Poucas franquias de ficção científica possuem uma trajetória cinematográfica tão longa e imprevisível quanto Star Trek. Desde que Star Trek: The Motion Picture levou a tripulação da USS Enterprise para as telonas em 1979, o universo criado se transformou por diferentes gerações, reinventando o que significa um filme de Star Trek.
O elenco original protagonizou seis filmes, seguido por quatro com o time de Star Trek: The Next Generation. Em 2009, J.J. Abrams inaugurou a linha do tempo Kelvin com um elenco renovado, que culminou em uma trilogia independente. Mais recentemente, Star Trek: Section 31 marcou a entrada da franquia no streaming, trazendo a volta de Michelle Yeoh como Philippa Georgiou, personagem conhecida de Star Trek: Discovery.
Nem todos os experimentos deram certo. Alguns longas tiveram dificuldade em traduzir o apelo intelectual de Star Trek para o formato blockbuster, enquanto outros alcançaram o equilíbrio entre personagens, efeitos e ideias que sustentam a série há seis décadas.
Com 14 filmes lançados até hoje, críticas e debates são comuns. A seguir, apresentamos o ranking completo dos filmes de Star Trek, do mais fraco ao mais destacado.
14 – Star Trek: Section 31 (2025)
A volta de Michelle Yeoh como Imperadora Philippa Georgiou prometia ampliar o universo de Star Trek, mas Section 31 foi recebido com críticas majoritariamente negativas. Apesar do carisma de Yeoh, o filme de streaming parece desconectado dos elementos que definem a franquia.
A trama de operações secretas espreita momentos divertidos na postura moral ambígua de Georgiou, porém falta profundidade de personagens, diferente do que era explorado em Discovery, e a produção não estabelece uma identidade convincente. Para um filme centrado em uma das personagens mais interessantes do Star Trek contemporâneo, Section 31 representa uma oportunidade perdida.
13 – Star Trek V: A Fronteira Final (1989)
William Shatner assumiu a direção de A Fronteira Final, que leva Kirk e a tripulação da Enterprise à busca de um planeta misterioso que supostamente abriga Deus. O responsável é Sybok, meio-irmão de Spock com a capacidade de controlar dores emocionais, o que dá um tom pessoal à trama.
Apesar de momentos interessantes, como a recusa de Kirk em apagar sua maior dor, os efeitos visuais inconsistentes e um desfecho estranho enfraquecem o filme. Assim, A Fronteira Final se consolida como o episódio menos convincente da equipe original da Enterprise, mesmo com boas interações entre Kirk, Spock e McCoy.
12 – Star Trek: Nêmesis (2002)
O último filme com o elenco completo de Next Generation deveria ser uma despedida à altura de personagens acompanhados por mais de dez anos. Contudo, Nêmesis trouxe um thriller sombrio que falha em resgatar os elementos que fizeram essa versão de Star Trek especial.
Tom Hardy interpreta Shinzon, clone de Jean-Luc Picard e novo líder dos romulanos, com intensidade. A relação entre Shinzon e Picard oferece possibilidades profundas, mas são mais exploradas no combate e nas explosões do que nas emoções. O sacrifício de Data concede um peso dramático genuíno, ainda que insuficiente para salvar o adeus dado aos heróis da franquia.
11 – Star Trek: Insurreição (1998)
Insurreição é frequentemente criticado por se assemelhar a um episódio longo de The Next Generation em vez de um grande lançamento cinematográfico. Essa crítica é válida, mas não desconsidera seus pontos positivos.
A história mostra Picard descobrindo que oficiais da Frota Estelar estão envolvidos na remoção forçada dos pacíficos Ba’ku, para explorar a capacidade rejuvenescedora do planeta. O conflito que emerge coloca Picard diante do dilema moral que caracterizou a série, mesmo que as consequências pareçam modestíssimas perto de outras produções da franquia. Ainda assim, Insurreição se mantém alinhado aos ideais centrais de Star Trek.
10 – Star Trek: Gerações (1994)
O encontro histórico entre James T. Kirk, interpretado por William Shatner, e Jean-Luc Picard, de Patrick Stewart, carregava altas expectativas. Gerações cumpre esse papel, ainda que a narrativa dependa de um artifício complicado envolvendo o Nexus para reunir os capitães.
O longa funciona mais como uma cerimônia de passagem entre gerações do que como uma aventura isolada. A destruição da Enterprise-D tem impacto visual marcante, e Malcolm McDowell se destaca como o vilão Tolian Soran. O destino final de Kirk divide opiniões, incluindo a do próprio Shatner, que manifestou desejo de rever as últimas falas do personagem. De qualquer forma, o filme tem um lugar importante na história da saga.
Imagem: Divulgação
9 – Star Trek: O Filme (1979)
Após o sucesso estrondoso de Star Wars, a Paramount lançou Star Trek: O Filme, que privilegia o lado intelectual da ficção científica, parecido com 2001: Uma Odisseia no Espaço, em vez de sequências vertiginosas de ação.
O ritmo lento torna o filme um desafio especialmente quando comparado aos lançamentos posteriores. No entanto, o diretor Robert Wise confere uma escala impressionante à Enterprise e cria um antagonista incomum na forma do enigmático V’Ger. Embora tenha defeitos e uma narrativa devagar, a produção envelheceu bem em sua ambição.
8 – Star Trek: Into Darkness (2013)
O segundo filme de J.J. Abrams na franquia é altamente divertido quando visto como um blockbuster. Chris Pine e Zachary Quinto estão à vontade nos papéis de Kirk e Spock, a ação é intensa e Benedict Cumberbatch incorpora com sucesso o personagem John Harrison.
Porém, o filme cai no problema de apoiar-se excessivamente em referências a um clássico: quando Harrison é revelado como Khan, a narrativa começa a repetir elementos de The Wrath of Khan, até invertendo um dos momentos mais icônicos daquela obra. Apesar do esforço do elenco, a comparação destaca a dificuldade de igualar um clássico em vez de apenas citá-lo.
7 – Star Trek III: A Procura de Spock (1984)
Após o sucesso de The Wrath of Khan e a morte chocante de Spock, Leonard Nimoy fez sua estreia na direção com A Procura de Spock. O filme aproveita as consequências do antecessor para criar uma aventura pessoal.
Kirk arrisca sua carreira e rouba a Enterprise para tentar trazer Spock de volta. O preço é enorme: a perda do filho David e a destruição da própria Enterprise. Embora não tenha a precisão do filme anterior, a disposição de Kirk sacrificar tudo pelo amigo confere à história um forte impacto emocional.
6 – Star Trek Beyond (2016)
Star Trek Beyond finalmente encontrou um tom próprio dentro da linha do tempo Kelvin. Sob a direção de Justin Lin, a tripulação enfrenta uma aventura independente após a destruição da Enterprise pelo misterioso Krall. Muitos consideram Beyond o melhor filme da era J.J. Abrams.
O longa valoriza a química entre os personagens ao separá-los em duplas inesperadas, destacando especialmente a relação entre Spock e McCoy. Sofia Boutella, como Jaylah, é um dos melhores acréscimos da trilogia. Lançado durante o 50º aniversário da franquia, o filme traz o otimismo e o espírito de companheirismo que marcaram o Star Trek clássico, sem apenas copiá-lo.
5 – Star Trek VI: A Terra Desconhecida (1991)
A Terra Desconhecida proporcionou à tripulação original o adeus que merecia. Com o Império Klingon atravessando uma crise inédita, Kirk é convocado para participar de negociações de paz com um inimigo que sempre desconfiou.
O diretor Nicholas Meyer, que já havia comandado The Wrath of Khan, inspirou-se no fim da Guerra Fria para contar uma história sobre mudanças políticas e o desafio de superar preconceitos antigos. Embora um complô conspiratório mantenha o ritmo, o núcleo dramático está no processo de Kirk compreender que o futuro não pode repetir o passado. É um dos filmes mais inteligentes da franquia.
Estes são os 14 filmes de Star Trek, classificados do menos ao mais bem avaliado, refletindo a trajetória e os desafios da franquia que completou seis décadas mantendo seu legado e renovando-se no cinema e no streaming.
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Com informações de Screen Rant
