A Disney enfrenta um desafio recorrente em suas adaptações live-action: manter a essência dos filmes originais sem perder frescor. A próxima produção, baseada no filme “Enrolados” (2010), precisa superar essa dificuldade para não repetir os problemas do remake de “Moana” previsto para 2026. Embora este último tenha bons elementos, a fidelidade extrema ao filme animado trouxe uma perda da energia e do charme original, deixando o projeto com ar de cópia cara e desnecessária.
Rapunzel Precisa Ser Mais que Uma Princesa Disney
O encanto de Rapunzel não está no fato de ela ser uma princesa, mas sim em sua personalidade excêntrica. Crescida trancada numa torre, ela desenvolveu uma curiosidade intensa, criatividade, bom humor e uma obsessão por conhecer o mundo exterior. Essa complexidade precisa estar clara no live-action.
Rapunzel deve parecer desajeitada ao sair da torre, ao mesmo tempo em que se mostra entusiasmada, assustada, impulsiva e às vezes até atrapalhada. Ela é a protagonista da própria trajetória, quem conduz a aventura e não a donzela a ser salva. Flynn vai junto porque ela comanda a situação, não o contrário.
O live-action deve preservar essa energia contagiante, sem tentar torná-la uma princesa “realista” demais. A essência do filme animação – o uso da frigideira como arma, o longo cabelo, o caos à sua volta e suas reações exageradas – faz parte da diversão e da identidade da personagem.
Química Entre Rapunzel e Flynn Deve Funcionar
A relação entre Rapunzel e Flynn é uma das mais interessantes da Disney justamente por sua disparidade. Enquanto ela viveu isolada, ele é um ladrão esperto e falante. O encontro entre eles é inusitado: Rapunzel o nocauteia com uma frigideira e esconde uma coroa roubada. Ela não é salva, mas sim quem propõe um acordo que leva os dois a um passeio pelos sonhos dela.
Durante essa jornada, eles se conhecem e ultrapassam as primeiras impressões. Flynn percebe que sua fachada de criminoso confiante é apenas uma máscara, e Rapunzel reconhece as qualidades dele mesmo após passar pelos momentos inusitados, como no bar dos criminosos, que revela sua capacidade de ver o melhor nas pessoas.
No live-action, é essencial que essa evolução seja convincente. O romance não deve surgir apenas pelo físico ou título, mas sim pela mudança gradual que cada um provoca no outro, desafiando suas visões de mundo.
A Música Não Pode Ser Um Detalhe Secundário
As músicas do filme original são memoráveis e o live-action precisa prestar atenção extra ao recriá-las. Não basta ter atores que saibam cantar; as interpretações devem evitar exageros e teatralidade forçada.
“When Will My Life Begin?” é o retrato dos sonhos de Rapunzel no seu cotidiano monótono, e transformá-lo em um número grandioso poderia mascarar a solidão por trás da letra. Já “I’ve Got A Dream” se destaca pelo humor causado pela seriedade com a qual criminosos estranhos falam de seus sonhos; o live-action tem que aceitar um pouco de bobeira sem perder a naturalidade.
Além disso, o novo elenco deve evitar reproduzir à risca as performances animadas, buscando trazer emoções genuínas para as canções – “I See The Light”, por exemplo, precisa transmitir a transformação sentimental dos personagens, e não apenas exibir vozes potentes.
Mother Gothel Deve Ser Realmente Aterrorizante
A antagonista Mother Gothel precisa se tornar progressivamente mais ameaçadora à medida que Rapunzel se aproxima da liberdade. Inicialmente, sua dominação deve passar despercebida, com gestos de cuidado que mantêm Rapunzel presa sob o pretexto de proteção.
Ao perceber que Rapunzel quer sair, Gothel começa a revelar seu lado cruel, atacando a autoconfiança da jovem e fazendo-a duvidar da própria capacidade de sobreviver sozinha. Quando a verdade vem à tona, a figura inicialmente doce deve se transformar numa presença possessiva e manipuladora, deixando claro que seu interesse nunca foi maternidade, mas controle.
A Cena das Lanternas Precisa Superar as Expectativas
A cena em que Rapunzel e Flynn observam as lanternas é uma das mais icônicas do filme original e o ponto alto esperado do live-action. Essa sequência deve transmitir a emoção da personagem ao presenciar o evento que acompanhou da torre ao longo dos anos e a transformação da relação entre os protagonistas.
Mais importante do que os efeitos visuais impressionantes, o foco precisa estar nas emoções – a alegria, espanto e realização de Rapunzel ao finalmente alcançar seu sonho, e a mudança no vínculo entre ela e Flynn, que deixa de ser apenas um aliado temporário para algo mais profundo. A canção “I See The Light” deve servir como trilha emocional desse momento, não simplesmente uma música de fundo para uma sequência gráfica.
Imagem: Divulgação
“Enrolados” Não Pode Ser Apenas Uma Reprodução do Filme Animado
A fidelidade ao filme original não basta caso o remake não ofereça motivos para reviver a história. Repetir cenas importantes sem acrescentar profundidade aos personagens e ao cenário pode resultar em um filme sem identidade própria, apenas com orçamento maior.
O live-action tem potencial para mostrar o isolamento de Rapunzel de modo mais intenso, contrastando o silêncio quase sobrenatural da torre com a intensidade e diversidade do reino ao redor. Esse contraste revela o impacto da primeira saída da jovem, transformando o deslocamento em algo palpável e significativo para o público.
O reino deve se apresentar como um ambiente caótico, vibrante e cheio de estímulos, enquanto a torre permanece um espaço estreito e previsível, enfatizando o sonho de Rapunzel por liberdade e descoberta.
Essa diferença, que pode ser explorada pelo formato live-action, ampliaria a narrativa sem alterar o enredo conhecido pelo público, mostrando claramente o que Rapunzel perdeu e o que ela finalmente ganha ao sair da torre.
Enrolados
Gêneros: Aventura, Fantasia, Família, Comédia
Lançamento: 31 de março de 2028
Direção: Michael Gracey
Roteiro: Jennifer Kaytin Robinson, Michael Montemayor
Produção: Michael De Luca, Kristin Burr
Elenco
- Teagan Croft – Rapunzel
- Milo Manheim – Flynn Rider
- Kathryn Hahn – Mother Gothel
- Diego Luna – Hawthorne
O live-action de “Enrolados”, com lançamento marcado para março de 2028, deve equilibrar respeito ao original com elementos que justifiquem sua existência, trazendo Rapunzel e Flynn de volta com autenticidade e emoção. Dessa forma, evitará os tropeços de outras remakes recentes da Disney.
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Com informações de Screen Rant
