O longa “Fjord”, dirigido pelo cineasta romeno Cristian Mungiu, retrata a história de um casal cristão conservador norueguês acusado de maus-tratos aos filhos, que são então separados pela assistência social local. Apesar do estilo realista e da atuação elogiada de Sebastian Stan e Renate Reinsve, a obra recebe críticas por apresentar uma narrativa parcial e carregada de autocomiseração.
Baseado em caso real de separação familiar na Noruega
“Fjord” é uma adaptação ficcional da história da família Bodnariu, relatada no livro de Sherwood Dobson “Fjord: The True Story of Marius and Ruth Bodnariu, Their Children, and the Norwegian Family Separation Case”. No filme, o casal é renomeado para Lisbet (Reinsve) e Mihai Gheorghiu (Stan), vivendo com seus cinco filhos na Noruega após se mudarem da Romênia por motivos financeiros.
Os Gheorghius se destacam na comunidade por sua fé cristã fervorosa em um país majoritariamente ateu. Práticas religiosas, como orações diárias e ensino bíblico, provocam desconforto entre vizinhos e autoridades locais. Um incidente ocorre quando uma professora observa um hematoma nas costas da filha mais nova, Elia (Vanessa Ceban), e questiona os irmãos Elia e Emmanuel (Jonathan Ciprian Breazu) sobre possíveis agressões físicas em casa. A admissão de castigos leves desencadeia uma intervenção rápida do Serviço de Proteção Infantil da Noruega.
Retrato crítico do Serviço de Proteção Infantil e do sistema legal
Após a denúncia de “tapas leves”, as crianças são imediatamente removidas da residência e colocadas em famílias substitutas. Mihai é pressionado a confessar as agressões num processo ágil e impessoal. O drama acompanha o desgaste emocional e judicial do casal na tentativa de reaver a guarda dos filhos.
Mungiu utiliza um estilo sóbrio, sem adornos, e performances contidas para mostrar o cotidiano tenso dos protagonistas. No entanto, o filme apresenta um ponto de vista firme e político que favorece a visão da família enquanto vítima de um Estado “ultra-progressista” e hostil à religião cristã. Os funcionários noruegueses aparecem como figuras intolerantes, motivadas por uma agenda contra valores religiosos e conservadores, enquanto o suposto abuso físico é minimizado e nunca mostrado em cenas.
Uma narrativa parcial e polarizadora
“Fjord” convida o público a apoiar o casal diante de crimes considerados menores, como castigos físicos leves e declarações anti-LGBTQ+ proferidas pela filha caçula. Um episódio destacado fora de cena mostra Elia dizer a uma colega que ela irá para o inferno por ser lésbica, sendo a família retratada com certa indulgência.
Durante o julgamento, o promotor é apresentado de forma negativa, hostilizando os Gheorghius e questionando suas crenças religiosas. Os personagens de perfil progressista aparecem caricatos, enquanto apoiadores conservadores organizam protestos em defesa da família, enquadrando a narrativa como uma disputa entre extremos políticos, mas com forte parcialidade a favor dos conservadores.
Imagem: Divulgação
Personagens e críticas adicionais
Entre os personagens de destaque está Noora (Henrikke Lund-Olsen), adolescente vizinha e integrante da comunidade LGBTQ+, que desenvolve um relacionamento com Elia. Noora enfrenta seus próprios conflitos pessoais, como depressão e autoagressão, e tenta ajudar os irmãos Gheorghiu após a intervenção social. Sua trajetória é a mais complexa e menos maniqueísta do filme.
Além disso, Mats (Markus Tønseth), diretor da escola frequentada pelas crianças, expressa opiniões críticas sobre a fé cristã, enquanto sua esposa, Mia (Lisa Carlehed), inicialmente distante da família, passa a defendê-los no tribunal.
O longa foi avaliado com 3 de 10 pela crítica, que aponta “Fjord” como uma produção influenciada por um viés político e religioso, que privilegia uma visão parcial da situação sob o argumento de “diferenças culturais”. A estreia do filme está marcada para 9 de outubro de 2026.
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Com informações de SlashFilm
