“The Cycle” é um filme que se desenvolve lentamente até se transformar em um terror de criatura, beneficiando-se do mistério sobre seu enredo. A divulgação mantém sigilo sobre os detalhes centrais da trama, o que torna a experiência mais impactante para o público. A produção dirigida por Jordan Downey destaca, principalmente na segunda metade, seus efeitos práticos detalhados, que reforçam o estilo tradicional de monstros, superando as computações gráficas.
A atriz Deborah Ann Woll interpreta a Dra. Meg Garland, uma especialista em ciência forense que administra uma propriedade para estudo de corpos em decomposição, usada por estudantes de justiça criminal para entender os processos de putrefação. A atmosfera do filme é marcada por cenários sombrios e frios, com a direção de Downey e a cinematografia de Kevin Stewart, que também coassina o roteiro. A proposta lembra filmes como “O Silêncio dos Inocentes” e “Seven”, com influências de séries como “Arquivo X” e “Twin Peaks”, e transforma a narrativa em um mistério policial investigado pela protagonista.
O rumo da trama é esperado para os fãs de terror
A história gira em torno do assassinato brutal de uma família, aparentemente vítima de um animal selvagem. Próximo à cena do crime, a polícia encontra, perto de trilhos de trem, o corpo nu de um homem. A vítima é o pai de Meg, ausente desde quando ela era criança. Meg não se identifica com ele e deseja se distanciar, mas a investigação a envolve, levando-a a colaborar com o policial Ian (Will Hochman) e seu superior, Marks (Jeffrey Donovan), que é também o pai de Ian.
Para os entusiastas do gênero terror, os desdobramentos da trama podem ser previsíveis, o que torna o caminho até a revelação final um pouco moroso. Ainda assim, “The Cycle” mantém uma atmosfera densa e se conduz com seriedade, evitando o tom de paródia que o roteiro poderia adotar, o que pode agradar ou não os espectadores, dependendo da expectativa. A construção do suspense constante é um dos pontos fortes do filme.
O percurso do mistério é complementado pelo conflito interno de Meg, que precisa enfrentar seus próprios traumas e dúvidas à medida que os eventos desafiam sua visão científica. Deborah Ann Woll oferece uma atuação sólida, equilibrando determinação e fragilidade, com seu personagem tendo pesadelos envolvendo o corpo do pai.
O clímax destaca efeitos práticos e maquiagem de terror
O desfecho de “The Cycle” se transforma em um filme de monstro tradicional, com cenas de sangue e maquiagem gore feitas de forma prática, o que impressiona, especialmente considerando o orçamento modesto da produção. O nível de realismo e detalhamento nessas sequências supera até algumas obras do gênero com orçamento maior.
Apesar do sucesso dos efeitos visuais práticos, o ritmo do filme pode parecer lento em certas partes, com repetição de elementos e inserção de subtramas que soam como tentativa de estender a duração. A trama emocional centrada nas questões familiares de Meg também não convence totalmente.
Imagem: Divulgação
O longa demonstra claramente seu propósito e estilo, destacando na abertura do crédito final a equipe responsável pelos efeitos de maquiagem. Isso traz à memória a tradição clássica do terror, quando artistas como Tom Savini, Rick Baker e outros criavam monstros realistas antes da popularização das técnicas digitais. “The Cycle” resgata essa essência e reafirma que o cinema de terror ainda valoriza o trabalho artesanal em efeitos práticos.
Avaliação: 6 de 10
“The Cycle” estará disponível para streaming no Shudder a partir de 23 de outubro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
