A quarta temporada de “Star Trek: Strange New Worlds” apresenta novamente o personagem Trelane (Rhys Darby), um jovem Q que havia manipulado Spock (Ethan Peck) e Christine Chapel (Jess Bush) na segunda temporada da série. Desta vez, Trelane força a tripulação da Enterprise a encenar uma trama de novela, onde apenas o Capitão Christopher Pike (Anson Mount) percebe a situação estranha, devido a seus conflitos emocionais pessoais. O apoio para lidar com essa questão vem da conselheira da nave, Dra. Chivers.
A referência ao universo das novelas está presente no título do episódio, “Like Chronitons Through the Hourglass”, que brinca com a famosa frase de abertura da novela “Days of Our Lives”. A atriz Deidre Hall, veterana da novela desde 1976 no papel da Dra. Marlena Evans, interpreta a Dra. Chivers, conferindo maior autenticidade à personagem.
A ideia de um conselheiro a bordo da Enterprise remete à série “Star Trek: The Next Generation”, onde Deanna Troi (Marina Sirtis) exercia a função, frequentemente criticada por fãs pela suposta ineficácia do personagem e pela familiaridade excessiva entre terapeuta e capitão.
Strange New Worlds destaca utilidade real do conselheiro na nave

A Dra. Chivers é apresentada de maneira mais aceitável que Troi, já que não integra a tripulação da ponte. Ela revela que o Capitão Pike tem evitado suas consultas, justificando sua ausência até o momento na narrativa. Esse afastamento reforça a mensagem do episódio: diante das inúmeras situações extremas vividas pela tripulação semanalmente, a terapia a bordo seria fundamental para o bem-estar de todos.
No enredo proposto por Trelane, uma reviravolta dramática faz com que Uhura (Celia Rose Gooding) seja revelada como filha perdida de Pike. Para libertar a tripulação do controle de Trelane, Pike precisa levar a trama a sério, mas descobre que esse cenário reflete traumas pessoais relacionados à perda de sua verdadeira filha, Juliet (Anna Mirodin).
No final da terceira temporada, Pike enfrentou uma experiência dolorosa com a morte transcendental de sua parceira, Capitã Marie Batel (Melanie Scrofano), que lhe presenteou com uma visão do futuro que teriam juntos, incluindo uma filha. O episódio conclui com uma despedida emocional entre Pike e Juliet, seguido de um momento em que o Capitão finalmente chora em frente à Dra. Chivers, demonstrando sua vulnerabilidade.
Comparação entre a abordagem emocional de Pike e Picard

O episódio remete à emblemática história “The Inner Light” da série “Star Trek: The Next Generation”, em que Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) vive uma vida inteira em poucos minutos a partir de um evento alienígena. Picard é retratado como um homem reservado, que raramente demonstra suas emoções abertamente para a tripulação.
Imagem: Divulgação
Ao contrário de Picard, Pike se mostra mais acessível e receptivo ao trabalho da Dra. Chivers, o que reforça o valor do conselheiro. Vale lembrar que, mesmo na franquia “Next Generation”, a função já foi vista como questionável. No último ano da série, Deanna Troi passou a usar uniforme oficial da Starfleet e buscou uma formação mais técnica para melhorar sua atuação.
Além disso, a série animada “Star Trek: Lower Decks” satirizou a função do conselheiro da nave por meio do personagem Dr. Migleemo, que se mostrou incompetente e pouco pertinente. Diferentemente desse tom cômico, “Strange New Worlds” oferece uma justificativa sincera e necessária para a presença de um terapeuta a bordo da Enterprise.
“Star Trek: Strange New Worlds” está disponível para streaming no Paramount+.
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Com informações de SlashFilm
