A série Lioness, criada por Taylor Sheridan e disponível no Paramount+, tem sido alvo de críticas pela representação que faz do grupo real que inspirou a história. Embora o drama espionagem estrelado por Zoe Saldaña tenha alcançado grande popularidade com três temporadas, membros do verdadeiro Team Lioness contestam a precisão das narrativas apresentadas na produção.
Na série, Saldaña interpreta Joe McNamara, uma oficial sênior da CIA encarregada do programa Lioness, que envolve agentes femininas se infiltrando em redes terroristas para coletar informações. No entanto, Ranie Ruthig, integrante original do programa real, manifestou insatisfação com a adaptação da história. “Me irrita que nada do que fizemos tenha sido fielmente representado. O nome Team Lioness foi apropriado e transformado em algo relacionado à espionagem”, afirmou Ruthig em entrevista ao The Telegraph. Embora elogie a habilidade de Sheridan como roteirista e admita ter acompanhado suas outras séries, ela denuncia a distorção da verdadeira experiência das mulheres envolvidas.
Diferenças entre ficção e realidade do Team Lioness
Ao contrário da série, o Team Lioness original não fazia parte da CIA, mas era composto por militares femininas auxiliares no Iraque que não podiam atuar em posições de combate. Elas foram convocadas para realizar buscas em outras mulheres em pontos de controle e residências, uma tarefa considerada essencial devido aos limites impostos às soldados do sexo feminino.
Essas mulheres atuaram em situações de extremo risco, mas tiveram suas contribuições pouco reconhecidas oficialmente e enfrentaram problemas como o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), muitas vezes desconsiderado. Rebecca Martinez, ex-membro do Team Lioness, revelou que foi desacreditada por um psiquiatra ao relatar seu TEPT: “Disseram que eu não poderia ter PTSD por ser um cargo de apoio e mulher. Como não teria PTSD depois de ver meus colegas feridos e ser alvo de tiros?”, relatou.
Documentaristas e ex-integrantes criticam “recriação” da história
Daria Sommers, co-diretora de um documentário sobre o programa, também opinou sobre a produção: “A série não tem base na realidade. Não critico as atrizes Nicole Kidman ou Zoe Saldaña, que merecem papéis de destaque, mas Taylor Sheridan deveria ter escolhido outro nome para o programa. Assim, evitaríamos esta discussão.” Ela questiona quem foi consultado durante a criação do roteiro.
Michelle Dallocchio, outra ex-membro, descreveu a produção como uma “apropriação”. Segundo ela, a série transforma uma história complexa das mulheres em uma versão “mais segura e sanitizada para consumo em massa”, apagando as experiências reais das envolvidas.
Imagem: Divulgação
As críticas dirigem-se à produção e à representação dos fatos, não aos atores do elenco, formado também por Nicole Kidman, Michael Kelly, Laysla De Oliveira, Dave Annable, Jill Wagner, Hannah Love Lanier, Thad Luckinbill e Genesis Rodriguez.
Recepção da série e audiência
Desde sua estreia em 2023, Lioness tem atraído um público expressivo, com a Paramount+ classificando o lançamento da série como o de maior audiência em sua plataforma até o momento. A recepção crítica inicial foi mista, mas as últimas temporadas receberam avaliações melhores, mantendo 76% de aprovação média no Rotten Tomatoes, com a terceira temporada alcançando 85%.
Novos episódios da terceira temporada são divulgados semanalmente aos domingos no Paramount+.
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Com informações de ScreenRant
