O livro “Carrie”, primeiro romance publicado de Stephen King, é menor em extensão, com menos de 300 páginas, comparado a outras obras do autor, como “It”, que ultrapassa 1.100 páginas. A narrativa de “Carrie” se diferencia por ser epistolar, incluindo documentos que fazem parte do universo da história, como cartas, trechos de livros e entrevistas, além da narrativa principal.
Esses documentos oferecem explicações fundamentais, incluindo a única exposição científica sobre os poderes telecinéticos da personagem Carrie White, além de criar um clima mais assustador ao mostrar que algo terrível vai acontecer. Os principais textos internos da obra são “The Shadow Exploded”, que relata o incidente envolvendo Carrie, “My Name Is Susan Snell”, um memorial escrito anos depois, e “The Black Prom: The White Commission Report”, transcrições de investigações oficiais.
Embora importantes para a compreensão do livro, esses elementos nunca haviam sido adaptados para o cinema, provavelmente por dificultarem o fluxo narrativo e tornarem a transposição para a tela um desafio. Contudo, a série “Carrie”, de Mike Flanagan, disponível no Prime Video, resolveu inserir esse recurso, mostrando entrevistas com sobreviventes, como Sue (interpretada por Siena Agudong), relatando os acontecimentos envolvendo Carrie.
A série não explora totalmente o recurso das entrevistas
Apesar da introdução promissora, o formato de entrevistas para enquadrar a história não é explorado intensamente na série. Após o primeiro episódio, que sugere um tom de documentário de true crime, o recurso é abandonado quase por completo e reaparece apenas no último episódio para resolver pontas soltas.
Nessas ocasiões, o programa utiliza falas diretas do livro, como Sue descrevendo a fúria de Carrie como uma sombra que se agiganta e explode, ou enfatizando a juventude das personagens, embora alguns diálogos percam impacto, pois são ambientados em entrevistas feitas apenas semanas após os eventos, diferente do memorial escrito anos depois no livro.
Uma parte importante do charme da obra original é a forma como os fatos extraordinários impactariam o mundo real, passando uma sensação quase de veracidade. A produção da série, no entanto, só arranha a superfície dessa proposta e não aproveita plenamente a possibilidade de criar essa atmosfera documental.
Alterações na trama põem em dúvida a fidelidade à obra original
O uso das entrevistas também serve para introduzir uma mudança controversa na narrativa. No desfecho do primeiro episódio, Sue afirma que há detalhes desconhecidos sobre o que aconteceu no baile, mencionando pessoas no evento que ela não reconheceu, insinuando uma possível conspiração.
Imagem: Divulgação
No episódio final, revela-se que a entrevistadora (Kate Siegel, esposa de Mike Flanagan e atriz frequente em suas produções) integra um grupo de telepatas que caça Carrie. Diferentemente da história original, nesta adaptação, Carrie sobrevive ao baile e está fugindo.
Esse desenvolvimento indica que, caso haja uma segunda temporada, a série seguirá um caminho semelhante a outras obras de Stephen King adaptadas para a TV, como “Firestarter” e “Doctor Sleep”, desviando consideravelmente da trama original de “Carrie”.
“Carrie” está disponível para streaming no Prime Video.
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Com informações de SlashFilm
