A adaptação de Brian De Palma para o filme Carrie é considerada um clássico do cinema de terror, encerrando com uma das cenas mais marcantes do gênero. Baseada no primeiro romance de Stephen King, publicado em 1974, a obra rapidamente conquistou público e crítica. O sucesso da versão cinematográfica, lançada em 1976, impulsionou ainda mais a carreira de King, consolidando-o como um dos autores preferidos em Hollywood.
Mesmo após quase cinco décadas, Carrie continua impressionando o público com sua atmosfera perturbadora, conta com a atuação central impactante de Sissy Spacek e preserva um final icônico. O diretor Brian De Palma fez algumas alterações em relação ao livro, mas que foram aceitas até pelo próprio Stephen King, que elogiou a obra apesar das mudanças no desfecho e na narrativa. Desde então, outras adaptações foram feitas, incluindo filmes para TV e minisséries, mas o filme original de De Palma ainda é considerado a melhor.
Como é o final do filme Carrie
Mesmo quem não assistiu ao filme ou leu o livro pode se lembrar da cena em que Carrie é completamente coberta de sangue, logo após ser eleita rainha do baile. Essa imagem, que se tornou símbolo do filme de De Palma, faz parte de um plano dos alunos populares da escola para humilhar Carrie, utilizando um balde cheio de sangue de porco.
Após finalmente sentir que foi aceita pelos colegas, Carrie é banhada pelo sangue, fica em silêncio por um momento e, ao notar a zombaria de Norma e outros estudantes, passa a imaginar que toda a escola, inclusive os professores, está rindo dela. Isso faz com que ela perca o controle e use seus poderes telecinéticos para trancar as saídas do ginásio.
Dentro do espaço cerrado, ela causa destruição com um jato de água e chega a eletrocutar professores antes de incendiar o ginásio, o que provavelmente mata muitos estudantes e educadores presos ali. No caminho para casa, Carrie quase é atropelada por Chris e Billy, mas usa suas habilidades para fazer o carro dos dois explodir, matando-os instantaneamente.
Ao chegar em casa, Carrie procura se limpar do sangue, mas é surpreendida por sua mãe, Margaret. Após ser esfaqueada pelas costas, ela usa seus poderes para transfixar Margaret várias vezes com facas. Com a mãe morta, Carrie se encolhe enquanto a casa desaba.
O filme termina com uma sequência onde Sue visita o terreno onde antes ficava a casa de Carrie e uma mão emerge da terra agarrando seu tornozelo. Sue então acorda, revelando que tudo fora um pesadelo.
Diferenças do final do filme para o livro
Embora o filme mantenha a essência do romance de Stephen King, Brian De Palma fez alterações no final. No livro, a vingança de Carrie é ainda mais devastadora, atingindo não apenas a escola, mas toda a cidade. Durante o trajeto para casa após o baile, ela corta linhas de energia, abre hidrantes e destrói edificações, causando a morte de centenas de pessoas. Acredita-se que De Palma tenha reduzido essa destruição para tornar Carrie uma personagem mais simpática.
No livro, a cronologia do desfecho também difere. Carrie usa seus poderes primeiro para parar o coração da mãe e só depois provoca o acidente fatal de Chris e Billy, em circunstâncias distintas. Depois da morte da garota, o romance detalha como o incidente vira notícia nacional e relata a realização de audiências no Congresso para investigar pessoas com poderes telecinéticos, enquanto a cidade fica praticamente abandonada.
Stephen King explora ainda a origem dos poderes de Carrie em nível quase científico, revelando que outras pessoas têm habilidades semelhantes. Uma característica ausente no filme é a comunicação telepática de Carrie, demonstrada em uma troca mental com Sue antes da morte da protagonista, na qual Carrie descobre que Tommy e Sue não participaram da armação do baile.
O significado real do final de Carrie
No núcleo da história, Carrie trata de abuso, isolamento e trauma. As mudanças feitas por De Palma no final não alteram essa temática central, mas apresentam uma interpretação mais visual e simbólica. Por exemplo, a cena em que Margaret é repetidamente cravada por facas com os braços abertos, remetendo à imagem de Cristo crucificado, evidencia o trauma religioso que ela impõe à filha.
Imagem: Divulgação
A fúria assassina de Carrie representa uma resposta violenta aos agressores que a humilharam na escola e maltrataram em casa. Seus poderes telecinéticos lhe permitem reverter o jogo contra todos que a perseguiram. Essa não é apenas uma cena de violência gratuita, mas uma dramatização do impacto do trauma, incluindo como ele pode afetar inocentes, já que mesmo colegas não envolvidos são atingidos pela destruição.
A sequência final do sonho de Sue, ausente no livro, reforça esses temas: a mão de Carrie saindo dos escombros simboliza como o trauma da protagonista continua vivo mesmo após sua morte. Sue, que presencia a morte dos colegas e convive com a culpa por sua participação no sofrimento da amiga, permanece presa nesse ciclo de dor, sinalizando que o trauma nunca desaparece facilmente.
Final das outras adaptações de Carrie
A versão para TV de 2002 oferece uma chance de sobrevivência para Carrie, quando Sue consegue reanimá-la através de boca a boca. Sob sugestão de Sue, Carrie finge estar morta e ambas fogem para a Flórida. Ainda assim, visões de Margaret e Chris indicam que fugir não elimina seu trauma.
No remake de 2013, Carrie destrói sua casa durante o confronto com a mãe. Sue chega em seguida e sente que está grávida. Carrie a salva antes que a casa desabe, aparentemente se sacrificando. O epílogo deixa o destino de Carrie incerto, mostrando seu túmulo rachando e um grito de raiva sugerindo que ela pode ainda estar viva.
Já a série de 2026 traz um desfecho diferente. Durante uma batalha telecinética entre Carrie e Margaret, a casa desaba, mas a mãe sobrevive ao levitar os escombros. Uma integrante de um culto chamada Emaline resgata uma Carrie ferida e traumatizada. A série expande a mitologia sobrenatural, apresentando uma personagem chamada Adelaide que projeta sua consciência, mata Margaret ao parar seu coração e apaga a memória de Sue sobre o envolvimento no massacre do baile. Essa versão permite que Carrie sobreviva, deixando as consequências da violência em aberto.
Informações do filme Carrie (1976):
- Data de lançamento: 3 de novembro de 1976
- Duração: 98 minutos
- Direção: Brian De Palma
- Roteiro: Lawrence D. Cohen
- Produção: Paul Monash
- Elenco principal: Sissy Spacek (Carrie), Piper Laurie (Margaret White)
O filme pode ser assistido por meio de plataformas de streaming, aluguel ou compra digital.
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Com informações de Screen Rant
