Em 1979, uma tentativa de adaptar o romance distópico “Atlas Shrugged”, de Ayn Rand, para a televisão foi rejeitada por duas grandes emissoras americanas, NBC e ABC. O produtor Michael Jaffe buscava transformar a obra em uma minissérie de oito horas, mas os executivos das redes recusaram o projeto por considerar o conteúdo excessivamente filosófico e pouco atraente para o público.
“Atlas Shrugged”, lançado originalmente em 1957, retrata um futuro distópico nos Estados Unidos em que industriais ricos e visionários enfrentam regulações governamentais que freiam a inovação e a economia. A narrativa apresenta um bilionário misterioso, John Galt, que incentiva esses empresários a entrar em greve e abandonar suas funções para desacelerar a sociedade. O livro expõe a filosofia do Objetivismo, que valoriza o interesse racional e glorifica a riqueza.
Segundo edição da Starlog Magazine de 1979, a NBC rejeitou a minissérie afirmando que o livro era “pesado demais em filosofia”. A ABC também recusou o projeto, criticando-o por não ser “entretenimento, melodrama ou escapismo” e ainda por fazê-los refletir demais.
Após as recusas, Jaffe sugeriu a produção de um longa épico de quatro horas com orçamento estimado em 10 milhões de dólares, pretendendo atrair investidores fãs de Ayn Rand. Ele também tinha um plano alternativo para desenvolver o romance em uma minissérie de 10 horas, desde que conseguisse apoio da entidade Operation Prime Time.
Operation Prime Time e as várias tentativas de adaptação
Operation Prime Time (OPT) foi uma coalizão de redes locais que funcionou entre 1976 e 1987, buscando competir com as grandes emissoras NBC, ABC e CBS. Seu modelo de venda de publicidade era mais barato e permitia o financiamento de minisséries de longa duração e voltadas para um público adulto, como “The B*stard” e “Evening in Byzantium”. Para Jaffe, essa poderia ser a última alternativa para levar “Atlas Shrugged” ao ar na televisão.
Mesmo com essa estratégia, o projeto não avançou. Conforme o livro “The History of the Atlas Shrugged Movie Trilogy” de Joan Carter, os direitos para adaptar o romance ao cinema foram adquiridos apenas em 1992 pelo produtor John Aglialoro. Diversos roteiros foram criados e descartados até que o filme finalmente foi lançado em uma trilogia entre 2011 e 2014, com diferentes diretores e elencos para os personagens principais, mantendo apenas Aglialoro como produtor constante.
Imagem: Divulgação
Apesar da mensagem do livro valorizar a autonomia e o mercado livre, a trilogia não obteve sucesso comercial, tendo parte do financiamento para o terceiro filme captado via campanha no Kickstarter e acumulando prejuízos financeiros.
Os episódios da rejeição pelas redes de TV e as dificuldades para filmar “Atlas Shrugged” evidenciam os desafios de adaptar uma obra densa e filosoficamente complexa para o público mainstream.
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Com informações de SlashFilm
