O cinema de horror vem apresentando um novo subgênero em ascensão conhecido como horror liminal. Esse movimento tem ganhado destaque neste ano com produções como “Backrooms” e “Exit 8”, que trouxeram o estilo para o público mainstream. Embora suas referências tenham origens em surrealismo e outras vertentes do gênero, a forma como o horror liminal se consolidou entre jovens cineastas chama atenção. Mesmo filmes que não pertencem exclusivamente ao subgênero, como “Undertone” e “Obsession”, exibem traços desse estilo.
Na semana desta estreia, a Neon lança “It Ends”, primeiro longa do diretor e roteirista Alexander Ullom, na faixa dos 20 anos, que reforça ainda mais a presença do horror liminal no circuito. O filme acompanha quatro amigos jovens que, durante um reencontro após a faculdade, ficam presos em uma estrada florestal aparentemente sem fim. A trama funciona como uma metáfora para o sentimento de desorientação, angústia e incerteza vivenciados por muitos, especialmente jovens adultos. Ullom traz a experiência pessoal ao abordar temas amplos de estagnação cultural e questões sociais atualmente vigentes.
Alex Ullom explica o interesse pelas imagens liminares no cinema de horror

Um aspecto marcante de “It Ends” é a dinâmica dos personagens, confinados a um carro com os mesmos objetos em uma estrada sem término, aos poucos ficando sem nada para consumir. Essa situação simboliza o tédio que surge da repetição e aponta para a sensação de estagnação da cultura pop atual. Ao explicar esse fenômeno, Ullom observa que a ausência de novidades culturais, principalmente em Hollywood, impulsiona a atração por espaços liminares:
“Acho que tudo está sofrendo com isso. Por isso, minha geração sente uma ligação com espaços liminares, pois não temos mais um destino claro. Estruturalmente, não existem mais os pilares que antes uniam os jovens, como família tradicional, moradia, religião. Essas referências sumiram e fomos guiados a um destino que já não existe. Espaços liminares são transitórios e há um certa segurança nessa transição porque não sabemos qual será o próximo passo. Sinto que a cultura está sufocada por questões econômicas e estruturais que estagnam tudo, não vejo isso apenas como um sintoma em si.”
Essa explicação ajuda a entender a popularidade crescente do horror liminal nos últimos anos. Enquanto o discurso tecnológico prometeu infinitas possibilidades, muitos caminhos para o sucesso se fecharam, deixando as pessoas inquietas diante de um futuro incerto, representado pela estrada interminável do filme.
Amizade e parceria artística entre Alex Ullom e Kane Parsons

Além do vínculo geracional e cultural, a conexão entre filmes liminares como “It Ends” e “Backrooms” tem também uma dimensão pessoal. Alex Ullom revelou que mantém amizade com Kane Parsons, diretor de “Backrooms”, e que os dois compartilham interesses artísticos similares, influenciados por discussões em fóruns da internet.
Imagem: Divulgação
“Kane é um grande amigo, percebemos que ambos estávamos presentes em algumas dessas discussões na internet quando esse subgênero começou a ganhar força. Sempre me atraí por isso, que acabou se tornando um excelente meio para contar uma história. Gosto do trocadilho,” explicou Ullom.
Essa relação remonta a outras parcerias históricas de diretores unidos por afinidades culturais e geracionais, como os cineastas do grupo “Movie Brats” ou os mestres do terror George A. Romero e John Carpenter. Caso a geração de Ullom e Parsons siga na produção de filmes liminares, o subgênero pode se manter relevante por vários anos.
“It Ends” está em cartaz nos cinemas.
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Com informações de SlashFilm
