Dois seriados de terror intitulados “American Gothic” foram exibidos pela CBS, ambos com duração de apenas uma temporada, o que pode causar confusão. Em 2016, a série estrelada por Juliet Rylance abordou a descoberta de que o pai recém-falecido de uma família de Boston havia sido um serial killer. Contudo, este texto se concentra na versão original de 1995, criada por Shaun Cassidy, com produção executiva de Sam Raimi e Rob Tappert, e elenco que incluía Gary Cole, Lucas Black ainda jovem, Brenda Bakke e Sarah Paulsen em um dos seus primeiros papéis.
Mesmo com participação apenas na produção executiva, Sam Raimi contribuiu para que o seriado se diferenciasse por sua atmosfera mais sombria, com tons pesados de violência e decadência moral, destoando do humor e melodrama presentes em outros de seus projetos. “American Gothic” retratava a corrupção e o ciclo de abusos provocados por pais malignos.
Enredo ambientado em cidade fictícia de South Carolina
A trama se passa na fictícia cidade de Trinity, em South Carolina, e acompanha as ações do corrupto xerife Buck (Gary Cole), um personagem sádico que pratica homicídios e crimes sexuais impunemente, impulsionado por poderes sobrenaturais que lhe permitem manipular a mente das pessoas para cometerem o mal.
Logo no início, Caleb (Lucas Black), descoberto como filho ilegítimo de Buck, fruto de um estupro, fica órfão após a mãe cometer suicídio. Sua meia-irmã Merlyn (Sarah Paulsen), que presenciou o crime, é assassinada pelo xerife ainda no episódio piloto, que tenta transformar Caleb em seu discípulo maligno.
Esse enredo reforça o caráter sombrio da série, afastando-se de propostas mais leves ou convencionais do gênero.
Enredo influenciado por Stephen King e marcado por conflito moral
Merlyn reaparece como fantasma, acompanhando a luta de Caleb entre o bem e o mal. A contra-força ao mal do xerife fica por conta da prima de Caleb, Gail (Paige Turco), e do médico itinerante Matt Crower (Jake Weber), que assume os cuidados do jovem após a morte dos pais. O fantasma de Merlyn oferece conselhos sobrenaturais para impedir que o mal se imponha.
Diferentemente da maioria das séries de primetime nos anos 1990, “American Gothic” apresenta uma narrativa altamente serializada, com o personagem principal navegando por dilemas morais ao longo dos episódios. Caleb desenvolve uma aproximação emocional maior com Merlyn, que em determinado episódio precisa de um funeral, e em outro pode possuir bebês.
Além disso, a série funciona como uma espécie de novela, explorando os segredos sombrios dos moradores da pequena cidade. A corrupção que Buck espalha afeta várias esferas de Trinity, com episódios dedicados a ondas de crime, uma epidemia, e até o incentivo do xerife para que alcoólatras continuem bebendo. No último episódio, chega a surgir o fantasma do Boston Strangler.
O tom geral da série é sombrio e pessimista, transmitindo a ideia de que Buck pode sair vitorioso, situação que se agrava quando Gail descobre estar grávida de outro filho do xerife, potencialmente maligno.
Imagem: Divulgação
“American Gothic” teve apenas uma temporada de 22 episódios
A série conseguiu completar sua única temporada de 22 episódios, oferecendo bastante conteúdo para o público. Apesar disso, a produção não foi renovada, encerrando sua trajetória de forma precoce. Há especulações sobre como teria sido caso continuasse por 10 a 12 temporadas, crescendo em intensidade e bizarrice.
O programa se destacou por sua ambição e tempero que mesclava elementos típicos de Stephen King e a atmosfera dos quadrinhos “Tales from the Crypt”. Atualmente, não está disponível em plataformas de streaming, mas pode ser adquirido em formato digital em serviços como Prime Video e Apple TV.
Durante sua exibição, “American Gothic” foi pouco notada e desapareceu rapidamente da atenção do público. No entanto, a série conquistou fãs fiéis e seguidores cultivos nos últimos 30 anos, que escrevem sobre ela em artigos pessoais e publicações especializadas em terror, como a revista Bloody Disgusting, que destacou sua semelhança com outras produções do início dos anos 1990, além de apontar influências do cultuado “Twin Peaks”, o que justificaria a narrativa não linear e elementos excêntricos.
Gary Cole, intérprete do xerife Buck, guarda boas lembranças da série, declarando em entrevistas que este é um de seus papéis preferidos. Ele ressaltou que “American Gothic” foi pioneira ao pedir que a audiência acompanhasse e até simpatizasse com um personagem malígno, algo comum à época pós-“Breaking Bad”.
A série permanece um marco pouco reconhecido da televisão de terror dos anos 1990, encerrada prematuramente após sua abordagem ousada e inovadora.
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Com informações de SlashFilm


