A franquia “V/H/S” continua consolidada como um marco entre as antologias de terror, com nove filmes lançados em 14 anos. A mais recente produção, “V/H/S/Mixtape”, mantém a tradição de misturar o estilo lo-fi e found footage, acrescentando uma identidade temática mais definida à série. O filme, disponível em streaming no Shudder desde 9 de outubro de 2026, aposta na música como elemento unificador dos seus variados segmentos.
Uma temática musical que amplia a identidade da franquia

Desde a estreia da série, os filmes “V/H/S” combinaram estética analógica com histórias de terror em formato de fitas encontradas, servindo também como plataforma para cineastas independentes emergentes e veteranos do gênero. “V/H/S/Mixtape” segue essa linha de trabalho, porém é o primeiro a explorar a música como tema principal, trazendo segmentos que dialogam com canções, instrumentos e sons inquietantes.
O segmento de ligação, dirigido por Flying Lotus e estrelando a banda de heavy metal GWAR, se destaca por integrar naturalmente as histórias em um programa fictício no estilo MTV vintage. Repleto de humor ácido característico, esse núcleo torna o filme mais fluido, superando a abordagem usual de construir sustos segmentados ao longo da exibição. Outros destaques incluem videoclipes originais dirigidos por nomes como RZA, Tobias Forge, da banda Ghost, e o próprio Flying Lotus.
Aspectos técnicos e narrativa que apresentam desafios

A ordem dos segmentos em “V/H/S/Mixtape” reforça a ideia do título, já que a montagem do filme se assemelha a uma mixtape, onde a sequência de apresentações é fundamental para o impacto geral. Contudo, essa disposição nem sempre favorece a experiência. O segmento “The Music of Mr. Sze”, do renomado cineasta Ernest Dickerson, baseado em contos de H.P. Lovecraft, apresenta ritmo mais lento, causando uma pausa pouco favorável no meio do longa.
Por outro lado, a proposta visual inovadora de “Heartbeat”, de David Moreau, pode dificultar a assimilação inicial do público, com a utilização de câmeras que lembram selfie sticks e GoPros. Outro segmento que destoou foi “Another Cabin”, animação musical assinada por Flying Lotus. Ainda assim, mesmo com essas irregularidades, as histórias mantêm seu valor individual, resultado natural do formato de antologia e da diversidade de diretores.
Destaques e pontos fortes do filme

Os momentos mais impactantes de “V/H/S/Mixtape” revelam o potencial da combinação entre tema coeso e expressão individual dos criadores. “Dance, Dance, Dance, Dance”, de Renee Zhan e Zoe Cooper, conta com recursos do Jim Henson’s Creature Shop, trazendo para o público uma produção que homenageia o horror com tom adulto e inovador, lembrando a abordagem de “Buddy”, sucesso de Casper Kelly.
Também merece destaque o segmento “Death Tone”, assinado por RZA e Matt Landsman, que mistura violência criativa e efeitos práticos em uma narrativa que dialoga com o cinema de exploração, sem abrir mão da originalidade. Essa sintonia entre temática musical e thriller consolidada pela última produção mostra que a franquia finalmente encontrou uma fórmula estável para unir seus variados talentos.
Imagem: Divulgação
O futuro da série inclui um décimo filme anunciado com parceria envolvendo a Fundação SCP, organização fictícia conhecida por histórias de terror e mistério. Após o que pode ser visto como uma trilogia temática encerrada com “Mixtape”, a possibilidade de mudanças na abordagem da franquia é grande, mantendo a expectativa sobre sua evolução para os fãs e críticos.
A nota atribuída ao filme é 8 de 10.
“V/H/S/Mixtape” está disponível para streaming no Shudder a partir de 9 de outubro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
