O lançamento de “The Uprising”, dirigido por Paul Greengrass e estrelado por Andrew Garfield, propõe uma nova abordagem para a figura folclórica de Robin Hood, apresentando o personagem como um homem que teria inspirado a lenda. Ambientado na Inglaterra de 1381, durante a Revolta dos Camponeses, o longa tenta recontar os acontecimentos históricos dessa época, mas o resultado foi considerado enfadonho e pouco envolvente.

Estilo de direção não combina com o período histórico
A película começa mostrando Andrew Garfield como o “Ploughman”, um homem simples que perdeu mulher e filhos e trabalha no campo em uma Inglaterra devastada pela peste. O jovem rei Ricardo II, interpretado por Woody Norman, aparece como um governante fraco diante das crises sociais que levam o protagonista e outros camponeses a iniciar uma revolta. No entanto, essa introdução acontece nos primeiros dez minutos, e toda a narrativa que se segue se arrasta durante 127 minutos.
O estilo de direção de Greengrass, conhecido por câmeras tremidas e movimento rápido — marca registrada em seus filmes da franquia Bourne —, não se encaixa nesse contexto histórico. A fotografia, assinada por Pål Ulvik Rokseth, privilegia cenas filmadas por trás dos atores e close-ups digitais bruscos que prejudicam a imersão. Garfield e o elenco têm pouco espaço para criar impacto em cena, enquanto a ação escassa permanece confusa e desfocada.
Personagens superficiais e trama lenta

Mesmo com um elenco que inclui Jamie Bell, Cosmo Jarvis, Thomasin McKenzie e Katherine Waterston, os personagens são caricatos e pouco desenvolvidos. Os camponeses que acompanham Garfield em sua jornada até Londres têm papéis pouco expressivos. O rei Ricardo II aparece apenas como um boneco dos conselheiros amargurados e manipuladores, interpretados por Stephen Dillane, Tom Hollander e Stanley Townsend. A atuação de Woody Norman também é vista como abaixo do esperado em comparação a trabalhos anteriores.
A narrativa de “The Uprising” avança com uma sequência previsível de protestos e confrontos, mas nunca cria uma sensação real de tensão ou urgência. O filme tenta ser um épico, mas sua abordagem visual lembra um documentário de baixo orçamento, e sua tentativa de capturar a importância histórica da revolta camponesa não convence.
Falta de aprofundamento histórico e crítica social rasa

Embora a trama se proponha a explorar a Revolta dos Camponeses de 1381 — movimento que marcou o fim do sistema feudal inglês — e faça uma leve referência às origens da lenda de Robin Hood, o roteiro falha em explicar os motivos e consequências dos eventos retratados. A discussão sobre desigualdade social ou ideologias políticas é superficial, com poucas passagens que aludem à riqueza dos nobres como “veneno” ou à peste negra como punição divina.
O filme também evita aprofundar elementos dramáticos e políticos que poderiam enriquecer a narrativa, como os jogos de poder na corte real ou o custo das revoluções para a união popular. Mesmo a ideia de uma origem para Robin Hood é deixada nas bordas da história, sem a carga necessária para envolver o público.
Imagem: Divulgação
Sem um foco claro e com uma execução pouco inspirada, “The Uprising” termina não entregando uma mensagem relevante nem construindo uma história empolgante.
Classificação estimada: 4 de 10
“The Uprising” estreia nos cinemas em 11 de setembro de 2026.
Veja também
- "The Uprising": Origem de Robin Hood com Andrew Garfield é Filme Monótono e Decepcionante
- Episódio 3 de Lanterns traz problema comum de franquias sem explicar a origem do poder de John Stewart
- Episódio 9 da 3ª temporada de Silo revela a origem do Pacto e muda a percepção sobre as regras dos silos
Com informações de SlashFilm
