Em 1945, a Universal Pictures, enfrentando dificuldades financeiras, vendeu 25% do estúdio ao industrial britânico J. Arthur Rank, apostando que uma fusão de quatro partes mudaria seu destino. O que aconteceu, porém, foi o oposto. Sob a direção de William Goetz, a tentativa de produzir filmes de prestígio quase levou a companhia à falência. A série Universal Monsters, anteriormente confiável, perdeu popularidade, e o estúdio recorreu à dupla de comediantes Bud Abbott e Lou Costello para juntá-los a personagens como Frankenstein, Drácula e Lobisomem. O filme “Abbott e Costello Encontram Frankenstein” acabou sendo o maior sucesso dos monstros desde a versão original de Frankenstein, de 1931, garantindo uma recuperação temporária para a Universal.
Desde então, eventos de crossover têm sido usados para revitalizar franquias em declínio, como “Alien vs. Predador”, “Freddy vs. Jason” e “Batman vs Superman: Dawn of Justice”. Essas combinações acontecem com frequência em quadrinhos e televisão, nem sempre como um sinal de desespero. Por exemplo, a Marvel reuniu vários de seus personagens no crossover “Secret Wars” em 1984, em um momento de expansão. Momentos mais inusitados, como “Superman vs. Muhammad Ali” ou a participação dos Vingadores no programa “Late Night with David Letterman”, foram criados apenas por diversão.
O novo crossover de Marvel e Star Wars reúne franquias em momento delicado
O anúncio da série em quadrinhos “Star Wars/Marvel: Hope Assembles”, escrita por Kevin Smith e prevista para janeiro de 2027, ocorre em uma conjuntura complicada. Para muitos fãs, a combinação dos heróis de Star Wars com os ícones da Marvel pode parecer um apelo desesperado, especialmente considerando o cenário comercial atual de ambas as marcas.
Apesar de “Homem-Aranha: Brand New Day” estar quebrando recordes de bilheteria, o personagem tem mantido seu sucesso constante desde o filme de Sam Raimi, em 2002. Mesmo produções menos bem avaliadas, como “O Espetacular Homem-Aranha 2”, atraem grandes públicos. Já o Universo Cinematográfico Marvel registrou mais tropeços que sucessos desde o lançamento de “Vingadores: Ultimato” em 2019.
Do lado de Star Wars, a situação é ainda mais instável. A Lucasfilm tem diluído sua marca com várias séries de streaming, enquanto os lançamentos cinematográficos, que antes aconteciam a cada três anos, se multiplicaram. O filme “O Mandaloriano e Grogu” deste ano foi um ponto de inflexão, arrecadando US$ 345,2 milhões mundialmente diante de um orçamento de US$ 165 milhões, tornando-se a menor bilheteria de um filme live-action da franquia. Isso sinaliza que as séries de Star Wars se mantêm em nichos específicos.
As bilheterias fracas de “Capitão América: Novo Mundo” e “Thunderbolts”, ambos em 2024, junto à recepção morna do recente “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, apontam para fragilidades nas duas franquias da Disney, deixando dúvidas sobre se “Hope Assembles” seria um teste para um possível crossover nos cinemas.
Imagem: Divulgação
Perspectivas para uma adaptação cinematográfica e reação dos fãs
A recepção dos fãs de Marvel Comics e Star Wars ao projeto de Kevin Smith será determinante. Conhecido fã de ambas as franquias, Smith foi escolhido para escrever esta minissérie que promete unir heróis e vilões de “Star Wars” e do Universo Marvel (Terra-616). Segundo Michael Siglain, diretor criativo da Lucasfilm Publishing, “Hope Assembles” é uma verdadeira homenagem a “Star Wars”, Marvel e ao universo dos quadrinhos, combinando o roteiro de Smith com a arte de David Marquez.
Se a série limitada fizer sucesso, existe a possibilidade de uma adaptação para o cinema, que poderia ser uma animação ou um filme live-action com personagens da trilogia sequencial, além da produção “Star Wars: Starfighter”, prevista para direção de Shawn Levy. Porém, a utilização de inteligência artificial para este projeto não é considerada.
Apesar da falta de entusiasmo geral para esta proposta, o descontentamento com os rumos recentes das franquias Marvel e Lucasfilm é evidente. Resta aguardar a resposta do público para esta iniciativa que emerge em um momento crítico para ambas as marcas.
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Com informações de SlashFilm
