Um dos maiores desafios para a franquia dos X-Men tem sido explicar por que os mutantes são mais temidos do que outros heróis em um universo já repleto de seres com poderes extraordinários. Apesar da presença dos Vingadores, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e tantos outros, os mutantes continuam sofrendo discriminação nos quadrinhos por serem diferentes desde o nascimento. Essa distinção, no entanto, pode ser ainda mais complexa de se estabelecer no MCU.
No universo cinematográfico da Marvel, há alienígenas, feiticeiros, androides, super-soldados, heróis com poderes de radiação gama, aracnídeos e muitos outros indivíduos poderosos. Nesse cenário, seria estranho que os mutantes fossem rejeitados apenas por terem talentos ou por sua aparência. Ainda assim, Spider-Man: Brand New Day já começa a preparar o terreno para uma diferenciação mais profunda, especialmente diante do reboot dos X-Men dirigido por Jake Schreier.
Como Spider-Man: Brand New Day constrói a distinção do MCU entre mutantes temidos e outros heróis superpoderosos

No MCU, o desafio de mostrar por que o público temeria e oprimirá os “homo superior” é ainda maior, já que essa população convive há décadas com seres extraordinários e visualmente diferentes. Spider-Man: Brand New Day apresenta uma possível explicação com o diretor Bill Metzger e o Departamento de Controle de Danos (DODC).
Metzger não teme Jean Grey por ela ser mutante, mas sim pelo enorme potencial de seu poder e pela falta de controle de uma adolescente sobre esses dons. Ele deseja capturar e usar seu poder, acreditando que estaria em mãos mais preparadas (nas suas). Metzger já demonstrou ser capaz de levar seus experimentos ao extremo, inclusive matando Sara, irmã telepata de Jean, para obter resultados.
Esse medo e desconfiança em relação ao poder de Jean sem supervisão podem se tornar um ponto central no MCU. O público pode passar a ver os mutantes como uma ameaça real, não por rotulá-los, mas pelo risco que seu poder descontrolado representa.
Jean Grey, após ser submetida aos experimentos de Metzger, desenvolve suas habilidades de forma intensa, adquirindo telecinese e ampliando sua telepatia de cerca de 30 metros para um quilômetro. Se o chamado gene X for despertado rapidamente em uma nova geração de mutantes no MCU, o temor aos poderes emergentes em adolescentes inexperientes será mais compreensível, ainda que a rejeição continue injusta.
Imagem: Divulgação
Esse foco no controle e na supervisão remete a eventos anteriores do MCU, como os Acordos de Sokovia de Capitão América: Guerra Civil, que pediam mais regulação sobre os heróis. Antes de Brand New Day, o Departamento de Controle de Danos já tinha enfrentado personagens como Ms. Marvel (uma mutante no MCU) e Homem-Maravilha (possivelmente mutante), reforçando essa preocupação com poderes não controlados.
MCU justifica jovens no elenco dos próximos X-Men

Com Sadie Sink como Jean Grey e Kit Connor escalado para interpretar Scott Summers, o Ciclope, a Marvel Studios mostra a intenção de apresentar os X-Men como adolescentes em início de jornada. Isso também reforça que essa nova geração descobrirá e aprenderá a controlar seus poderes longe de instituições estabelecidas, lembrando os quadrinhos onde nasce a Escola para Superdotados de Xavier e a Irmandade dos Mutantes de Magneto.
Dessa forma, a maioria dos mutantes no MCU estará explorando seu lugar no mundo e o uso dos seus dons no momento em que governos e a população tentam entender o que essa nova realidade representa. Essas serão as histórias iniciais dos X-Men, enquanto outros grupos de heróis da franquia já estão há bastante tempo consolidados.
Spider-Man: Brand New Day está em cartaz nos cinemas, uma produção da Marvel Studios e Sony Pictures.
