainment em 2025, após anos de impasse envolvendo as decisões da Warner Bros.
Uma trama sobre justiça corporativa em tom leve
“Coyote vs. Acme” é baseado no conto “Coyote v. Acme”, escrito por Ian Frazier em 1990 para a revista The New Yorker. A história explora o que aconteceria se o personagem Wile E. Coyote, das animações clássicas de Chuck Jones, processasse a empresa Acme por fabricar produtos defeituosos que causam danos constantes a ele durante suas tentativas frustradas de capturar o Papa-Léguas.
Embora a ideia central tenha potencial para um humor irônico e crítico, o filme opta por uma abordagem leve e voltada para o público infantil, com comédia pastelão e uma narrativa direta, limitando o aproveitamento da premissa legal que o roteiro apresenta.
Comparação com “Quem Vai Ficar com Roger Rabbit”
A produção é frequentemente comparada ao filme “Quem Vai Ficar com Roger Rabbit”, de 1988, dirigido por Robert Zemeckis, que mescla animação e live-action em um thriller noir original e mais sério. Diferentemente desse clássico, “Coyote vs. Acme” não explora plenamente os elementos mais sombrios ou investigativos da trama, mantendo tons claros e divertidos mesmo nas cenas que exigiriam maior profundidade.
Will Forte interpreta Kevin Avery, um advogado cômico e desmotivado, que é procurado por Wile E. Coyote para iniciar um processo contra a Acme. Forte, conhecido principalmente por papéis de comédia, apresenta um personagem caricatural, deixando de lado um tom dramático que poderia enriquecer o filme.
Animação mista com limitações técnicas
O longa utiliza uma animação que mistura 2,5D e live-action para trazer Wile E. Coyote à vida. Apesar de algumas cenas conseguirem captar o estilo frenético do personagem, em outras o personagem mostra expressividade limitada e aparência rígida, destoando da riqueza visual dos desenhos originais de Chuck Jones dos anos 1950. Muitos críticos apontam que a produção teria se beneficiado com animação tradicional desenhada à mão.
No elenco, John Cena vive Buddy Crane, o advogado competitivo da Acme, e Eric Bauza dá voz ao personagem Foghorn Leghorn, o ambicioso e antiético chefe da empresa. O tom exagerado de Cena reduz a ameaça do antagonista, dificultando um equilíbrio entre humor e tensão.
Imagem: Divulgação
Enredo com temas contemporâneos e toques de mistério
A narrativa se desenrola em uma investigação que lembra o filme “Chinatown”, mas com uma atmosfera mais próxima de “Scooby-Doo”. Kevin Avery e sua sobrinha Paige recebem pistas anônimas e visitam locais como instituições psiquiátricas e lares de idosos para desvendar uma conspiração envolvendo um projeto chamado “Sísifo”. Este nome faz uma referência simbólica ao personagem Coyote, reforçando a crítica sobre o ciclo interminável de fracassos causados pela Acme.
Enquanto o processo judicial avança até o Congresso, o filme levanta questões sobre ética corporativa e o poder excessivo das grandes empresas. Mesmo tendo sido produzido em 2023, o tema permanece atual para o público de 2026.
“Coyote vs. Acme” apresenta momentos divertidos e cenas engraçadas, porém sua abordagem evita aprofundar o potencial crítico e satírico da história, ficando longe de se transformar em uma paródia memorável dos thrillers jurídicos de Hollywood.
Avaliação: 6,5 de 10
“Coyote vs. Acme” estreia nos cinemas em 28 de agosto de 2026.
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Com informações de SlashFilm
