O documentário “You Can See Everything”, dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, apresenta uma inesperada participação da atriz Amanda Seyfried e provoca uma profunda reflexão sobre a figura de Elizabeth Holmes, a ex-empresária responsável pela fraude da Theranos.
Após a prisão de Holmes, condenada a 11 anos de reclusão por enganar investidores da Theranos e que se entregou em 30 de maio de 2023, o filme ganha um novo rumo com a entrada de Seyfried, conhecida por interpretar Holmes na série “The Dropout”, da Hulu, pela qual recebeu um Emmy. A atriz revisita o papel para reencenar momentos que, por questões legais, não poderiam ser mostrados diretamente ao público, além de participar ativamente da narrativa ao lado de Fielder.
A reinvenção da narrativa com Amanda Seyfried
Com Holmes já presa em um centro federal no Texas, Seyfried assume seu papel para representar cenas que precederam as filmagens do documentário, em especial uma que configura seu clímax. O parceiro de Holmes, Billy Evans, é interpretado por Christopher Abbott, que dividiu com Seyfried a produção “The Testament of Ann Lee”, possivelmente filmada pouco antes da colaboração no documentário.
Um dos pontos centrais das reencenações envolve uma tentativa de Evans de exigir uma parte da receita do filme, configurando uma situação ética delicada que coloca em questão a integridade do projeto. Fielder destaca que o envolvimento de Holmes neste pedido permanece incerto, deixando uma dúvida que permeia toda a obra.
Questionamentos sobre a verdade e o impacto do retrato
A aproximação com Seyfried também traz à tona reflexões sobre o papel da atriz em “The Dropout”, cujo retrato de Holmes é rejeitado pela própria e por Evans, que acusam a série de prejudicar sua imagem. Seyfried expressa incômodo com o dano causado, enquanto ela e Fielder debatem o quanto a dramatização sensacionalista afetou a narrativa real da ex-empresária.
Um fim ambíguo entre manipulação e ilusão
Nos momentos finais, o documentário revela que nem Seyfried nem Fielder conseguem definir quem é realmente Elizabeth Holmes. Fielder sugere que ela pode ser uma manipuladora excepcional ou alguém completamente iludida, já que insiste que o dispositivo da Theranos funcionava, o que contradiz fatos comprovados.
Imagem: Divulgação
A complexidade da personagem fica ainda maior ao observar Holmes reagindo com lágrimas ao assistir a cena da série que mostra seu relacionamento com Sunny Balwani, consolidando sua imagem dupla de vítima e possível manipuladora. A última reencenação, filmada na prisão, traz à tona o ponto-chave da confusão: se Holmes sabia ou não do esquema de Evans para lucrar com o documentário, algo que permanece sem resposta definitiva.
“You Can See Everything” está em cartaz nos cinemas, ampliando o diálogo sobre a relação entre verdade, representação e manipulação em histórias reais.
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Com informações de SlashFilm
