“Prima Facie”, dirigido por Susanna White, teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) 2026, trazendo a atriz indicada ao Oscar Cynthia Erivo no papel de Tessa, uma advogada britânica especializada em defender acusados de crimes sexuais. A trama ganha um giro dramático quando Tessa se torna vítima de violência sexual, enfrentando o sistema jurídico no lugar oposto ao que está acostumada.
Enredo e destaque do filme
A partir da adaptação da peça teatral solo de Suzie Miller, o filme é uma releitura de thrillers jurídicos clássicos, como “Presumed Innocent” e “Fracture”, que exploram a troca de papéis de um advogado. Em “Prima Facie”, a protagonista, uma advogada dedicada a garantir a defesa dos réus, vive uma experiência traumática que revela as falhas do sistema legal em lidar com casos de estupro e agressão sexual.
Após ser vítima do ataque por um colega de trabalho, Tessa enfrenta não apenas o impacto emocional, mas também a dura realidade judicial, mostrando os desafios que envolvem a recolha de provas e a credibilidade das vítimas no tribunal.
Ausência de aprofundamento psicológico
A obra evita explorar com profundidade o conflito interno e a dissonância cognitiva da personagem, que poderia surgir ao transitar da posição de advogada que defende acusados para a experiência de vítima. Em vez disso, o filme concentra-se no choque e na dissociação decorrentes da violência sofrida, deixando de lado um mergulho mais detalhado nas emoções de culpa e vergonha que poderiam enriquecer o roteiro.
Apesar disso, “Prima Facie” se torna uma narrativa impactante e perturbadora, ainda que perca oportunidades de apresentar uma abordagem mais inovadora dentro do gênero de thriller jurídico voltado para a violência sexual.
Atuação de Cynthia Erivo é destaque
Cynthia Erivo entrega uma performance que compensa falhas do filme, como o ritmo lento e o tom por vezes didático. A primeira metade do longa se dedica a construir a imagem de Tessa como uma advogada ambiciosa e competente, o que justifica a força dramática de sua queda emocional. No entanto, essa construção prolongada torna a narrativa inicial repetitiva.
Com a virada da trama, após a agressão ocorrida na metade do filme, Erivo transita da confiança externa para a vulnerabilidade interior, demonstrando com intensidade o trauma e a destruição de sua personagem. A qualidade de sua atuação foi reconhecida com uma ovação de pé na exibição de estreia no TIFF, confirmando seu talento e dedicação ao papel.
Imagem: Divulgação
Drama courtroom eficaz e mensagem social
O desfecho da trama se concentra na batalha judicial, onde as táticas legais que Tessa costumava usar para defender seus clientes são agora utilizadas contra ela. As trocas entre ela e o advogado de acusação são afiados, intensos e bem escritos, com um monólogo final que enfatiza as demandas do filme por mudanças radicais nas leis e atitudes sociais relativas à violência sexual.
Ao fim da projeção, o espectador fica com sentimentos contrastantes de tristeza e esperança. O filme destaca a desconfiança enfrentada pelas mulheres ao relatar abusos e questiona a adequação dos métodos científicos aplicados nos tribunais para comprovar traumas dissociativos. Ainda assim, a narrativa encerra com uma perspectiva otimista, sugerindo que há agentes na sociedade empenhados em promover transformações necessárias.
Prima Facie tem previsão de lançamento para 13 de novembro de 2026, com duração de 106 minutos. A produção é assinada por David Jowsey, Greer Simpkin, Jenny Cooney e Kevin Loader, com roteiro de Suzie Miller.
Elenco principal
Daniel Ings como Julian
Cynthia Erivo como Tessa Ensler
Mesmo com algumas limitações no desenvolvimento da trama, o filme destaca a urgência de reformas no sistema jurídico e a necessidade de maior compreensão social acerca da violência sexual, com uma atuação marcante de Erivo que reforça o impacto da história.
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Com informações de Screen Rant
