James Bond sempre teve uma fórmula conhecida: salvar o mundo, conquistar uma mulher bonita e sair ileso, com seu smoking intacto. Por mais de seis décadas, o icônico agente secreto manteve essa receita, mas as ocasiões em que a franquia se afastou desse padrão são as mais marcantes.
Sean Connery definiu muitas das convenções esperadas em um filme do 007, como gadgets extraordinários, fugas surpreendentes e confrontos espetaculares com vilões fanáticos. Apesar das mudanças de época e do aumento da ambição nas cenas de ação, seus sucessores geralmente seguiram esses moldes.
No entanto, alguns longas se destacaram ao desafiar essas expectativas. George Lazenby, por exemplo, apresentou um Bond que realmente se casou; Roger Moore levou o personagem ao espaço; e Timothy Dalton mostrou um Bond que abandonou suas funções oficiais para se vingar pessoalmente. Esses eventos teriam sido impensáveis para um herói tão independente.
Com Daniel Craig, a franquia passou por transformações ainda maiores. Iniciado com Casino Royale (2006), esse Bond evidencia fragilidades emocionais e lida com as consequências de sua profissão perigosa. Até o fim da trajetória de Craig com cinco filmes, quase todas as crenças sobre o personagem foram postas em questão.
Esses 10 longas de James Bond romperam regras históricas do universo do agente 007, por vezes com resultados controversos. Nem todos os experimentos foram aceitos ou melhoraram a fórmula, mas mudaram o que o público poderia esperar do agente britânico.
On Her Majesty’s Secret Service (1969) – James Bond se Casa
Antes de On Her Majesty’s Secret Service, James Bond acumulava inúmeros romances, mas a ideia de se estabelecer com uma única mulher era inédita. No único filme de George Lazenby como 007, Bond se apaixona verdadeiramente por Tracy di Vicenzo (Diana Rigg). A relação se desenvolve durante a investigação de Ernst Stavro Blofeld e culmina no casamento.
Porém, a união dura pouco: a assistente de Blofeld, Irma Bunt, mata Tracy durante a lua de mel do casal. Essa tragédia marcou a franquia ao mostrar que Bond podia sofrer perdas profundas e reais. Tracy foi a única mulher que James Bond chegou a se casar, e sua morte é uma das perdas mais emblemáticas do personagem.
Moonraker (1979) – James Bond Vai ao Espaço
Até 1979, Bond já tinha explorado locais incríveis pelo mundo e enfrentado planos complexos. Moonraker, no entanto, levou Bond para além da Terra: Roger Moore, em seu quarto filme como 007, vai ao espaço para impedir o magnata Hugo Drax (Michael Lonsdale), que planeja exterminar a humanidade para repovoar o planeta com geneticamente selecionados.
O clímax ocorre numa estação espacial, envolvendo armas futuristas e um duelo a laser. Lançado após o sucesso de Star Wars, o filme abraçou o sci-fi mais do que qualquer outro da série até então. Embora essa aventura espacial divida opiniões, mostra como a franquia estava disposta a reinventar sua identidade.
Licence to Kill (1989) – Bond Renuncia ao MI6 para Buscar Vingança
Bond por vezes desobedece ordens, mas Licence to Kill intensifica essa postura. Após o chefe do tráfico Franz Sanchez (Robert Davi) ferir gravemente o agente da CIA Felix Leiter (David Hedison) e matar sua esposa, Bond parte para uma vingança pessoal.
Em conflito com suas obrigações para com o MI6, ele acaba sendo chamado a responder por seus atos e, diante da ameaça de perda da licença para matar, renuncia. A trama ganha um tom mais sombrio e pessoal, afastando-se de conspirações globais típicas do 007. Este filme é um dos mais marcantes na era de Timothy Dalton, evidenciando um Bond movido por motivos particulares e não por dever.
GoldenEye (1995) – Bond Pede Contas a uma Mulher
Por mais de 30 anos, o chefe do MI6 era sempre um homem. GoldenEye mudou isso ao apresentar Judi Dench como M, substituindo Robert Brown e impondo um superior que não tolera as atitudes machistas do Bond de Pierce Brosnan.
No primeiro confronto entre eles, M denuncia Bond como um dinossauro sexista, questionando seu comportamento. Isso sinaliza que o agente 007 não tem mais a aprovação automática de seus superiores. A presença de Dench trouxe uma nova dinâmica para a relação entre Bond e o serviço secreto.
The World Is Not Enough (1999) – A Bond Girl é a Vilã
Embora Bond frequentemente se envolva com mulheres ligadas a seus inimigos, The World Is Not Enough vai além dessa característica. Pierce Brosnan protege a herdeira Elektra King (Sophie Marceau), cuja família sofreu com a morte do pai, mas, surpreendentemente, ela revela ser responsável pela morte e por alianças terroristas.
Ao tornar uma tradicional Bond girl no antagonista principal, o filme ousa desfazer o clichê de par romântico ameaçado e apresenta Bond matando uma mulher pela qual se importa. Essa escolha foi inovadora e surpreendente dentro da série.
Die Another Day (2002) – Bond é Capturado e Perde o Status 00
Após inúmeras fugas impressionantes, Die Another Day começa mostrando Bond em situação de captura. Em missão na Coreia do Norte, ele é preso e torturado por 14 meses, para depois ser trocado por outro prisioneiro. Ao voltar, enfrenta suspeitas de ter traído informações, e seu status como agente 00 é cancelado.
Assim, o herói vira um risco para sua própria agência. Embora o filme retorne aos exagerados gadgets e cenas de ação habituais, sua abertura mostra um lado mais sombio e vulnerável do personagem.
Casino Royale (2006) – Bond Recomeça sem a Fórmula Tradicional
Depois de quatro filmes com Pierce Brosnan, Casino Royale redefiniu o personagem para o público. O filme mostra o início da carreira de Bond como 007, incluindo as missões que garantem seu status 00. Q e Moneypenny ficam ausentes, equipamentos tecnológicos são reduzidos e as lutas mais intensas.
Este Bond é menos confiante e mais vulnerável emocionalmente. Sua relação trágica com Vesper Lynd (Eva Green) marca uma ruptura com as tradicionais conquistas amorosas do agente. Este recomeço foi crucial para renovar a franquia, mostrando que a fórmula antiga não era indispensável.
Quantum of Solace (2008) – Primeiro Filme com Continuidade Direta
Durante décadas, os filmes de James Bond foram histórias independentes, embora alguns personagens ou vilões retornassem. Quantum of Solace interrompe essa sequência, sucedendo imediatamente os acontecimentos de Casino Royale, enquanto Bond investiga a organização por trás da traição de Vesper.
Este é o primeiro longa da franquia com uma continuação direta, dando mais peso à evolução emocional do personagem, ainda afetado pela morte de Vesper. A abordagem em série definiu a fase de Daniel Craig na franquia, apesar de respostas mistas do público.
Imagem: Divulgação
Skyfall (2012) – Bond Não Consegue Salvar M
Bond sempre protegeu líderes, reféns e impediu planos malignos. Em Skyfall, ele falha em salvar M (Judi Dench), que é alvo de assassinato pelo ex-agente Raoul Silva (Javier Bardem). Bond a leva para sua antiga casa na Escócia em busca de proteção para o confronto final.
Embora Silva seja eliminado, M morre devido aos ferimentos. Essa perda representa uma vitória rara para um vilão do 007, atingindo seu objetivo principal mesmo com a própria morte. A saída de Judi Dench do papel trouxe um desfecho dramático e mudou para sempre a relação entre Bond e a instituição MI6.
No Time to Die (2021) – Bond se Torna Pai e Morre
Por quase seis décadas, a sobrevivência de Bond era certa, independentemente do perigo. No Time to Die destrói essa garantia e traz duas grandes revelações sobre a versão de Daniel Craig do agente.
Bond descobre que tem uma filha, Mathilde, com Madeleine Swann (Léa Seydoux), o que lhe dá um motivo pessoal para proteger o futuro. No entanto, no confronto final com Lyutsifer Safin (Rami Malek), ele é infectado por nanobots que podem matar Madeleine e Mathilde se estiverem perto dele. Para proteger suas vidas, Bond escolhe ficar na ilha onde o local é destruído por mísseis, morrendo no processo.
Essa morte encerra uma norma da franquia: Jones não sobrevive mais necessariamente, encerrando uma era inédita para o personagem.
Programas de TV
Fleming: The Man Who Would be Bond
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Primeiro Filme
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Primeiro Programa de TV
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Gêneros
Ação
Elenco
Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, Daniel Craig
Esses filmes representam os momentos em que a franquia James Bond ousou inovar, quebrando modelos rígidos para manter o interesse e a relevância diante das mudanças culturais e cinematográficas.
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Com informações de Screen Rant
