Mike Flanagan, responsável pela série “Carrie”, apresenta no Prime Video uma releitura da obra de Stephen King que acontece 52 anos após a publicação do livro original. Lançado originalmente em 1974, o clássico aborda a história de uma garota solitária e um cruel trote no baile que termina em tragédia, tema que permanece atual mesmo com a passagem do tempo.
Atualização da trama para os dias atuais
Embora o livro tenha sido publicado em 1974 e ambientado em 1979, Flanagan decidiu transportar a narrativa para 2026, com aprovação do autor. Segundo o showrunner, isso permite destacar mudanças na forma como o bullying se manifesta atualmente. Enquanto o tema do assédio existe há décadas, a digitalização gerou novas formas de crueldade que são parte do cotidiano, especialmente nas redes sociais.
“Stephen King, meio século atrás, nunca poderia imaginar o impacto das novas ferramentas de crueldade usadas entre as pessoas, que se tornaram normais com as redes sociais e a internet, nem como nossa sociedade aceitou isso como inevitável”, declarou Flanagan.
No episódio inicial, intitulado “First Period” (Primeira Menstruação), a cena clássica na sala de banho é mantida: a protagonista Carrie (interpretada por uma jovem atriz) tem sua primeira menstruação sem saber do que se trata e é atacada pelas colegas, lideradas por Chris Hargensen (Alison Thornton). Porém, desta vez, o bullying também é registrado em vídeo pelos celulares e viralizado nas redes.
A crueldade amplificada pelas redes sociais
O vídeo compartilhado rapidamente na Ewen High motiva Chris a criar uma conta anônima no Instagram chamada “Carrie Red”. Por ali, ela divulga mais vídeos semelhantes e espalha boatos sobre estudantes e professores, embora ninguém suspeite que Carrie está por trás. Esse recurso destaca o alcance e a rapidez do bullying digital, que é inevitável e onipresente.
Com o agravamento da situação, Chris é descoberta, recusando-se a apagar sua conta, o que leva a suspensão e expulsão, desencadeando uma revolta entre os alunos. Essa atualização da história aproxima a série de produções como “Meninas Malvadas” ao evidenciar o lado tóxico das redes sociais no ambiente escolar.
A personagem Margaret White (Samantha Sloyan), mãe de Carrie, também recebe uma reformulação. Se antes era retratada como uma cristã evangélica tradicional, aqui ela é uma teórica da conspiração e ativista pelos direitos dos pais, até mesmo produzindo transmissões ao vivo para divulgar suas visões. A mudança justifica a decisão de que Carrie tenha sido educada em casa desde sempre, tema explorado para refletir debates reais sobre controle parental e censura escolar.
Imagem: Divulgação
Referências à violência escolar e críticas atuais
Outro elemento que ilustra a atualidade da trama é a rotina dos estudantes de Ewen High, que todos os dias passam por detectores de metal e participam de simulações de tiroteio. A confusão e o medo de Carrie diante desses procedimentos servem como crítica ácida à normalização da violência nas escolas hoje.
Flanagan destacou que Stephen King jamais poderia imaginar, em 1974, que adolescentes convivem diariamente com a ameaça de atiradores nas escolas. Por isso, trazer a série para 2026 serve para espelhar a realidade brutal da juventude contemporânea.
Apesar das alterações, a essência da história se mantém. Na visão do showrunner, “Carrie” pode ser vista como uma narrativa sobre um atirador escolar, mas com uma abordagem sobrenatural: uma jovem alienada que canaliza sua dor em violência contra colegas, porém com poderes telecinéticos em vez de armas. Essa ligação com eventos trágicos posteriores, como o massacre de Columbine em 1999, mostra como a obra foi pioneira ao abordar a violência escolar de forma ficcional.
A releitura da série está disponível para streaming no Prime Video.
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Com informações de SlashFilm
