No terceiro episódio da 4ª temporada de “Star Trek: Strange New Worlds”, intitulado “Human Best Friend”, a tripulação da USS Enterprise enfrenta a necessidade urgente de uma pausa. O roteiro coloca os personagens em um planeta resort chamado Seznar Grand, cuja atmosfera peculiar faz os visitantes sentirem-se intoxicados, como se tivessem consumido álcool ou substâncias. Spock (Ethan Peck), apesar de sua disciplina vulcana, começa a ter alucinações ao visualizar James Kirk (Paul Wesley) em seu quarto.
A trama tem um tom cômico, com Ortega (Melissa Navia) e Scotty (Martin Quinn) precisando encontrar a nave do qual não lembram onde estacionaram por conta dos efeitos do ambiente, caracterizando uma linha cômica similar a comédias sobre o uso de drogas.
Outros membros da tripulação também se envolvem em situações semelhantes. Uhura (Celia Rose Gooding) assume uma postura espirituosa e fala sobre jornadas pessoais, enquanto o Dr. M’Benga (Babs Olusanmokun) se diverte atuando como bartender para os hóspedes do resort, tropeçando e derrubando garrafas. A comandante Chin-Riley (Rebecca Romijn) aparece usando uma longa pena colorida e se inscreve para cantar várias músicas no karaoke, destacando-se ao interpretar “Total Eclipse of the Heart”, de Bonnie Tyler, na língua klingon.
Curiosamente, os criadores do episódio não previam a morte de Bonnie Tyler em 8 de julho de 2026 enquanto desenvolviam o roteiro, fazendo de “Human Best Friend” uma homenagem não intencional à cantora e sua música mais famosa.
Carreira de Bonnie Tyler e sucesso de “Total Eclipse of the Heart”
Bonnie Tyler, cantora galesa, teve seu primeiro sucesso nos Estados Unidos em 1977 com a música “It’s a Heartache”, presente no álbum “Natural Force”. Contudo, seu maior sucesso veio em 1983 com “Total Eclipse of the Heart”, faixa do álbum “Faster Than the Speed of Night”, que alcançou o disco de platina e popularidade global.
O hit foi escrito e produzido por Jim Steinman, conhecido também por seus trabalhos com Meat Loaf e pelo musical “Streets of Fire”, famoso pelo estilo grandioso e letras intensas. A voz marcante de Tyler conseguia acompanhar a dimensão dramática da canção, que ultrapassa sete minutos na versão original, um desafio para intérpretes em karaokês.
Bonnie Tyler seguiu com uma carreira ativa, lançando álbuns até 2021, sendo o último intitulado “The Best is Yet to Come”. A cantora faleceu aos 75 anos devido a complicações cirúrgicas relacionadas a uma perfuração intestinal.
A aparição de “Total Eclipse of the Heart” na série, portanto, representa uma homenagem relevante, mesmo que não planejada.
Imagem: Jan Thijs
Star Trek projeta legado cultural de Bonnie Tyler para séculos futuros
A inserção de músicas contemporâneas em “Star Trek” sempre provoca certa estranheza devido ao contexto da franquia, que se passa num futuro pós-capitalista. Exemplos anteriores incluem “Sabotage”, do Beastie Boys, e “We Are Trying to Stay Alive”, de Wyclef Jean, o que levanta questões sobre direitos autorais e licenças musicais.
No entanto, o universo da série sugere que, em séculos à frente, as músicas estarão em domínio público, permitindo que faixas modernas se tornem clássicos atemporais. A escolha de “Total Eclipse of the Heart” reforça a ideia de que esta canção continuará sendo conhecida e cantada, inclusive em versões traduzidas para idiomas alienígenas, como o klingon.
A interpretação feita por Rebecca Romijn é destacada pela voz marcante, ainda que não iguale o poder vocal original de Tyler. O episódio indica que a cantora manterá seu status como ícone cultural da humanidade mesmo em 2250 e além.
Star Trek: Strange New Worlds, portanto, celebra um legado musical que ultrapassa gerações, refletido na popularidade persistente de “Total Eclipse of the Heart” na cultura futurista da série.
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Com informações de SlashFilm
