Apesar de alguns desses filmes já se aproximarem dos 100 anos, os faroestes produzidos na década de 1930 permanecem clássicos que valem a pena serem assistidos atualmente. Embora o cinema antigo possa afastar alguns espectadores modernos, vários títulos desse período são essenciais para compreender a história do cinema, especialmente no gênero faroeste.
Após o esplendor da era do cinema mudo, Hollywood sofreu um grande impacto durante a Grande Depressão. Os orçamentos foram reduzidos drasticamente e o sistema de estúdios passou por mudanças profundas. O faroeste, em especial, sofreu muito, passando de um gênero glamoroso para filmes B de baixo custo. A produção anual do gênero caiu ao menor nível desde o começo do cinema, e só se recuperou completamente na metade da década de 1940.
Mesmo assim, diretores e atores persistiram na produção de faroestes durante a crise, moldando o futuro do gênero. Nos anos 1930, estrelas como John Wayne e Randolph Scott surgiram, e cineastas como John Ford consolidaram seu papel na chamada Era de Ouro de Hollywood.
Com menos dinheiro disponível, as histórias nos faroestes ficaram mais ricas e complexas, compensando a ausência dos grandes espetáculos visuais. Os melhores faroestes da década apresentaram personagens e narrativas que continuam impactantes. Embora poucos sejam populares hoje em dia, esses filmes são obras essenciais do gênero que merecem ser conferidas ao menos uma vez.
10. Frontier Marshal (1939)
A história real de Wyatt Earp e da cidade de Tombstone já encantou gerações e Frontier Marshal, de 1939, foi um dos primeiros filmes a retratar esse tema. Randolph Scott interpreta Earp, que chega à cidade tentando estabelecer a ordem. Apesar do enredo conhecido, são os personagens secundários que se destacam.
Binnie Barnes dá vida à personagem Jerry, uma mulher complexa e moralmente ambígua, incomum para o faroeste da época. O filme, mesmo que mais rústico e ao estilo dos filmes B, destaca o tom mais duro do Velho Oeste, uma característica que faria parte da carreira de Scott no gênero.
9. The Texas Rangers (1936)
Dirigido por King Vidor, um dos grandes nomes da Era de Ouro, The Texas Rangers é um título pouco lembrado, mas que merece atenção. Três bandidos entram para a corporação dos Rangers para despistar a lei, mas um deles acaba tendo uma mudança de postura. O jovem Fred MacMurray brilha em um de seus primeiros papéis principais.
Embora siga um roteiro convencional, o filme é bastante divertido e aborda um dilema moral interessante, o que ajuda a manter a narrativa ágil. É uma demonstração do potencial de flexibilidade do gênero quando conduzido por um bom cineasta.
8. Law and Order (1932)
Law and Order detém o mérito de ser o primeiro filme a mostrar o tiroteio no O.K. Corral, ainda que de forma ficcionalizada. Um delegado chamado Frame Johnson chega à cidade de Deadwood, Arizona, e enfrenta uma gangue local que governa pelas armas. Por ter sido produzido antes do Código Hays, apresenta um tom mais sombrio que a maioria dos faroestes da década.
O filme se destaca por desconstruir os ideais idealizados do faroeste antigo, interrogando o que realmente significa justiça em um mundo violento. Com duração de apenas 75 minutos, é um longa rápido e envolvente, e pode ser considerado uma precursora dos faroestes psicológicos que viriam depois.
7. Dodge City (1939)
Depois de um período de quase extinção, os faroestes épicos retornaram com força em 1939, exemplificados por Dodge City. Estrelado por Errol Flynn, que interpreta um vaqueiro que chega à cidade de Dodge City, Kansas, para impor a lei após anos de anarquia. O filme conta com visuais impressionantes e atuações marcantes.
Dodge City destaca-se pela grandiosidade comparada a outros faroestes da época, refletindo a retomada de Hollywood após a Depressão. Olivia de Havilland e Flynn formam um par romântico convincente, enquanto a direção de Michael Curtiz confere estilo e brilho à produção, elevando o gênero.
6. Three Godfathers (1936)
Embora a versão de 1948 dirigida por John Ford seja a mais famosa, Three Godfathers de 1936 não deve ser ignorado. Três bandidos assaltam um banco na véspera de Natal e, fugindo pelo deserto, encontram uma mulher moribunda e seu bebê. O filme explora tanto o melhor quanto o pior da natureza humana, tema frequente no faroeste.
Ao contrário da adaptação posterior, esta tem um tom mais sombrio, reforçando a dureza do Velho Oeste. Com personagens que parecem reais e um roteiro com bom ritmo, é considerado um dos tesouros ocultos do gênero nos anos 1930.
Imagem: Divulgação
5. Union Pacific (1939)
Se alguém podia resgatar o faroeste da crise nos anos 1930, esse alguém era Cecil B. DeMille. Com um orçamento elevado e escopo grandioso, Union Pacific retomou o lado épico do gênero. O enredo gira em torno de um empresário rival que tenta atrasar a construção da ferrovia Union Pacific para favorecer seus próprios negócios, enquanto várias tramas paralelas enriquecem a narrativa.
Considerado um dos grandes espetáculos de 1939, Union Pacific recebeu indicação ao Oscar pelos efeitos especiais e estava programado para o primeiro Festival de Cannes, que não aconteceu devido à Segunda Guerra Mundial. Embora não tão sofisticado quanto outros faroestes da década, impressiona por sua amplitude.
4. The Plainsman (1936)
Também dirigido por Cecil B. DeMille, The Plainsman é uma aventura que mistura personagens históricos conhecidos em uma trama cheia de entretenimento. Wild Bill Hickok salva Calamity Jane de um ataque indígena e busca justiça contra o fornecedor das armas dos inimigos. Gary Cooper (no papel originalmente pensado para John Wayne) e Jean Arthur formam um casal interessante no filme.
Ao contrário de outras produções grandiosas de DeMille, este filme tem uma abordagem mais tradicional de faroeste, com ação e personagens marcantes. Apesar de se afastar da precisão histórica e refletir os costumes da época, é um dos títulos mais divertidos e importantes do gênero na década.
3. The Big Trail (1930)
The Big Trail inaugura a década com um faroeste estrelado por John Wayne em seu primeiro papel principal. O filme acompanha um caçador de peles que ajuda a escoltar uma caravana por territórios perigosos, enquanto lida com questões de romance e vingança. A produção se destaca por sua complexidade e por retratar as diversas camadas de conflito típicas do Oeste americano.
Dirigido por Raoul Walsh, o filme vai além da simplicidade habitual da época e apresenta uma mistura equilibrada de ação e aventura, capturando a grandiosidade do Oeste nos cinemas. Sem concorrentes diretos na década, seria facilmente considerado um faroeste imperdível dos anos 1930.
2. Destry Rides Again (1939)
A comédia muitas vezes envelhece mal, mas Destry Rides Again continua igual desde 1939. Quando um fora da lei domina a cidade de Bottleneck, um lendário xerife envia seu filho para restabelecer a ordem. James Stewart é o herói não convencional, trazendo seu carisma típico que conquista o público.
Ao lado de Marlene Dietrich, Stewart forma uma dupla com entrosamento notável. O filme utiliza diversos clichês do faroeste, porém os subverte com sutilezas que resultam em muitas risadas. Além disso, defende a paz em um momento histórico de tensão mundial, evitando glorificar a violência.
1. Stagecoach (1939)
Embora vários faroestes clássicos apareçam nesta lista, nenhum supera o marco representado por Stagecoach, dirigido por John Ford em 1939. Um grupo variado embarca na diligência homônima, cada um com seus motivos para atravessar uma região perigosa rapidamente. Durante a viagem, eles se juntam a um fora da lei que os ajuda em situações difíceis.
Se The Big Trail foi a estreia de John Wayne, Stagecoach consolidou sua carreira no gênero. O filme é um exemplo de roteiro eficiente, com cada cena cumprindo seu papel sem desperdícios. Com ritmo acelerado, desenvolve os personagens profundamente, além de combinar a aventura típica da época com temas mais complexos, como reputação e integração social. Stagecoach não é apenas o melhor faroeste dos anos 1930, mas também um dos maiores filmes de todos os tempos.
Esses títulos representam o valor histórico e artístico dos faroestes da década de 1930, destacando a evolução do gênero mesmo em tempos econômicos difíceis e mostrando por que são obras ainda recomendadas para os fãs do cinema clássico.
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Com informações de Screen Rant
