Após o fracasso do remake de Planeta dos Macacos dirigido por Tim Burton em 2001, a franquia ficou parada por uma década. Em 2011, o lançamento de Rise of the Planet of the Apes trouxe uma visão totalmente nova, distante dos filmes anteriores, e conquistou grande sucesso naquele ano.
Situado no período anterior aos eventos originais, Rise explorou temas inéditos, sobretudo o drama humano diante das limitações da ciência médica e a relação intrínseca entre humanos e animais. Andy Serkis se destacou no papel do chimpanzé César, com efeitos digitais modernos substituindo os tradicionais trajes de macaco. O roteiro, mais contido, culminou em um desfecho emocionante e impactante. Além disso, algumas alterações na linha do tempo colocaram em movimento os acontecimentos centrais da série.

Essa mudança de tom revitalizou a saga Planeta dos Macacos, traçando um caminho próprio para o futuro. Ao invés de copiar o tom dos filmes originais, o novo filme enfatizou o conflito entre homem e natureza. Funcionando como um prelúdio independente, também abriu espaço para duas sequências que desenvolveram a narrativa ao longo dos anos seguintes. Ao contrário de outras franquias da mesma época, os novos filmes apresentaram uma condução paciente da história.
Planet of the Apes e o modelo ideal de reboot

Um dos principais desafios para reboots e remakes é justificar sua existência, já que muitos são produzidos apenas para explorar o sucesso financeiro das franquias originais, sem agregar conteúdo relevante. No entanto, a série de reboot de Planeta dos Macacos se destaca por entregar histórias complexas e tematicamente ricas.
A ideia básica da franquia original era profunda, mas pouco explorada nos filmes clássicos, o que abriu espaço para os reboots desenvolverem novos caminhos. Dawn of the Planet of the Apes conseguiu superar o filme de 2011, e War for the Planet of the Apes elevou ainda mais o nível, concluindo a trilogia com um desfecho satisfatório após anos de construção.
Além de sequências de ação na ficção científica, os novos filmes criaram uma narrativa em três atos, desvinculada da série antiga, com experimentação de novos conceitos e personagens. Mesmo após o encerramento dessa trilogia, a saga continuou em 2024 com Kingdom of the Planet of the Apes, que trouxe de volta a essência dos primeiros reboots, avançando no tempo e iniciando uma nova etapa da linha temporal. Embora não tenha alcançado a qualidade da trilogia anterior, apresentou uma história própria e ambiciosa.
A ambição é o principal diferencial do reboot, algo que muitos remakes não possuem. A nova série Planet of the Apes não depende apenas da nostalgia da ficção científica clássica, mas se sustenta pelos próprios méritos. Esse deveria ser o padrão para todos os remakes, porém Hollywood raramente demonstra esse nível de dedicação.
O futuro incerto de Planet of the Apes

Um novo filme da franquia está em desenvolvimento. A notícia positiva é a continuidade, mas o ponto negativo é que provavelmente ele não será uma sequência direta de Kingdom of the Planet of the Apes. Poucos detalhes sobre o projeto foram divulgados, mas a troca na equipe criativa causou também uma mudança no conceito do filme, gerando dúvidas quanto à direção da história.
A série tem utilizado saltos temporais para avançar a trama, mantendo, desde 2011, uma narrativa coerente e linear. Caso o próximo título abandone personagens recentes como Mae e Noa, poderá comprometer a qualidade das produções anteriores, afastando o público que acompanha a cronologia estabelecida. Se o espectador não se interessar pelos eventos de Kingdom, pode não haver motivo para assistir ao filme.
Kingdom of the Planet of the Apes merece uma sequência genuína
Apesar da recepção mediana nas bilheterias, Kingdom of the Planet of the Apes merece uma sequência direta. Muito esforço foi investido na construção da nova fase da cronologia para que tudo fosse descartado tão rapidamente. Em vez de analisar as razões para a fraca performance do filme, os executivos parecem preferir abandonar essa linha do tempo para reiniciar a série em outro ponto.
Essa decisão pode selar o fim das expectativas em torno de Kingdom, além de afastar fãs que gostaram do filme e desejavam continuar acompanhando a história. Embora o mercado financeiro seja o fator determinante em Hollywood, o reboot de Planeta dos Macacos é um caso especial por mostrar que remakes podem ser bem-sucedidos sem ceticismo, e a trajetória atual pode prejudicar essa reputação.
Imagem: Divulgação

Séries de TV: Planet of the Apes, Return to the Planet of the Apes
Jogos eletrônicos: Planet of the Apes, Revenge of the Apes, Planet of the Apes: Last Frontier, Crisis on the Planet of the Apes
Primeiro filme: Planet of the Apes
Primeira série de TV: Planet of the Apes
Elenco: Charlton Heston, Roddy McDowall, Kim Hunter, Maurice Evans, James Whitmore, Linda Harrison, Mark Wahlberg, Helena Bonham Carter, Tim Roth, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, James Franco, Andy Serkis, John Lithgow, Freida Pinto, Gary Oldman, Keri Russell, Kodi Smit-McPhee, Jason Clarke, Toby Kebbell, Judy Greer, Woody Harrelson, Amiah Miller, Kevin Durand, Dichen Lachman, William H. Macy, Owen Teague, Freya Allan
Criador: Pierre Boulle
A franquia Planeta dos Macacos segue entre as mais notórias reinvenções do cinema recente, feita com cuidado e respeito à história original, mas seu futuro encontra-se em um momento de incertezas criativas.
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Com informações de Screen Rant
