O filme Primetime, dirigido por Lance Oppenheim, acompanha a ascensão e queda de Chris Hansen e do programa To Catch a Predator, exibido na NBC. A produção explora como o programa revolucionou a televisão e a percepção pública sobre justiça, apresentando Hansen como um justiceiro que confrontava predadores sexuais, tornando o público parte ativa dessas ações.
Em Primetime, Robert Pattinson interpreta Hansen, que colaborava com o grupo Perverted Justice para atrair suspeitos que acreditavam estar encontrando crianças. O programa teve apenas 20 episódios em três anos, uma prova do esforço envolvido na produção dessas operações. A produtora Andie Bender, personagem de Merritt Wever, aparece no filme como uma figura enigmática, cuja dedicação ao trabalho é tão obsessiva quanto a do próprio Hansen.
Hansen expõe, em uma das cenas de destaque, que seu objetivo final é erradicar o mal do planeta. No entanto, o filme questiona a definição do mal: seria o predador escondido no seu lar, o sequestrador de crianças em outra parte do mundo, ou mesmo o apresentador que lucra com o sofrimento alheio? Primetime não busca respostas definitivas para essas questões.
Uma reflexão sobre justiça e exposição midiática
Mais do que responder, o filme representa um convite à reflexão sobre por que aceitamos que o mal entre em nossas casas, seja fisicamente ou pela televisão, e o que acontece quando isso ocorre. No universo criado, Hansen atua para deter o mal, alimentando a audiência de seu programa na busca por um sucesso maior que o da série Lost e um esforço pessoal para manter seu casamento apesar das próprias falhas morais.
A relação entre a vida pessoal de Hansen e o tema principal do filme não se desenvolve plenamente, assim como alguns objetivos narrativos da obra, mas isso não diminui a força da história contada.
O elenco de apoio liderado por Merritt Wever, Skyler Gisondo e a cantora Phoebe Bridgers é fundamental para a construção da trama. Bridgers e Gisondo interpretam decoys que transitam entre uma fachada juvenil perturbadora e uma moralidade que ecoa a de Hansen, embora sem atingir a mesma intensidade. A tensão moral aumenta quando o personagem de Gisondo começa a questionar suas próprias ações.
Terceiro ato tenso e atual
O ponto culminante acontece no terceiro ato, inspirado numa reportagem de 2007 da Esquire chamada “Tonight on Dateline This Man Will Die”, que detalha o episódio responsável pelo fim do programa de Hansen. A dramatização ganha relevância atual ao refletir sobre as consequências da justiça feita por vigilantes, questionando a validade e os riscos desse tipo de exposição midiática.
Apesar das falhas, Primetime apresenta um retrato impactante e que mantém sua pertinência nos dias de hoje. Embora To Catch a Predator tenha saído do ar, programas semelhantes continuam em outras redes e plataformas, inclusive no YouTube, demonstrando o alcance e a influência do conceito. O longa serve, assim, como uma espécie de origem e alerta sobre os limites do espetáculo da justiça.
Primetime estreia nos cinemas em 25 de setembro de 2026.
Imagem: Divulgação
Robert Pattinson interpreta Chris Hansen
Merritt Wever vive Andie Bender
Direção: Lance Oppenheim | Roteiro: Ajon Singh | Produção: Ari Aster, Brian Kavanaugh-Jones, Brighton McCloskey, Fred Berger, Lars Knudsen, Robert Pattinson, William Iannaccone
Duração: 110 minutos | Gêneros: Crime, Drama, Suspense
Primetime recebeu nota 8/10 em avaliação crítica.
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Com informações de Screen Rant
